quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

Mensagem proferida por Miss. Taciano Cassimiro em Arapiraca-AL 16.09.08

Tema: Clamando ao Senhor em meio à calamidade.
Texto: SALMO 130

1 DAS profundezas a ti clamo, ó SENHOR.
2 Senhor, escuta a minha voz; sejam os teus ouvidos atentos à voz das minhas súplicas.
3 Se tu, SENHOR, observares as iniqüidades, Senhor, quem subsistirá?
4 Mas contigo está o perdão, para que sejas temido.
5 Aguardo ao SENHOR; a minha alma o aguarda, e espero na sua palavra.
6 A minha alma anseia pelo Senhor, mais do que os guardas pela manhã, mais do que aqueles que guardam pela manhã.
7 Espere Israel no SENHOR, porque no SENHOR há misericórdia, e nele há abundante redenção.
8 E ele remirá a Israel de todas as suas iniqüidades.
Exórdio:

Os Salmos 120 a 134 formavam um hinário utilizado pelos peregrinos que subiam para Jerusalém na comemoração das festas anuais de Páscoa, Pentecostes e Tabernáculos.

Este Salmo é um verdadeiro lamento de uma alma que sofre as agruras da vida e suas conseqüências. Ha expressão “ Das Profundezas “ indica que era grande o problema existencial do salmista, e que o mesmo percebe que só em Deus é possível vencer as dificuldades da vida.

Este Salmo serve-nos de estimulo para orarmos ao Senhor , e continuarmos fiés independentemente das circunstancias. E também nos ensina a esperar sempre no Senhor.


I. Na calamidade reconhecemos nosso pecado v.3.

A grandeza do homem está em ele se reconhecer como miserável. Uma árvore não se dá conta da sua miséria.
Blaise Pascal

II. Na calamidade reconhecemos que precisamos de perdão v.4,8.

"Contrariedade - O homem é naturalmente crédulo, incrédulo, tímido, temerário."

III. Na calamidade ansiamos pela presença de Deus v.6.

Lc 15:17 E, tornando em si, disse: Quantos jornaleiros de meu pai têm abundância de pão, e eu aqui pereço de fome!
18 Levantar-me-ei, e irei ter com meu pai, e dir-lhe-ei: Pai, pequei contra o céu e perante ti;

IV. Na calamidade aprendemos que devemos esperar pelo Senhor v.7

Is 49: 23 E os reis serão os teus aios, e as suas rainhas as tuas amas; diante de ti se inclinarão com o rosto em terra, e lamberão o pó dos teus pés; e saberás que eu sou o SENHOR, que os que confiam em mim não serão confundidos.

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009


Meu objetivo era postar artigos, esboços e outros, de minha autoria nos ultimos meses. Entretanto, fiquei maravilhado diante do comentário "Pastores de alma, uma especie em extinção?" e considerei relevante, a ponto de recomendar a todos os pastores e lideres das mais diversas denominações a leitura do mesmo.
Que Deus te abençõe na leitura do texto,pois,eu já peguei a minha parte.
Missionário, Taciano Cassimiro

Pastores de almas, uma espécie em extinção?

Renato Vargens


Há pouco tempo ouvi uma história a qual compartilho com vocês. Uma irmã (a qual, por questões obvias, não vou revelar o nome e igreja), passou pela seguinte experiência:Em um final de culto, movida por um grave problema pessoal, ela procurou o seu pastor, no desejo de abrir o coração, pedindo-lhe que a ajudasse em aconselhamento pastoral. O pastor, sem poder ouvi-la naquele momento, até porque muita gente desejava lhe falar e, principalmente, cumprimentá-lo em virtude do "maravilhoso sermão "que havia pregado, solicitou à irmã que procurasse a secretaria da igreja e agendasse um encontro.
No dia seguinte a irmã procurou a secretaria, tentando agendar o encontro pastoral; no entanto, para sua surpresa, a secretária informou que o tal pastor não teria agenda livre para os próximos cinco meses, o que impossibilitaria o seu atendimento. A moça se desesperou, implorou, pediu pelo amor de Deus, mais nada pôde ser feito. A secretária explicou que o pastor tinha já agendado muitos encontros, jantares, viagens e conferências, as quais tinham que ser priorizadas, e que o máximo que ela poderia fazer seria encaixá-la num atendimento, quatro meses depois.
A moça saiu da igreja, naquela manhã de segunda-feira, pior do que entrara; na verdade, agora ela se sentia deprimida, desvalorizada e sem perspectiva alguma de ser ajudada em seu problema. O pastor, o qual ela pensava que poderia ajudá-la, infelizmente não poderia fazê-lo.
Seis meses se passaram e a moça desiludida, bem como desesperançosa, não fora mais à igreja. Para sua tristeza, ninguém, absolutamente ninguém, a procurara, querendo saber o motivo de sua ausência. Até que um dia, o pastor da igreja da qual fazia parte, encontrou-a na instituição bancária onde ela trabalhava. Ao vê-la, o pastor não esboçou nenhum comentário quanto à sua ausência; na verdade, a única coisa que falou, é que estava correndo em virtude da grande e complexa agenda.
Não sei o que você pensa e sente ao ler essa pequena história. Entretanto, quando soube do fato, fui tomado por uma grande perplexidade que me fez questionar sobre o papel pastoral nos dias de hoje. Aonde estão os pastores do povo de Deus? Aonde estão aqueles que por amor ao Rei, largam as 99 ovelhas e vão em busca de uma que se perdeu e sofre? Sem sombra de dúvidas, vivemos uma enorme crise de pessoalidade e afetividade na relação pastor-ovelha, isso porque, alguns dos ditos pastores se tornaram mega-stars da fé, imponentes pregadores, "Apóstolos desbravadores", além de "poderosos profetas". Junta-se a isso, o fato de que as mensagens pregadas nos púlpitos têm tido por fundamento o marketismo religioso, cujo conteúdo é humanista e secularizado. Infelizmente, sou obrigado a concordar que tais pastores têm se preocupado mais com a porta de entrada, do que com a porta de saída dos seus apriscos; mais com números do que com gente. Na verdade, ouso afirmar de que vivemos numa era onde as pessoas foram definitivamente coisificadas, onde seres humanos, criados a imagem e semelhança de Deus transformaram-se em gráficos e estatísticas.
Diante desta nebulosa perspectiva, sou tomado pela imprenssão de que essa geração necessita urgentemente de pastores de almas, de gente abnegada, que se preocupe com a dor do próximo e tenha prazer em cuidar da ovelha ferida. Para tanto, torna-se indispensável remodelar e reformar os conceitos pastorais desta geração, impregnando nos novos ministros, amor, compromisso e fidelidade para com Deus e seu Reino. Além disso, julgo também que seja imprescindível de que os pastores desse tempo, sejam plenamente comprometidos com a Santa Palavra de Deus, preocupando-se com o que ela diz, tomando-a como regra, bem como modelo de fé e comportamento para o seu ministério pessoal.
Vale a pena lembrarmos daquilo que o reformador francês João Calvino costumava dizer quanto a Palavra de Deus. (1) "A Escritura é a fonte de toda a sabedoria, e os pastores devem extrair dela tudo aquilo que expõem diante do rebanho" (2) Calvino afirmava que através da exposição da Palavra de Deus, as pessoas são conduzidas a liberdade e a segurança da fé salvadora, dizia também que a verdadeira pregação, tem por objetivo abrir a porta do reino ao ouvinte, isto é, em outras palavras o que ele está a nos dizer, é que as Escrituras Sagradas, devem ser o principal instrumento na condução, consolidação e pastoreamento do povo de Deus.
No exercício de seu pastorado, Calvino dizia que a pregação pública deveria ser acompanhada por visitas pastorais. (3) Junta-se a isso o fato, de que ele sempre procurou encorajar pessoas sobrecarregadas, as quais não conseguiam encontrar consolo mediante sua própria aproximação de Deus, a procurarem seu pastor para aconselhamento particular e pessoal.
Conforme registro de um dos seus colegas pastores em Genebra, "(...) os que lhe procuravam eram recebidos com simpatia, gentileza e sensibilidade. Ele os atendia e prontamente lhes respondia as perguntas, mesmo as mais sérias delas. Sua sabedoria era demonstrada nas entrevistas particulares tanto quanto nas conversas públicas onde ele confortava os entristecidos e encorajava os abatidos...". [4].
Calvino também acreditava que o ensino, além de ser público nos cultos, deveria ser acompanhado por orientação pessoal e aplicado às circunstâncias específicas da vida de suas ovelhas. Atendia noivos que estavam se preparando para o casamento, pais que traziam seus problemas relacionados aos seus filhos, pessoas com dúvidas ou dificuldades doutrinárias, lutas com enfermidades, ouvia confissões de pecados, e a todos ele os recebia e levava o conforto e o encorajamento necessários. [5]Amados irmãos, ainda que os nossos dias, sejam diferentes dos dias dos reformadores, carregamos em nosso tempo as mesmas demandas pastorais.
Nossas igrejas estão cheias de individuos em crise, de familias desestruturadas, além de pessoas que foram violentamente marcadas por satanás e o pecado. Ouso afirmar que neste tempo pós moderno, onde o relativismo tem mostrado as suas garras, necessitamos urgentemente de pastores preparados e capacitados, que amem a Deus acima de todas as coisas, e que se disponham a pastorear abnegadamente o rebanho de Cristo.
Que Deus tenha misericórdia de seu povo e levante pastores segundo o seu coração.
Soli Deo Gloria,

terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

Não Confie em Seus Méritos.

Por 
Taciano CassimiroTexto: Lucas 18. 9 – 14.
 

I. Não Confie Em Sua Religião:

. Religião não salva;
.Religião não perdoa pecados;
. Religião por mais séria e sincera que seja não pode te conduzir a uma vida eterna com Deus.

II. Não Confie Em Suas Práticas Piedosas:


Nossas obras diante de Deus, não passam de trapos de imundícias;
Nossas orações e jejuns não podem nos salvar;
Nossas contribuições nem de longe nos garante salvação.

III. Não Confie Em Seu Padrão de Moralidade.


.Não ha um justo se quer;
.Os padrões de moralidade dos homens estão manchados pelo pecado;

Nossa religião, nossas práticas piedosas, nossos padrões de moralidade não nos justificam diante de DEUS.

Por isso, Confie nos méritos de Cristo. Pois Ele é quem:

.Perdoa os pecados;
.Ele é quem nos justifica por sua Graça;
.Somente Ele é quem nos exalta a categoria de filhos de Deus.

Portanto não ouse confiar em seus méritos. Confie nos meritos de Cristo!
Tema: AMOR A BASE DE TUDO
Texto: I Co 13.1-3.
Pregado na Igreja Presbiteriana do Jacintinho em 2006
por Taciano Cassimiro

“... limites de pedra não podem conter o amor, e o que o amor pode fazer, isso o amor ousa tentar”. W. Shakespeare.

Apresentação

Dentre todos os sentimentos o maior deles é o amor. O amor foi à base do ministério de Jesus. Suas palavras, seus gestos e suas ações foram demonstrações de amor.
Os apóstolos de Cristo em particular Paulo e João nos apresentaram em suas cartas como o amor deve ser sentido, e vivido na comunidade cristã.

Nessa mensagem invocamos as palavras de Paulo na primeira carta aos corintios capitulo 13, para refletirmos um pouco acerca desse assunto muito relevante para nós, uma vez que as comunidades cristãs têm sido solapadas por guerras das mais diversas, estou me referindo ao egoísmo, invejas, pelejas e murmurações no nosso meio, dando-nos provas de que em nossa jornada precisamos amadurecer.
Precisamos aprender a amar os nossos irmãos e o próximo como a nós mesmos, pois Deus é Amor.

Palavra chave: Amor

Definições:

Ágape - amor de Deus ( incondicional ).
Eros - amor de marido e mulher ( intimidade ).
Philos - amor de amigos ( consideração ).
Genos - amor de pai e mãe ( carinho ).

I. A Cidade de Corinto

A Cidade de Corinto - Localizada no estreito istmo entre os mares Egeu e Adriático , Corinto era uma cidade portuária e um rico centro comercial. Navios que quisessem evitar a perigosa viagem de contorno da parte meridional da península grega eram arrastados ao longo do istmo. A cidade ostentava um teatro ao ar livre com capacidade para 20.000 espectadores; os jogos atléticos ( chamados jogos istmos ) só perdiam em importância para os Jogos Olímpicos; Corinto possuía uma população que incluía gregos, romanos e orientais e exibia, com orgulho, o templo de Afrodite, com suas 1.000 prostitutas. A condição moral de Corinto é vividamente percebida no fato de que o termo grego “ Korintianizomai “ ( lit. agir como um Coríntio ) adquiriu o sentido de “ cometer fornicação “. Havia tavernas na parte sul do mercado, e muitos utensílios usados para bebidas alcoólicas foram recuperados quando tais bases foram escavadas. Corinto era notória por tudo que era pecaminoso.


II. A Carta aos Corintios ( Escrita em 56 D.c na cidade de Éfeso ).

Corinto, uma igreja carismática I Co 1.7.
Corinto, igreja com sérios problemas no que diz respeito à unidade que estava ameaçada I Co 1.12.
Corinto, igreja com problemas de imoralidade I Co 1.1-13.
Corinto, igreja com problemas litúrgicos ( Uso do Véu e Ceia do Senhor ), I Co 11.1-34.
Corinto, igreja com dificuldades carismáticas I Co Cap 12, 13 e 14.
Corinto, igreja que não tinha aprendido o significado do amor, e como, o mesmo é essencial na comunidade do povo de Deus.

Foi nesse contexto histórico e existencial que a Carta aos Corintios fora escrita. Afirmo que o tema principal dessa "Carta é o Amor", pois quem somos nós sem amor?
Tudo que fizermos sem amor não passará de esterco, lixo e obras sem significado e significação não terá expressão nenhuma. Porém com amor tudo que fizermos será manifestação do amor de Deus em nossas vidas Rm 5. 5.

III. A Banalização do Amor

Pessoas que mal se conhecem vão para o motel e dizem que fizeram amor.
Irmãos que mau se falam, PELO FATO DE um não IR com a cara do outro, se abraçam no momento do culto e dizem que se amam e ao termino do mesmo, é “ Tu pra lá e Eu pra cá “.
Frases de amor são ditas em momentos litúrgicos que manifestam “ amor, compreensão, reciprocidade e verdadeiro espírito cristão “ , porém não passam de simples verbalização de uma verdade que deveria ser vivida e sentida por nós.

A Palavra amor hoje é uma palavra qualquer, porém amor na Bíblia, é palavra que revela o Deus Todo Poderoso se manifestando na história humana “ porque Deus amou o mundo”.
Nós os Cristãos precisamos resgatar o verdadeiro amor em nossas comunidades, devemos falar, nos mover, nos abraçar e cumprimentar-nos com amor de Deus que foi derramado em nossos corações pelo Espírito Santo.


IV. O que deveria ser por amor é obrigação.

Observe as respostas:

Por que você não bebe? Resp. Porque a igreja proíbe.
Por que você não usa mini saia? Resp. Porque o Pastor não deixa.
Por que você não joga na Mega Sena? Resp. Porque a igreja disse que o crente não pode fazê-lo.

E O AMOR A DEUS?

O amor a Deus deve ser a base de nossas ações, decisões e motivações.

V. A Superioridade do Amor.

I Co 13.1-3.

Superior às línguas dos anjos (ainda que exista).

Superior às línguas humanas. Mesmo que tenhamos conhecimento de várias línguas humanas, aponto de sermos chamados de poliglotas, sem amor não passaremos de linguarudos.

Superior a toda ciência. Mesmo possuindo conhecimento cientifico nas mais diferentes áreas, a ponto de sermos referencia mundial, sem amor não passaremos de contentores de grande saber e nada mais.

Superior a Fé. Mesmo que nossa fé seja como a de Abraão Pai da fé, sem amor não passará de um pensamento positivo.

Superior aos atos de caridade. Ainda que sejamos superiores em obras de caridade a ponto de superarmos a Madre Teresa de Calcutá, sem amor nada seriamos ou seremos.

Superior ao martírio. Ainda que sejamos serrados ao meio, queimados na fogueira, lançados na arena para sermos devorados por Leões, ou como, Maximilan Coube sacerdote católico que deu sua vida para salvar companheiros de prisão na segunda guerra mundial, sem amor será sacrifico de tolo.


Aplicação Final

Que o amor seja à base de nossa fé.

Que o amor seja à base de nosso relacionamento familiar.

Que o amor seja à base de nossos abraços, choros, risos e até mesmo de nossa tristeza, pois muitas vezes ficamos tristes por amor.

Que o amor seja à base de nosso relacionamento na comunidade do povo de Deus, ou seja, da Igreja.

Que o amor seja à base de nossas emoções, palavras e ações.


O Amor nos faz SER gente boa, do bem, da paz, da vida, da felicidade. o Amor de Deus nos tornou seus filhos. Logo, devemos amar a Deus e ao próximo como a nós mesmos.
Em Cristo,
Missionário, Taciano
Arapiraca-AL 10 de fevereiro de 2009
Tema: Qualquer Situação
Texto: Fl 4.12-13.
Sermão pregado em 14 de setembro de 2008
Por Taciano Cassimiro

Exórdio: Quando olhamos para o passado e vemos como nossos pais, avós e bisavós viviam, precisamos reconhecer que teríamos dificuldades para viver em épocas como aquelas. Mesmo as crianças e jovens de hoje se perguntam como era possível viver sem um telefone celular, Internet ou mesmo um telefone comum. Como era possível preparar pratos tão deliciosos com poucos ou quase nenhum eletrodoméstico? E como as pessoas faziam para viajar, sem um horário preciso, sem poder avisar quando estavam chegando?
Do ambiente úmido e escuro da prisão, assim como de suas constantes viagens e aventuras, Paulo se acostumou a ver a realidade com outros olhos. Hoje, ele nos desafia a fazer o mesmo quando diz: “com a força que Cristo me dá posso enfrentar qualquer situação”.

Resumo da Epistola
I. Saudações e Expressões de Gratidão, 1 – 11
II. A Situação Pessoal de Paulo: A Pregação de Cristo, 1. 12 – 30
III. O Padrão da Vida Cristã: A Humildade de Cristo, 2. 1 – 30
IV. O Prêmio da Vida Cristã: O Conhecimento de Cristo, 3. 1 – 21,
V. A Paz da Vida Cristã: A Presença de Cristo 4. 1 – 23.

É no quarto capítulo que Paulo mostra que “ Em Qualquer Situação Cristo está Conosco “.

1. Paulo tinha essa idéia porque ele aprendeu a ver a realidade com outros olhos “com a força que Cristo me dá posso enfrentar qualquer situação”.

2.Paulo contava com uma ajuda especial “com a força que Cristo me dá posso enfrentar qualquer situação”.

3. Paulo contava com a força de Cristo “com a força que Cristo me dá posso enfrentar qualquer situação”.

Ao terminar essa mensagem e voltar à sua vida cotidiana, lembre-se da força que Paulo recebia de Jesus e que lhe ajudava a viver em todo lugar e qualquer situação. Jesus também quer compartilhar essa força com você.

Oremos: Senhor Jesus ajuda-me a não reclamar. Dirige meus olhos para as coisas que vêm de ti, para que eu possa estar sempre contente e de bom humor. Amém.

sábado, 7 de fevereiro de 2009


Estudo Bíblico - Missionário Taciano Cassimiro na Igreja Presbiteriana do Brasil em Arapiraca-Al 02/09/08

As Características da Identidade Cristã

Texto: Atos 11. 19-26.


I. Definindo o que seja um Cristão.


Cristão – Do grego “ Christhos “, Messias.

É aquele que vive de conformidade com os ensinamentos de Cristo. “ Fazer-se amigo de Cristo “.

Detectando melhor o que é um Cristão Jo 10: 27- As minhas ovelhas ouvem a minha voz, e eu conheço-as, e elas me seguem; 28 E dou-lhes a vida eterna, e nunca hão de perecer, e ninguém as arrebatará da minha mão.
Cristão aqui é:

Uma pessoa que ouve a voz de Jesus Cristo.
Uma pessoa que se dispõe á segui-lo.
Uma pessoa que recebe dele a vida eterna.
Uma pessoa que tem segurança eterna.

Tudo isto envolve um relacionamento pessoal, produto de uma experiência pessoal.

O cristão é alguém compromissado com Jesus.


II. O Ambiente em que vive o cristão: Um desafio a sua identidade. Gn 4.17-26; Gn 6.12.

1. Homicídio – Violência.
2. Idolatria.
3. Prostituição.
4. Estrutura social contaminada pelo pecado.

Em Gn 4 e 6 temos um ambiente corrompido. Entretanto, uma linhagem começa a invocar a Deus. Também, somos chamados: “ Fl 2.15 Para que sejais irrepreensíveis e sinceros, filhos de Deus inculpáveis, no meio de uma geração corrompida e perversa, entre a qual resplandeceis como astros no mundo..”.

III. O Que caracteriza a identidade cristã nos tempos de Cristo?

A identidade cristã começa com uma cruz. Não num prédio ou num altar, mas no coração. Ser cristão é tomar a cruz com Cristo Lc 9.23. É crucificar-se como disse um teólogo do passado ,” O Cristo crucificado só pode ter seguidores crucificados “.

Mas em termos práticos o que significa esta identidade?

1. Um profundo apego à pessoa de Cristo.

Jo 6. 67 Então disse Jesus aos doze: Quereis vós também retirar-vos?
68 Respondeu-lhe, pois, Simão Pedro: Senhor, para quem iremos nós? Tu tens as palavras da vida eterna.

2. Um sério compromisso com Cristo.

LC 9.23 E dizia a todos: Se alguém quer vir após mim, negue-se a si mesmo, e tome cada dia a sua cruz, e siga-me.

3. Assumir o caráter de Cristo.

Cl 2.6 Como, pois, recebestes o Senhor Jesus Cristo, assim também andai nele.

4. Ter o coração aberto para todos.

Mc 2.15 E aconteceu que, estando sentado à mesa em casa deste, também estavam sentados à mesa com Jesus e seus discípulos muitos publicanos e pecadores; porque eram muitos, e o tinham seguido.

5. Ter a visão de Cristo.

Ter compaixão pelos pecadores.

Mt 9.36 E, vendo as multidões, teve grande compaixão delas, porque andavam cansadas e desgarradas, como ovelhas que não têm pastor.

A visão evangelistica e missionária é uma forte marca da identidade cristã. Como disse Robert Grant “ cristão e missionário são termos sinônimos “.

6. Ter consciência de ser peregrino.

Hb 13.14 Porque não temos aqui cidade permanente, mas buscamos a futura.

Muitos cristãos vivem como se aqui fosse seu destino final. Perderam a consciência de peregrinos.

7. As marcas da cruz

Gl 6.17 Desde agora ninguém me inquiete; porque trago no meu corpo as marcas do Senhor Jesus.

Disse Campbel Morgan “ só o homem crucificado pode pregar a cruz “.

Disse Tomé: Jo 20.24 - Ora, Tomé, um dos doze, chamado Dídimo, não estava com eles quando veio Jesus. 25 Disseram-lhe, pois, os outros discípulos: Vimos o Senhor. Mas ele disse-lhes: Se eu não vir o sinal dos cravos em suas mãos, e não puser o dedo no lugar dos cravos, e não puser a minha mão no seu lado, de maneira nenhuma o crerei.

O Dr. Parcker de Londres disse que o que Tomé disse acerca de Cristo. O mundo está dizendo da igreja.

A identidade cristã busca tornar experiêncial a palavra do apostolo de Paulo “ Gl 2. 20 Já estou crucificado com Cristo; e vivo, não mais eu, mas Cristo vive em mim; e a vida que agora vivo na carne, vivo-a na fé do Filho de Deus, o qual me amou, e se entregou a si mesmo por mim.
Qual é a maior necessidade da igreja de Cristo hoje ? “ As Marcas de Cristo “.

Sermão pregado na IPB-PRIMAVERA EM Arapiraca-Al em 05.10.08 por Missionário, Taciano Cassimiro

Um Convite Maravilhoso

Mateus 11
28 Vinde a mim, todos os que estais cansados e oprimidos, e eu vos aliviarei.
29 Tomai sobre vós o meu jugo, e aprendei de mim, que sou manso e humilde de coração; e encontrareis descanso para as vossas almas.
30 Porque o meu jugo é suave e o meu fardo é leve.

Exórdio
Vez por outra, somos convidados a conhecer uma cidade histórica, um país por causa da sua história e beleza natural. Em outras ocasiões, somos chamados a ouvir um grande orador apresentar seus conhecimentos e eloqüência. Entretanto, por mais belo que seja o lugar. Por mais gloriosa que seja a história de um país ou de uma cidade. E por mais sábio que seja um orador, e atraente por suas idéias, e comovente o seu convite. Jamais, tais convites se comparam ao convite de Cristo “ Vinde a mim..”.

Narração
No princípio de seu ministério, Jesus Cristo se mudou para Cafarnaum ( que era centro de cobrança de impostos e posto militar do Império Romano) onde centralizou suas operações miraculosas, a ponto de vir a chamar-se a sua cidade, Mt 9.1. Muitos milagres foram operados em Cafarnaum. Jesus, não só curou, como também, fez da Cidade, o palco do maior e mais Maravilhoso convite já feito na história da humanidade “ Vinde a mim..”.
Nenhum convite pode ser comparado ao de Jesus;
Nenhum convite tem o poder do de Jesus;
Nenhum convite tem as marcas do amor, da misericórdia e da graça de Jesus.
O convite de Jesus “ Vinde a mim “ é maravilhoso pelas seguintes razões:


1. É Maravilhoso porque Jesus é maravilhoso.

· Maravilhoso em graça e em poder;
· Maravilhoso em seu amor incomparável;
· Maravilhoso em sensibilidade ( ele sente as dificuldades das pessoas ).

2. É Maravilhoso porque produz alívio.
Aparecem no texto:
· Os cansados - são aqueles que, em virtude do trabalho duro, da luta e esforço constante, pela sobrevivência cansavam-se, aponto de tornar-se desanimados e, por conseguinte cansados.
· Os oprimidos - são todos aqueles, que se encontravam oprimidos pelo jugo da Lei, pelo jugo do pecado, pelas enfermidades e por demônios.

Há opressão era tanto de ordem material (domínio romano); psicológica (ANSIEDADE, DEPRESSÃO); e espiritual (ESPÍRITOS MALIGNOS SE APODERAVAM DAS PESSOAS).

Jesus promete dar alívio a todos os que aceitarem seu convite maravilhoso.

3. É Maravilhoso porque nos dar o descanso.

· Alma cansada precisa de descanso;
· Alma cansada precisa de alívio;
· Alma cansada precisa de Jesus.

O Convite de Jesus se estende até nós nesta noite. Podemos receber dele o alívio, o descanso e paz que tanto precisamos. Mais, é necessário aceitarmos o convite maravilhoso de Jesus “ VINDE AMIM”.

Tema: Cama Curta e Cobertor Estreito
Texto: Isaías 28:20

Por Missionário, Taciano Cassimiro

1. Se vcs não fizerem aliança comigo “ a cama vai ser curta e o cobertor estreito “.

“ Israel fez alianças com nações vizinhas “.

· Deveriam confiar no Senhor
· Deveriam fazer aliança com Deus


2. Se vcs não derem ouvidos a minha a voz “a cama vai ser curta e o cobertor estreito “.

“ Israel não deu ouvidos a voz de Deus v 12. “.

· O salmista Davi no capitulo 29 e versículo 4 diz “ A voz do Senhor é poderosa; a voz do Senhor é cheia de majestade”.
· O Novo Cântico no hino de número 101 na primeira strofe diz:


“ Ouvi a doce voz
De Cristo. O redentor,
Chamar-me para a salvação,
Que vem do seu amor.”


Is 28:23 “ Inclinai os ouvidos e ouvi a minha voz; atendei bem e ouvi o meu discurso “.

3. Se vcs não estiverem perto de mim e comigo “ a cama vai ser curta e o coberto estreito “.

“ Longe de Deus não a segurança alguma “.

“ Isaías 1:18-20 - Vinde então, e argüi-me, diz o SENHOR: ainda que os vossos pecados sejam como a escarlata, eles se tornarão brancos como a neve; ainda que sejam vermelhos como o carmesim, se tornarão como a branca lã. 19 Se quiserdes, e obedecerdes, comereis o bem desta terra. 20 Mas se recusardes, e fordes rebeldes, sereis devorados à espada; porque a boca do SENHOR o disse.


Conclusão

Deus te trouxe aqui nesta noite, para que possamos entender que só a conforto, segurança e felicidade, se estivermos com Ele. Deus deseja, que nossa vida, seja uma cama cumprida, espaçosa, e que nosso cobertor seja largo.

Conforto, alívio e segurança, é o que o nosso Deus quer nos dar!

sábado, 10 de janeiro de 2009


A Bíblia não diz que Deus não quer que Ninguém Pereça?
por
R. C. Sproul

O apóstolo Pedro declara com clareza que Deus não quer que ninguém pereça.
"Não retarda o Senhor a sua promessa, como alguns a julgam demorada; pelo contrário, ele é longânimo para conosco, não querendo que nenhum pereça, senão que todos cheguem ao arrependimento" (2Pedro 3.9).

Como podemos encaixar este versículo na predestinação? Se não é a vontade de Deus eleger todos para a salvação, como pode então a Bíblia dizer que Deus não quer que ninguém pereça?
Em primeiro lugar precisamos entender que a Bíblia fala da vontade de Deus em mais de uma maneira. Por exemplo, a Bíblia fala do que nós chamamos de vontade soberana eficaz. A vontade soberana de Deus é aquela vontade pela qual Deus faz com que as coisas aconteçam com absoluta certeza. Nada pode resistir à vontade de Deus neste sentido. Por sua soberana vontade, Ele criou o mundo. A luz não poderia recusar-se a brilhar.
A segunda maneira na qual a Bíblia fala da vontade de Deus é com respeito ao que chamamos de vontade preceptiva. A vontade preceptiva de Deus refere-se a seus comandos, suas leis. E a vontade de Deus que façamos o que Ele ordena. Somos capazes de desobedecer a sua vontade. Na realidade, quebramos seus mandamentos. Não podemos fazer isso com impunidade. Fazemos isso sem sua permissão ou sanção. Ainda assim o fazemos. Nós pecamos.
Um terceiro modo que a Bíblia fala da vontade de Deus faz referência à disposição de Deus, ao que agrada a Ele. Deus não tem prazer na morte do ímpio. Existe um sentido no qual a punição do ímpio não traz alegria a Deus. Ele escolhe fazê-lo porque é bom punir o mal. Ele se alegra na justiça de seu julgamento, mas é "triste" que tal julgamento justo precise ser realizado. E algo como um juiz sentar-se na corte e sentenciar seu próprio filho à prisão.

Vamos aplicar estas três definições possíveis à passagem de 2 Pedro.

Se tomarmos a declaração compreensiva "Deus não quer que ninguém pereça", e aplicarmos a ela a vontade soberana eficaz, a conclusão é óbvia. Ninguém perecerá. Se Deus soberanamente decreta que ninguém deve perecer, e Deus é Deus, então certamente ninguém jamais perecerá. Este, então, seria um texto de prova não para o arminianismo, mas para o universalismo. O texto, então, provaria demais para os arminianos.
Suponha que aplicamos a definição da vontade preceptiva de Deus a esta passagem. Então a passagem significaria que Deus não permite que ninguém pereça. Isto é, Ele proíbe o perecimento das pessoas. E contra sua lei. Se as pessoas fossem adiante e perecessem, Deus teria de puni-las por perecerem. Sua punição por perecerem seria mais perecimento. Mas como alguém se envolve em mais perecimento do que o perecimento? Esta definição não funcionará nesta passagem. Não faz sentido.
A terceira alternativa é que Deus não tem prazer no perecimento das pessoas. Isto se enquadra no que a Bíblia diz, em outros lugares, sobre a disposição de Deus em relação aos perdidos. Esta definição poderia servir nesta passagem. Pedro poderia simplesmente estar dizendo aqui que Deus não tem prazer no perecimento de ninguém.
Embora a terceira definição seja possível e atraente para ser usada na solução desta passagem, com a qual a Bíblia ensina sobre predestinação, há ainda um outro fator a ser considerado. O texto diz mais do que simplesmente que Deus não quer que ninguém pereça. A cláusula inteira é importante: "pelo contrário, ele é longânimo para convosco, não querendo que nenhum pereça, mas que todos cheguem ao arrependimento."
Qual é o antecedente de nenhum? É claramente "nós" . Será que "nós" se refere a todos nós humanos? Ou se refere a nós cristãos, o povo de Deus? Pedro gosta de falar dos eleitos como um grupo especial de pessoas. Eu acho que o que ele está dizendo aqui é que Deus não quer que nenhum de nós (os eleitos) pereça. Se esse é o seu significado, então o texto exigiria a primeira definição e seria mais uma forte passagem a favor da predestinação.
De duas maneiras diferentes o texto poderia ser harmonizado com a predestinação. De maneira nenhuma sustentaria o arminianismo. Seu único outro significado possível seria o universalismo, que então entraria em conflito com tudo o mais que a Bíblia diz contra o universalismo.
Fonte: Eleitos de Deus – Editora Cultura Cristã – Pág 144-146 --
Reverência para com Deus
por
Henry Sikkema

Quando Davi intentou tomar a arca do concerto da casa de Abinadabe, ele teve intenções corretas, mas ele o fez da maneira errada, levando, no final das contas, à morte de Uzá (2 Samuel 6:1-11 e 1 Crônicas 13). Como Davi entendeu mais tarde (em 1 Crônicas 15:13 ss), ele estava errado na primeira vez em que tentou levar a arca para Jerusalém. Ele comentou que porquanto da primeira vez vós não a levastes, o Senhor fez uma brecha em nós, porque não o buscamos segundo a ordenança. Ele então declara o modo que deveria ser feito – os Coatitas (um clã dos Levitas) deveriam carregar a arca nos pólos e aos Levitas não lhes eram permitido tocar nas coisas santas (Números 4:14-15 dá estes mandamentos) ; somente um grupo seleto de Levitas deveria tocar os instrumentos musicais, e não Davi e todo o Israel. Note que Davi diz isto embora Deus não tenha proibido explicitamente o uso de um carro – o mandamento de carregar a arca nos pólos é suficiente para proibir qualquer outro método de transportar a arca. Como C.H. Spurgeon escreveu num sermão sobre A Lição de Uzá:
"O povo não demonstrou qualquer reverência para com Deus, consultando Seu registro de regras que Ele tinha imposto para orientação deles, - parecendo pensar que tudo o que lhes agradasse, O agradaria, - todo tipo de adoração que eles escolhessem inventar, seria suficiente o bastante para o Senhor Deus de Israel, - portanto, isto terminou em fracasso.... .."[15]
Quando Davi fez estas coisas como Moisés tinha ordenado, conforme a palavra do Senhor (1 Crônicas 15:15), então, Deus ajudou os levitas que Levavam a arca do concerto do Senhor (verso 26). Assim, novamente vemos claramente que Deus Se agrada somente com aquilo que Ele ordena.
Nota
[15] C. H. Spurgeon, um sermão sobre A Lição de Uzá. Vol 49(1903) #2855 , Página 517 citado em O Princípio Regulador Escriturístico da Adoração por Rev. G.I.Williamson, para a Conferência Psalmody (Salmodia), na Assembléia de Bonclarken, Flat Rock NC, 1990.

sábado, 11 de outubro de 2008

A Vocação dos Eleitos - Agostinho


Procuremos entender a vocação própria dos eleitos, os quais não são eleitos porque creram, mas são eleitos para que cheguem a crer. O próprio Senhor revela a existência desta classe de vocação ao dizer: Não fostes vós que me escolhestes, mas fui eu que vos escolhi (Jo 15: 16). Pois, se fossem eleitos porque creram, tê-lo-iam escolhido antes ao crer nele e assim merecerem ser eleitos. Evita, porém, esta interpretação aquele que diz: Não fostes vós que me escolhestes.*Não há dúvida que eles também o escolheram, quando nele acreditaram. Daí o ter ele dito: Não fostes vós que me escolhestes, mas fui eu que vos escolhi, não porque não o escolheram para ser escolhidos, mas para que o escolhessem, ele os escolheu. Isso porque a misericórdia se lhes antecipou (Sl 53:11) segundo a graça, não segundo uma dívida. Portanto, retirou-os do mundo quando ele vivia no mundo, mas já eram eleitos em si mesmos antes da criação do mundo.*Esta é a imutável verdade da predestinação da graça. Pois, o que quis dizer o Apóstolo: Nele ele nos escolheu antes da fundação do mundo?(Ef 1:4). Com efeito, se de fato está escrito que Deus soube de antemão os que haveriam de crer .e não que os haveria de fazer que cressem, o Filho fala contra esta presciência ao dizer: Não fostes vós que me escolhestes, mas fui eu que vos escolhi. Isto daria a entender que Deus sabia de antemão que eles o escolheriam para merecerem ser escolhidos por ele.
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Conseqüentemente, foram escolhidos antes da criação do mundo mediante a predestinação na qual Deus sabia de antemão todas as suas futuras obras, mas são retirados do mundo com a vocação com que Deus cumpriu o que predestinou. Pois, o que predestinou, também os chamou com a vocação segundo seu desígnio. Chamou os que predestinou e não a outros; predestinou os que chamou, justificou e glorificou (Rm 8:30) e não a outros com a consecução daquele fim que não tem fim.
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Portanto, Deus escolheu os crentes, mas para que o sejam e não porque já o eram. Diz o apóstolo Tiago: Não escolheu Deus os pobres em bens deste mundo para serem ricos na fé e herdeiros do Reino que prometeu aos que o amam? (Tg 2:5). Portanto, ao escolher, fá-los ricos na fé, assim como herdeiros do Reino. Pois, com razão, se diz que Deus escolheu nos que crêem aquilo pelo qual os escolheu para neles realizá-lo.
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Pergunto: quem ouvir o Senhor, que diz: Não fostes vós que me escolhestes, mas fui eu que vos escolhi, terá atrevimento de dizer que os homens têm fé para ser escolhidos, quando a verdade é que são escolhidos para crer? A não ser que se ponham contra a sentença da Verdade e digam que escolheram antes a Cristo aqueles aos quais ele disse: Não fostes vós que me escolhestes, mas fui eu que vos escolhi.
posted by Josemar Bessa at 4:31 PM
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posted by Josemar Bessa at 4:59 PM

segunda-feira, 15 de setembro de 2008

A Explicação para os Aparentes Casos de Perda de Salvação
por
Wayne Grudem

Será sempre fácil distinguir os membros da igreja que têm autêntica fé salvífica daqueles que tem apenas um convencimento intelectual da verdade do Evangelho, mas não a autentica fé no coração? Não, nem sempre é fácil, e a Bíblia afirma em várias passagens que descrentes em aparente comunhão com a igreja podem dar alguns sinais ou indicações exteriores que os façam parecer crentes verdadeiros. Por exemplo, Judas, que traiu Cristo, deve ter agido quase exatamente como os outros discípulos durante os três anos em que esteve com Jesus. Tão convincente era a sua conformidade à conduta dos outros discípulos, que, ao final dos três anos de ministério de Jesus, quando ele declarou que um dos seus discípulos o trairia, nem todos suspeitaram de Judas, mas "começaram um por um a perguntar-lhe: Porventura, sou eu, Senhor?" (Mt 26.22; cf. Mc 14.19; Lc 22.23; Jo 13.22). Porém, Jesus sabia que não havia fé genuína no coração de Judas, pois disse a certa altura: "Não vos escolhi eu em número de doze? Contudo, um de vós é diabo" (Jô 6.70). João mais tarde escreveu no seu evangelho que "Jesus sabia, desde o principio, quais eram os que não criam e quem o havia de trair" (Jo 6.64). Mas os discípulos mesmos não sabiam.
Paulo fala dos "falsos irmãos que se entremeteram" (Gl 2.4), e afirma que nas suas viagens esteve "em perigos entre falsos irmãos" (2 Co 11.26). Afirma também que os servos de Satanás se transformam "em ministros de justiça" (2 Co 11.15). Isso não significa que todos os descrentes da igreja que dão alguns sinais de verdadeira conversão sejam servos de Satanás agindo secretamente para minar a obra da igreja, pois alguns podem estar ainda ponderando as declarações do Evangelho e avançando rumo à verdadeira fé, outros podem ter ouvido uma explicação incorreta da mensagem evangélica, e outros podem não ter ainda alcançado a verdadeira convicção do Espírito Santo. Mas as declarações de Paulo significam que alguns descrentes dentro da igreja são falsos irmãos e irmãs enviados para perturbar a comunhão, enquanto outros são simplesmente descrentes que acabarão alcançando a genuína fé salvífica. Nos dois casos, porém, eles podem dar diversos sinais exteriores que os façam parecer crentes autênticos.
Podemos ver isso também na declaração de Jesus sobre o que acontecerá no juízo final:
"Nem todo o que me diz: Senhor, Senhor! Entrará no reino dos céus, mas aquele que faz a vontade de meu Pai, que está nos céus. Muitos, naquele dia, hão de me dizer: Senhor, Senhor! Porventura, não temos nós profetizado em teu nome, e em teu nome não expelimos demônios, e em teu nome não fizemos muitos milagres? Então, lhes direi explicitamente: nunca vos conheci. Apartai-vos de mim, os que praticais a iniqüidade." (Mateus 7.21-23)
Embora essas pessoas profetizassem, expulsassem demônios e fizessem "muitos milagres" em Nome de Jesus, a capacidade de fazer tais obras não garantia que eram cristãs. Diz Jesus: "Nunca vos conheci". Não diz: "Eu vos conheci um dia, mas já não vos conheço" nem "Eu vos conheci um dia, mas vos afastastes de mim", e sim: "Nunca vos conheci". Nunca foram crentes de verdade.
Ensinamento semelhante se encontra na parábola do semeador em Marcos 4. Diz Jesus: "Outra caiu em solo rochoso, onde a terra era pouca, e logo nasceu, visto não ser profunda a terra. Saindo, porem, o Sol, a queimou; e, porque não tinha raiz, secou-se" (Mc 4.5-6). Jesus explica que a semente plantada em solo rochoso representa aqueles que "ouvindo a palavra, logo a recebem com alegria. Mas eles não têm raiz em si mesmos, sendo, antes, de pouca duração; em lhes chegando a angústia ou a perseguição por causa da palavra, logo se escandalizam" (Mc 4.16-17). O fato de eles não terem "raiz em si mesmos" indica que não avia fonte de vida dentro dessas plantas; do mesmo modo, as pessoas representadas por tais plantas não têm vida genuína em si. Exibem uma aparência de conversão e aparentemente se tornam cristas, pois aceitaram a palavra "com alegria", mas, quando vem a dificuldade, elas não são mais encontradas em lugar nenhum – a sua conversão aparente não foi genuína fé salvífica no seu coração.
A importância de persistir na fé é também confirmada na parábola de Jesus como videira, na qual os cristãos são retratados como ramos (Jo 15.1-7). Diz Jesus:
"Eu sou a videira verdadeira, e meu Pai é o agricultor. Todo ramo que, estando em mim, não der fruto, ele o corta; e todo o que dá fruto limpa, para que produza mais fruto ainda. Se alguém não permanecer em mim, será lançado fora, à semelhança do ramo, e secará; e o apanham, lançam no fogo e o queimam." (João 15.1,2,6)
Os arminianos alegam que os ramos que não dão fruto são ainda assim ramos genuínos da videira – Jesus fala de "todo ramo que, estando em mim, não der fruto" (v.2). Portanto, os ramos que são apanhados, lançados no fogo e queimados devem representar crentes autênticos que foram um dia parte da videira, mas caíram e ficaram sujeitos à condenação eterna. Mas essa questão não é uma implicação necessária do ensinamento de Jesus sobre essa questão. O símile da videira usado nessa parábola é limitado quanto ao volume de detalhes que pode dar. Na verdade, se Jesus quisesse ensinar que associados a ele havia crentes verdadeiros e falsos, e se quisesse usar a analogia da videira e seus ramos, então o único modo de se referir às pessoas que não tinham vida genuína em si seria falar de ramos que não dão fruto (lembrando a analogia das sementes que caíram no solo rochoso: "eles não têm raiz em si mesmos" [Mc 4.17]). Aqui em João 15, os ramos que não dão fruto, embora estejam de certo modo ligados a Jesus e exibam uma aparência de ramos legítimos, assim mesmo dão indicação da sua verdadeira condição pelo fato de não dar fruto. Isso é igualmente indicado pelo fato de a pessoa "não permanecer" em Cristo (Jo 15.6) e ser lançada fora para secar como ramo arrancado da videira. Se tentamos esticar a analogia um pouco mais, dizendo – por exemplo – que todos os ramos de uma videira estão de fato vivos, senão nem estaria ali, então o que fazemos é estender a metáfora além daquilo que ela é capaz de ensinar – e nesse caso nada haveria na analogia que pudesse representar os falsos crentes. O objetivo da metáfora é simplesmente dizer que aqueles que dão fruto, dão, portanto, provas de que permanecem em Cristo; aqueles que não dão fruto, não permanecem nele.
Finalmente, há duas passagens de Hebreus que também afirmam que aqueles que acabam se afastando podem dar muitos sinais exteriores de conversão e parecer cristãos em muitos aspectos. A primeira delas, Hebreus 6.4-6, foi muitas vezes usada pelos arminianos como prova de que os crentes podem perder a salvação. Mas num exame mais detido essa interpretação não se revela convincente. Escreve o autor:
"É impossível, pois, que aqueles que uma vez foram iluminados, e provaram o dom celestial, e se tornaram participantes do Espírito Santo, e provaram a boa palavra de Deus e os poderes do mundo vindouro, e caíram, sim, é impossível outra vez renová-los para arrependimento, visto que, de novo, estão crucificando para si mesmos o Filho de Deus, e expondo-o à ignomínia." (Hebreus 6.4-6)
O autor continua com um exemplo extraído da agricultura:
"Porque a terra que absorve a chuva que freqüentemente cai sobre ela e produz erva útil para aqueles por quem é também cultivada recebe bênção da parte de Deus; mas, se produz espinhos e abrolhos, é rejeitada e perto está da maldição; e o seu fim é ser queimada." (Hebreus 6.7-8)
Nessa metáfora agrícola, os condenados no juízo final são comparados à terra que não produz vegetação ou fruto útil, mas só espinhos e abrolhos. Quando lembramos outras metáforas bíblicas em que o bom fruto é sinal de verdadeira vida espiritual e a ausência de frutos denuncia os falsos crentes (por exemplo: Mt 3.9-10; 7.15-20; 12.33-35), já temos uma indicação de que o autor está falando de pessoas cuja prova mais confiável da sua condição espiritual (o fruto que produzem) é negativa, sugerindo que o autor fala de pessoas que não são verdadeiramente cristãs.
Alguns já objetaram que a longa descrição de coisas que aconteceram a essas pessoas que se afastaram significa que elas devem ter nascido de novo. Mas essa não é uma objeção convincente quando se examinam os termos usados. O autor diz que "uma vez foram iluminados" (Hb 6.4). Mas essa iluminação significa simplesmente que eles compreenderam as verdades acerca do Evangelho, não que tenham respondido a essas verdades com genuína fé salvífica.
Do mesmo modo, a expressão uma vez, usada para falar daqueles que "uma vez foram iluminados", traduz o termo grego hapax, que é usado, por exemplo, em Filipenses 4.6 (quando os filipenses enviam doações a Paulo "não somente uma vez, mas duas") e em Hebreus 9.7 (que fala da entrada no Santo dos Santos "uma vez por ano". Portanto, essa palavra não significa que algo acontece "uma vez" somente e não pode ser repetida, mas simplesmente que aconteceu uma vez, sem especificar se será ou não repetida.
O texto diz ainda que essas pessoas "provaram o dom celestial" e que "provaram a boa palavra de Deus e os poderes do mundo vindouro" (Hb 6.4-5). Inerente à idéia de provar é o fato de ser esse provar algo temporário e de a pessoa poder ou não decidir aceitar a coisa provada. Por exemplo, a mesma palavra grega (geuomai) é usada em Mateus 27.34 para dizer que aqueles que crucificaram Jesus "deram-lhe a beber vinho com fel; mas ele, provando-o, não o quis beber". A palavra também é usada em sentido figurado com o significado de "vir a conhecer algo". Se interpretamos a palavra nesse sentido figurado, como deve ser entendida aqui, pois a passagem não fala de provar comida de verdade, então isso significa que essas pessoas compreenderam o dom celestial (o que provavelmente significa que experimentaram parte do poder do Espírito Santo em ação) e conheceram parte da Palavra de Deus e parte dos poderes do mundo vindouro. Não significa necessariamente que tiveram (ou não) genuína fé salvífica, mas pode significar simplesmente que a compreenderam e tiveram alguma evidência do seu poder espiritual.
O texto também diz que essas pessoas "se tornaram participantes do Espírito Santo" (Hb 6.4). A questão é o significado exato da a palavra metochos, que é aqui traduzida como "participante" . Nem todos os leitores das traduções da Bíblia sabem que esse termo tem uma ampla gama de significados e pode sugerir participação e apego bem íntimos, ou então meramente uma associação mais tênue com a outra pessoa ou pessoas citadas. Por exemplo, o contexto mostra que Hebreus 3.14 torna-se participante de Cristo significa ter uma participação bem íntima com ele numa relação salvífica. Por outro lado, a palavra metochos pode também ser usada num sentido muito mais livre, referindo-se meramente a associados ou companheiros. Lemos que quando os discípulos pegaram grandes quantidades de peixes, a ponto de as redes estarem já se rompendo, "fizerem sinais aos companheiros do outro barco, para que fossem ajudá-los" (Lc 5.7). Aqui, o termo define os que eram meramente parceiros ou companheiros de Pedro e dos outros discípulos na pesca. Efésios 5.7 usa uma palavra muito próxima (symmetochos, composta de metochos e da preposição syn ["com]) quando Paulo exorta os cristãos a ficar atentos aos atos pecaminosos dos descrentes: "... Não sejais participantes com eles" (Ef 5.7). Ele não está preocupado com a possibilidade de a própria natureza deles se transformar pelo contato com os descrentes, mas simplesmente com a hipótese de o testemunho deles ficar comprometido, de a própria vida deles vir a ser influenciada pelos descrentes.
Por analogia, Hebreus 6.4-6 fala das pessoas que "se associaram ao" Espírito Santo e que, portanto, tiveram a vida influenciada por ele, mas isso não implica que eles vivenciaram a obra redentora do Espírito Santo, nem que foram regenerados. Aplicando analogia semelhante ao exemplo dos companheiros de pesca de Lucas 5.7, Pedro e os discípulos poderiam estar associados a eles e até ser influenciados por eles, sem sofrer uma completa mudança de vida por conta dessa associação. A própria palavra metochos possibilita uma gama de influencia que vai da razoavelmente fraca à razoavelmente forte, pois significa somente "aquele que participa de, partilha de ou acompanha alguém numa atividade". Foi aparentemente isso que aconteceu a essas pessoas mencionadas em Hebreus 6, que participaram da igreja e portanto tiveram contato com a obra do Espírito Santo, sendo sem dúvida nenhuma influenciados por ele de algum modo.
Por outro lado, diz o texto que é impossível renovar "para arrependimento" as pessoas que experimentaram essas coisas e depois cometeram apostasia. Alguns já argumentaram que se esse é um arrependimento ao qual elas precisam ser renovadas, então deve ser um arrependimento autêntico. Mas isso não é necessariamente verdadeiro. Primeiro, é preciso que esse "arrependimento" (gr. metanoia) não implica necessariamente arrependimento íntimo do coração para a salvação. Por exemplo, Hebreus 12.17 usa essa palavra para falar da mudança de idéia que fez Esaú buscar desfazer a venda do seu direito de primogenitura e refere-se a ela com o termo "arrependimento" (metanoia). Esse não seria um arrependimento para salvação, mas simplesmente uma mudança de idéia e o cancelamento da venda do direito de primogenitura. (Repare também o exemplo do arrependimento de Judas, em Mateus 27.3 – conquanto com uma palavra grega distinta.)
O verbo cognato "arrepender-se" (gr. metanoeó) é às vezes usado para indicar não arrependimento salvífico, mas meramente pesar por ofensas individuais, em Lucas 17.3-4: "Se teu irmão pecar contra ti, repreende-o; se ele se arrepender, perdoa-lhe. Se, por sete vezes no dia, pecar contra ti e, sete vezes, vier ter contigo, dizendo: Estou arrependido, perdoa-lhe". Concluímos que "arrependimento" significa simplesmente pesar por atos realizados ou pecados cometidos. Nem sempre será possível dizer se é ou não genuíno arrependimento salvífico, "arrependimento para salvação". O autor de Hebreus não se preocupa em especificar se se trata ou não de arrependimento genuíno. Diz simplesmente que se alguém sente pesar pelo pecado, compreende o Evangelho e experimenta as várias bênçãos da obra do Espírito Santo (se dúvida em comunhão com a igreja), mas depois se afasta, não será possível restaurar tal pessoa novamente a uma atitude de pesar pelo pecado. Mas isso não implica que o arrependimento foi genuíno arrependimento salvífico.
A esta altura podemos perguntar que tipo de pessoa se define com todos esses termos. São sem dúvida pessoas que estiveram intimamente ligadas à comunhão da igreja. Sentiram algum pesar pelo pecado (arrependimento) . Compreenderam claramente o Evangelho (foram iluminadas). Apreciaram os atrativos da vida cristã e a mudança que acontece na vida das pessoas quando se tornam cristãs, e provavelmente foram atendidas nas suas orações e sentiram o poder do Espírito Santo em ação, talvez até usando alguns dons espirituais, como os descrentes de Mateus 7.22 ("uniram-se" à obra do Espírito Santo, ou se tornaram "participantes" do Espírito Santo e provaram o dom celestial e os poderes do mundo vindouro). Ouviram a verdadeira pregação da Palavra e apreciaram muitos dos seus ensinamentos (provaram a bondade da Palavra de Deus).
Mas, depois, apesar de tudo isso, se "caíram [...] crucificando para si mesmos o Filho de Deus e expondo-o à ignomínia" (Hb 6.6), então rejeitaram deliberadamente todas essas bênçãos e se voltaram decididamente contra elas. É possível que todos conheçamos (às vezes pela sua própria confissão) pessoas que estão há muito tempo na comunhão da igreja sem ser cristãs nascidas de novo. Há muito tempo ponderam o Evangelho, mas continuam a resistir ao chamado do Espírito Santo, talvez por causa da relutância em entregar a sua soberania a Jesus, preferindo apegar-se a si mesmas.
Ora, o autor nos diz que se essas pessoas deliberadamente rejeitam todas essas bênçãos temporárias, então é impossível renová-las para algum tipo de arrependimento ou pesar pelo pecado. O seu coração estará endurecido, a sua consciência, insensível. Que mais se poderia fazer para trazê-las à salvação? Se lhes dissermos que a Bíblia é a verdade, elas dirão que já a conhecem, mas que resolveram rejeitá-la. Se lhes dissermos que Deus atende a oração e transforma a vida do crente, elas responderão que também já sabem disso, mas que não querem nada disso. Se lhes dissermos que o Espírito Santo tem poder para agir nas pessoas e que o dom da vida eterna é indescritivelmente bom, elas dirão que compreendem, mas não querem nada disso. A sua constante familiaridade com as coisas de Deus e a forte influencia do Espírito Santo só serviu para endurecê-las contra a conversão.
Ora, o autor de Hebreus sabe que na comunidade à qual ele escreve há alguns em perigo de cair dessa maneira (ver Hb 2.3; 3.8,12,14015; 4.1,7,11; 10.26,29,35- 36,38-39; 12.3,15-17). Ele quer alertá-los de que, embora tenham participado da comunhão da igreja e experimentado várias bênçãos divinas, ainda assim, se caírem depois de tudo isso não haverá salvação para eles. Isso não implica que ele pense que os verdadeiros cristãos possam se perder – Hebreus 3.14 implica bem o contrário. Mas ele quer que essas pessoas alcancem a certeza da salvação mediante a persistência na fé, e, portanto, sugere que, se vierem a cair, isso mostraria que jamais foram pessoas de Cristo (ver Hb 3.6: "...mas Cristo é fiel como filho sobre a casa de Deus; e esta casa somos nós, se nos apegarmos firmemente à confiança e à esperança da qual nos gloriamos). Portanto o autor quer fazer um grave alerta àqueles em perigo de cair da fé cristã. Ele quer usar a linguagem mais forte possível para dizer: "Vejam aqui até onde a pessoa pode chegar na experiência das bênçãos temporárias, sem no entanto realmente estar salvas". Ele os exorta a vigiar, pois não basta depender de bênçãos e experiências temporárias. Para isso, ele fala não de uma verdadeira mudança no coração ou de algum bom fruto, mas simplesmente das bênçãos e experiências temporárias que essas pessoas tiveram e que lhes deram uma compreensão parcial do Cristianismo.
Por essa razão, ele imediatamente passa da descrição desses que cometem apostasia a outra analogia que mostra que tais pessoas que se afastam jamais deram fruto autêntico. Como já explicamos acima, os versículos 7-8 falam dessas pessoas usando a metáfora dos "espinhos e abrolhos", tipo de frutos que nascem no solo que não tem em si vida prestável, ainda que receba repetidas bênçãos de Deus (nos termos da analogia, ainda que a chuva freqüentemente o regue). Convém notar aqui que as pessoas que cometem apostasia não são comparadas a um campo que um dia deu bom fruto e agora já não dá, mas sim a uma terra que jamais deu bom fruto, porém apenas espinhos e abrolhos. A terra pode parecer boa antes do surgimento dos brotos, mas o fruto dá a prova incontestável de que a terra é ruim.
Forte apoio a essa interpretação de Hebreus 6.4-8 se encontra no versículo imediatamente seguinte. Embora o autor venha falando com muita dureza sobre a possibilidade de apostasia, ele agora volta a falar da situação da grande maioria dos leitores, que ele julga serem cristãos de verdade. Diz: "Quanto a vós outros, todavia, ó amados, estamos persuadidos das coisas que são melhores e pertencentes à salvação, ainda que falamos desta maneira" (Hb 6.9). Mas a questão é: "coisas que são melhores" que o quê? O plural "coisas que são melhores" forma um contraste apropriado com "boas coisas" mencionadas nos versículos 4-6: o autor está convencido de que a maioria dos seus leitores experimentou coisas melhores que as meras influências parciais e temporárias do Espírito Santo e da igreja, mencionadas nos versículos 4-6.
De fato, o autor fala dessas coisas dizendo (literalmente) que se trata de "coisas que são melhores e pertencentes à salvação" (gr. kai echomena sótérias). Essas não são somente as bênçãos temporárias mencionadas nos versículos 4-6, mas coisas melhores, coisas que não têm somente influência temporária, mas que são também "pertencentes à salvação". Assim, a palavra grega kai ("também") mostra que a salvação é algo que não fazia parte das coisas mencionadas nos versículos 4-6 acima. Portanto, a palavra kai, que não é traduzida explicitamente nas versões RSV e NVI (mas a NASB chega perto), proporciona uma chave vital à compreensão da passagem. Se o autor quisesse dizer que as pessoas mencionadas nos versículos 4-6 estavam realmente salvas, então seria muito difícil compreender por que ele diria no versículo 9 que estava persuadido de coisas que são melhores para elas, coisas pertencentes à salvação, ou que carregam em si a salvação além das coisas mencionadas acima. Ele assim mostra que, se quiser, pode usar uma curta expressão para dizer que as pessoas "têm salvação" (ele não precisa enfileirar muitas expressões) e mostra, além do mais, que as pessoas de quem fala nos versículos 4-6 não estão salvas.
O que são exatamente essas "coisas que são melhores"? Além da salvação mencionada no versículo 9, são coisas que dão real prova de salvação – fruto genuíno (v. 10), plena certeza de esperança (v. 11) e fé salvífica, do tipo exibido por aqueles que herdam as promessas (v. 12). Dessa forma ele tranqüiliza os verdadeiros crentes – aqueles que dão fruto e demonstram amor pelos outros cristãos, que exibem esperança e fé genuína que perdura até o tempo presente, e que não estão prestes a se perder. Ele quer tranqüilizar esses leitores (que certamente são a maioria), ao mesmo tempo lançando um forte alerta aos que dentre eles possam estar em perigo de perdição.
Ensinamento semelhante se encontra em Hebreus 10.26-31. Ali diz o autor: "Se vivermos deliberadamente em pecado, depois de termos recebido o pleno conhecimento da verdade, já não resta mais sacrifício pelos pecados" (v. 26). A pessoa que rejeita a salvação de Cristo e que "profanou o sangue da aliança com o qual foi santificado" (v. 29) merece castigo eterno. Isso, novamente, é um grave alerta contra a apostasia, mas não deve ser tomado como prova de que alguém que verdadeiramente nasceu de novo possa perder a salvação. Quando o autor fala sobre o sangue da aliança "com o qual foi santificado", a palavra santificado é usada simplesmente para denotar a santificação exterior, como a dos antigos israelitas, por uma ligação exterior com o povo de Deus. A passagem não fala de alguém genuinamente salvo, mas de alguém que recebeu alguma influencia moral benéfica mediante o contato com a igreja.
Outra passagem, esta dos escritos de João, é usada para sustentar a possibilidade da perda da salvação. Em Apocalipse 3.5, diz Jesus: "O vencedor será assim vestido de vestiduras brancas, e de modo nenhum apagarei o seu nome do Livro da Vida". Alguns sustentam que, dizendo isso, Jesus sugere que é possível que ele venha a apagar os nomes de algumas pessoas do Livro da Vida, pessoas que já tinham seus nomes escritos ali e que portanto já estavam salvas. Mas o fato de Jesus afirmar enfaticamente que não fará algo não pode ser usado para pregar que fará a mesma coisa nos outros casos! O mesmo tipo de construção grega é usada para exprimir uma negação enfática em João 10.28, onde Jesus diz: "Eu lhes dou a vida eterna; jamais perecerão". Isso não significa que algumas das ovelhas de Jesus não ouvem a sua voz nem o seguem, e por isso perecerão; afirma simplesmente que as suas ovelhas com certeza não perecerão. Do mesmo modo, quando Deus diz – "De maneira alguma te deixarei, nunca jamais te abandonarei" (Hb 13.5) – não sugere que deixará ou abandonará outras pessoas; apenas declara enfaticamente que não deixará nem abandonará o seu povo. Ou, numa analogia ainda mais próxima, de Mateus 12.32, Jesus diz: "Se alguém falar contra o Espírito Santo, não lhe será isso perdoado, nem neste mundo nem no porvir". Isso não significa que alguns pecados serão perdoados no porvir (como alegam os católicos romanos para sustentar a doutrina do purgatório) – isso não passa de um erro de raciocínio: dizer que algo não irá acontecer no porvir não implica que pode acontecer no porvir! Do mesmo modo, Apocalipse 3.5 é apenas uma firme garantia de que aqueles que estiverem trajando vestes brancas e que permanecerem fieis a Cristo não terão os seus nomes apagados do Livro da Vida.
Finalmente, certa passagem do Antigo Testamento é muitas vezes usada para argumentar que as pessoas podem perder a sua salvação: a história do Espírito Santo que se aparta do rei Saul. Mas Saul não deve ser tido como exemplo de ninguém que perdeu a salvação, pois o "Espírito do Senhor" se retirou de Saul (1 Sm 16.14) imediatamente depois de Samuel ter ungido Davi rei, ocasião em que o "Espírito do Senhor se apossou de Davi" (1 Sm 16.13). na verdade, a descida do Espírito do Senhor até Davi é relatada no versículo imediatamente anterior àquele em que se narra que o Espírito saiu de Saul. Esse vínculo estreito significa que a Bíblia não fala aqui de perda total da obra do Espírito Santo na vida de Saul, mas simplesmente do afastamento do Espírito Santo como meio de consagrar Saul como rei. Porém isso não significa que Saul foi condenado por toda a eternidade. É simplesmente muito difícil dizer com base nas páginas do Antigo Testamento se Saul, ao longo de sua vida, foi (a) um homem não regenerado que tinha liderança e foi usado por Deus como demonstração do fato de que alguém digno de ser rei aos olhos do mundo não era só por isso apto para ser rei do povo do Senhor, ou (b) um homem regenerado, mas falto de entendimento, levando uma vida que cada vez mais se afastava do Senhor.
[Título original: "Aqueles Que Acabam Se Afastando Podem Dar Muitos Sinais Exteriores de Conversão"]
Fonte: Wayne Grudem. Teologia Sistemática. 1ª Edição. São Paulo, Edições Vida Nova, 1999. pp. 664-671.
80 Razões Pelas Quais o Crente Não Pode Perder a Salvação
por
Autor Desconhecido

01. Gênesis 7:16 - Sendo a arca um tipo de Cristo (IPe.3:20,21; Rm.3:6:4), o crente está seguro nele (Cl.3:3; Ap.3:7).
02. Efésios 4:30 - O crente está selado no Espirito Santo (Ef.1:13; IITm.2:19), e este selo é inviolável e irrevogável (Es.8:8; Dn.6:12).
03. II Coríntios 1:22 - O crente tem o penhor do Espirito Santo como garantia segura e inabalável (IICo.5:5).
04. Gálatas 3:15 - Deus fez com o crente, na pessoa de Abraão (Gl.3:29), uma aliança irrevogável.
05. I Coríntios 11:25 - Deus fez com o crente, na pessoa de Abraão, uma aliança incondicional, selada com sangue (Jr.34:18, 19; Gn.15:12-21) , e não com sapato (Rt.4:7,8) ou com sal (Nm.18:19; Lv.2:13).
06. Gênesis 15:12 - Deus fez com o crente, na pessoa de Abraão, uma aliança unilateral (o rompimento da aliança só seria possível se Deus morresse).
07. Jeremias 31:31-33 - Mediante a nova aliança (com sangue), o temor do Senhor é insuflado no coração do crente (Jr.32:39,40) para que não se aparte de Deus (Hb.3:12;8:8- 13; Ez.36:26,27) .
08. Salmos 12:7 - O crente é guardado por Deus, do mal que há no mundo.
09. Salmos 17:8 - O crente é guardado por Deus como a menina dos Seus olhos.
10. Salmos 25:20 - A alma do crente é guardado por Deus (Sl.97:10).
11. Salmos 37:28 - O crente é preservado para sempre.
12. Salmos 12l:5-8 - O Senhor guarda o crente; guarda a sua alma de todo o mal; guarda a sua saída; guarda a sua entrada; e o guarda para sempre.
13. Salmos 145:20 - O Senhor guarda os crentes que O amam.
14. Jeremias 31:3 - O amor de Deus para com o crente é eterno.
15. Jó 5:19 - O crente é guardado do mal (Sl.91: Jo.17:9-26).
16. I João 5:18 - O crente é guardado do maligno (IITs.3:3; Jr.31:11).
17. Judas 24 - O crente é guardado para não tropeçar (ISm.2:9; Is.63:13).
18. João 11:9 - A fé do crente não lhe permite tropeçar (Rm.9:31-33) .
19. Provérbios 10:25 - O crente tem perpétuo fundamento (IITm.2:19; ICo.3:11).
20. I Pedro 1:5 - O crente é guardado pela fé no poder de Deus.
21. Hebreus 12:2 - Jesus é o Autor da fé, e por isso, o crente não pode perdê-la (Fp.1:29; ICo.3:5; At.18:27; Gl.5:22; IITs.3:2).
22. Romanos 16:25 - O crente é guardado pelo poder de Deus (IITm.1:12; Jd.24).
23. Hebreus 6:17 - A salvação do crente se fundamenta em duas coisas imutáveis: a) a promessa (Js.21:45; At.13:32; IICo.1:20; Ef.3:6; Hb.9:14,15;10: 23; IJo.2:25); b) o juramento (Hb.6:16). Só a promessa, sem o juramento já era em si mesma suficiente, mas Deus querendo mostrar a imutabilidade daquilo que Ele decretou, foi além da promessa, fazendo juramento. E Deus foi ainda mais além quando jurou pelo Seu próprio nome, porque não havia outro nome superior ao Seu (Hb.6:13,16; Jr.44:26;Nm. 23:19).
24. Salmos 37:33 - O crente jamais será condenado (Sl.89:30-35; ICo.11:32).
25. Salmos 37:23,24 - Se o crente cair, não ficará prostrado (Sl.145:14; Pv.24:16; Jó 4:4; Rm.14:4;Mq.7: 8).
26. Salmos 121:3 - O crente pode cair da graça (Gl.5:4), mas jamais cairá para a perdição (Sl.17:5;66: 9).
27. Isaías 46:3,4 - O crente é conduzido por Deus até o fim (Sl.121:8).
28. I Coríntios 10:13 - A tentação não pode condenar o crente (Rm.6:14,18; IIPe.2:9).
29. João 4:14 - O crente jamais terá sede (Lc.16:24).
30. João 5:24 - O crente já passou da morte para a vida.
31. Romanos 6:8,9 - O crente já morreu com Cristo (IITm.2:11).
32. I Pedro 1:3,4 - O crente foi regenerado para uma viva esperança.
33. I Pedro 1:23 - O crente foi regenerado pela Palavra de Deus.
34. I João 3:9 - O crente foi regenerado pelo Espirito Santo (Jo.3:5; Tt.3:5).
35. João 6:37-40 - O crente jamais será lançado fora.
36. João 6:47 - O crente já possui a vida eterna (IJo.5:11-13; ITm.6:12).
37. João 10:28 - O crente não pode ser arrancado da mão do Filho.
38. João 10:29 - O crente não pode ser arrancado da mão do Pai.
39. Lucas 15:3-10 - Há alegria no céu por um pecador que se arrepende.
40. João 10:27 - O crente é conhecido do Senhor (Jo.10:14; IITm.2:19; ICo.8:3; Gl.4:9; Mt.7:21-23).
41. Mateus 28:20 - Jesus está com o crente todos os dias até o fim dos séculos.
42. Romanos 8:1 - Nenhuma condenação há para o crente (Rm.8:33,34) .
43. Romanos 8:30 - Sendo justificado, o crente também será glorificado.
44. Romanos 8:28 - Todas as coisas cooperam para o bem do crente (Gn.50:20).
45. Romanos 8:35-39 - Nada poderá separar o crente do amor de Deus (Jo.13:1).
46. I Coríntios 3:15 - O crente infiel será salvo como pelo fogo (ICo.5:1-5;11: 29-32).
47. I Coríntios 1:8 - O crente será confirmado até o fim (Rm.16:25; IITs.3:3).
48. Filipenses 1:6 - Deus mesmo terminará a obra no crente (Fp.2:13).
49. Colossenses 3:3 - A vida do crente está escondida com Cristo em Deus.
50. Efésios 5:27 - A igreja será sempre irrepreensível (IICo.11:2; ICo.12:26,27) .
51. I Tessalonicenses 5:1-10 - O crente não será surpreendido na vinda do Senhor.
52. II Timóteo 2:13 - O crente infiel será salvo pela fidelidade de Deus (Rm.3:3).
53. Hebreus 13:5 - O crente jamais será abandonado por Deus.
54. I João 5:1 - O crente é nascido de Deus, e não pode "desnascer"
55. I Pedro 1:4 - O crente possui a natureza divina.
56. Romanos 8:9-11 - O crente é propriedade de Cristo (ICo.6:19,20) .
57. I Tessalonicenses 5:23,24 - O crente é conservado irrepreensível.
58. I João 5:16 - O crente não pode pecar para a morte eterna (IJo.3:9;5:18) .
59. I Coríntios 12:3 - O crente não pode blasfemar contra o Espírito Santo (Mt.12:32; Mc.9:39,40;Lc. 11:23; IJo.5:10; Jo.3:33).
60. I João 2:19 - O crente é perseverante na fé (Mt.10:22;24: 13; IIJo.9; Ap.13:10;14: 12).
61. João 10:26 - O crente é ovelha e não porca lavada (IIPe.2:20-22) .
62. João 13:10 - O crente já está limpo do seu pecado (Jo.15:3).
63. I Coríntios 1:30 - Cristo é a justiça do crente.
64. I Coríntios 1:30 - Cristo é a santificação do crente.
65. I Coríntios 1:30 - Cristo é a redenção do crente.
66. Salmos 25:20 - Deus é o refúgio do crente (Hb.6:18).
67. I João 2:22,23 - O crente não pode negar o filho (Mt.10:33; IITm.2:12).
68. Romanos 8:37 - O crente sempre será vencedor (Jo.16:33; Ap.2:7,11,17, 26;3:5,12, 21).
69. I João 5:4 - O crente vence o mundo.
70. I João 2:14 - O crente vence o diabo (IJo.4:4; Ap.12:11).
71. Romanos 6:14 - O crente vence o pecado (a carne).
72. Romanos 11:29 - O dom de Deus é irrevogável.
73. João 19:30 - Todo o pecado do crente está consumado.
74. Gálatas 3:13 - O crente foi resgatado para sempre da maldição da lei.
75. Apocalipse 5:9 - O crente foi comprado com sangue (ICo.6:20;7: 23; IPe.1:18,19) .
76. Salmos 90:17 - É Deus quem efetua a obra no crente (Jo.3:21; Ef.3:20; Is.26:12;64: 4; Fp.2:13).
77. João 17:20 - Cristo intercedeu pelos crentes, e continua intercedendo (Hb.7:25; IJo.2:1; Rm.8:34).
78. Romanos 8:26,27 - O Espírito Santo intercede pelo crente.
79. II Coríntios 1:20 - Jesus é o "Amém" das promessas de Deus (Jo.6:47).
80. I Pedro 4:1 - O crente já cessou do pecado (Rm.6:14; IJo.3:9).-- Márcio Melânia

Certitudo Salutis: A Certeza da Salvação

por
Oslei Nascimento
 
1. Definições e comentários introdutórios.

Por mais incrível que possa parecer, trabalhar sobre o tema certeza da salvação não é uma tarefa das mais fáceis! Quando o Dr. Augustus Nicodemus Lopes [1] palestrou e escreveu sobre a certeza da salvação a partir do conceito puritano, alertou seus ouvintes e leitores acerca do aspecto estritamente doutrinário do assunto e pediu a maior atenção possível, buscando obter atenção dobrada. Entendemos que, para ele, dissertar sobre essa segurança seria um trabalho delicado, ainda mais dentro do conceito puritano. A dificuldade surge da variedade de interpretações que este tema recebe das teologias: católica e reformada, com seus argumentos fundamentados em textos bíblicos que os comprovam. Assim, se já é difícil compreender a certeza da salvação plenamente, quanto mais defini-la!

Nem todos os autores e estudiosos preocupam-se em definir certeza da salvação. Alguns comentam, explicam, avaliam e comparam, mas não definem - como Pearlman e Chafer, por exemplo. É claro que outros, não apenas fazem o mesmo, mas também definem: a Enciclopédia Histórico-Teoló gica da Igreja Cristã define a certeza da salvação como "a confiança do crente em Cristo de que ele, a despeito da sua condição pecaminosa mortal, é, de forma irrevogável, um filho de Deus e um herdeiro do céu" [2], afirmando que esta convicção pode ser experimentada por todo cristão, haja visto que, o próprio Deus lhe dá esta certeza.
Já Murray, por sua vez, a define assim: "Quando falamos de certeza da fé nos referimos à certeza nutrida por um crente que está em estado de graça e salvação, o conhecimento que ele tem de que está salvo, passou da morte para a vida e tornou-se possuidor da vida eterna e de uma herança na glória". [3] Geoffrey define-a de maneira muito simples e agradável. A segurança da salvação é aquela que o crente possui e lhe dá a certeza de que é um crente e que o capacita a dizer "eu sei que meus pecados estão perdoados; eu sei que vou para o céu; eu sei porque...", e dá as razões. [4]

2. A certeza da salvação e o ato primário da fé.

Em seu Dicionário de Teologia, o assembleiano Andrade [5] colocou a frase em latim "Certitudo et gratiae praesentis et salutis aeternae" que significa a certeza da graça presente e da salvação eterna. E concluiu, destacando que a segurança da salvação deriva da justificação pela fé. Apresenta uma discordância, neste ponto, do conceito puritano, já que os reformadores, especialmente Lutero, associavam a certeza da salvação diretamente à justificação; enquanto que os puritanos, sob a influência de Theodore Beza, criam a certeza da salvação estar ligada à santificação. Ser salvo pela graça (o que está realmente ligado à justificação), não é a mesma coisa que ter certeza da salvação (derivada da santificação).

A maioria dos autores que cito, afirmam que há uma óbvia distinção entre a certeza da salvação e aquilo que é chamado ato primário da fé. O primário e direto ato da fé não é a crença de que somos salvos e somos herdeiros da glória eterna, mas sim, um ato de confiança a Cristo, graciosamente oferecido a nós no evangelho, no qual podemos ser salvos. O primeiro ato de salvação é crer em Cristo para a salvação, a certeza da fé é a convicção de que a salvação é nossa. Desde que a certeza da salvação ou segurança da fé é logicamente conseqüência ou reflexo do reconhecimento de Jesus Cristo como Salvador e Senhor, então não pode ser a essência deste primeiro ato de fé (esta certeza é chamada, portanto, de ato reflexo da fé).

Assim, sobre o sentido mais específico desta fé salvadora, Louis Berkhof, explica: "Há certas doutrinas concernentes a Cristo e Sua obra, e certas promessas feitas nele aos pecadores, que o crente aceita confiadamente e que o induzem a depositar em Cristo a sua confiança. Em resumo, o objeto da fé salvadora é Jesus Cristo e a promessa de salvação nEle". [6]

Berkhof, também afirma que o ato especial da fé salvadora consiste em receber Cristo e repousa nele como ele é apresentado no evangelho, conforme Jo 3:16-18: "Porque Deus amou ao mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna. Por quanto Deus enviou o seu Filho ao mundo, não para que julgasse o mundo, mas para que o mundo fosse salvo por ele. Quem nele crê não é julgado; o que não crê já está julgado, porquanto não crê no nome do unigênito Filho de Deus" (Almeida, RA).

Mas isto não significa, entretanto, que este primário ato, de receber Jesus pela fé, deva ser entendido como sempre separado cronologicamente da certeza da salvação. É possível uma pessoa ser absolutamente salva sem saber ou ter certeza disso – mas ser salva! Por outro lado, esta convicção pode ser introduzida no ato da fé salvadora e ser instantaneamente registrada na consciência do crente.

Então, entende-se que uma pessoa pode receber Cristo através da fé salvadora e imediatamente ter impressa em sua consciência a certeza da salvação; outra pode também receber Cristo pela fé salvadora e levar algum tempo até que adquira a certeza da salvação e outra, ainda, pode ser sinceramente convertida a Cristo, mas não ter a certeza de que é salva – às vezes, até por não saber disso!

3. A certeza da salvação e a Confissão de Fé de Westminster.

É Geoffrey [7] quem afirma, portanto, categoricamente, que a segurança da salvação não é essencial para a fé salvadora. Conforme sua explicação, a pessoa pode ser uma cristã e não ter certeza, pode estar realmente salva, mas ter dúvidas. São descritas como crentes sinceros que sentem falta de segurança, duvidam da sua própria salvação. Refletem em seu caráter e personalidade a mansidão que o Senhor Jesus ordenou que aprendêssemos com ele e, demonstram a ação da graça em suas vidas, mas não têm qualquer convicção de serem salvos; embora tenham a certeza de que são crentes. Dessa forma, afirma que a segurança de salvação não é um fator primordial para que a fé salvadora esteja presente.

Robert Shaw concorda com Geoffrey em sua obra "The Reformed Faith" – ao explicar que a Confissão de Fé de Westminster sustenta estes argumentos quanto a certeza da salvação durante ou imediatamente após, ou não, da conversão a Cristo. Conforme este autor, tem sido ensinado por alguns, que qualquer um que crê em Cristo deve estar imediatamente consciente e convicto de sua salvação e que esta conscientizaçã o é a primeira evidência de que alguém esteja justificado.

Curiosamente, a Confissão de Fé faz completo silêncio quanto a veracidade desta evidência, informa Shaw. Ou ainda, ela claramente indica que esta conscientizaçã o é, de alguma forma, absolutamente inseparável da fé verdadeira. Esta conscientizaçã o, que podemos chamar, como já mencionamos anteriormente, de ato reflexo da fé, o conhecimento de que se tem crido e surge de reflexão, é sucessora do ato primário – ou primeiro – da fé, da conversão a Jesus Cristo.

Assim, determinando tudo aquilo que já foi discutido anteriormente, se a certeza da salvação é indispensável para a própria salvação e, se ela vem imediatamente após ou não o reconhecimento de Jesus Cristo como Salvador, Shaw explica que a Confissão de Fé de Westminster não considera essencial a segurança da salvação e graça à fé salvadora. E que, dessa forma, a Confissão admite também que uma pessoa pode crer em Cristo, e pode ser justificada por sua fé antes de obter a certeza de que está neste estado, justificada.

Certeza da salvação e justificação caminham muito próximas uma da outra. Acreditamos que, da mesma maneira que muitas pessoas têm grande dificuldade em experimentar da segurança da fé, assim também em compreender o processo da justificação e seus benefícios espirituais. .. muito provavelmente porque – talvez semelhantemente à certeza – ele não suscita sentimentos que identifiquem uma transformação interior. Antes, exige a fé mais pura e simples de que o fato se deu nos céus. O teólogo inglês J. I. Packer esclarece isto ao afirmar que: "A justificação é uma decisão jurídica conferida ao homem e não uma obra operada no interior do homem; é a dádiva divina de uma posição e de um relacionamento para com Deus e não de um coração novo. Não há dúvida que Deus regenera aqueles a quem justifica, mas essas são duas coisas distintas". [8]

Podemos concluir, portanto, que a certeza da salvação e seus benefícios podem ser experimentados e desfrutados por todo aquele que crê em Jesus Cristo como Filho de Deus, Salvador; mas, ainda assim, já que esta segurança não é indispensável para a fé salvadora, alguém pode crer em Cristo e pode não estar imediatamente consciente de que tem verdadeiramente crido para a salvação de sua alma. Nisto podemos contemplar a maravilhosa e soberana graça de Deus.

4. Bases neotestamentá rias.

É possível experimentarmos a plena certeza da salvação pelo simples testemunho de vida dos personagens bíblicos, tão conhecidos de todos nós. Tanto no Velho quanto no Novo Testamento encontramo-los vivendo impressionantes experiências, conseqüentes da alegria e esperança que depositavam em Deus. Teria Abraão abandonado sua terra e parentela para aquela terra que Deus lhe mostraria e, depois, ainda ter-se-ia permitido todas aquelas provas de fé se não cresse na fidelidade de Deus? Poderia Moisés aceitar o desafio de Deus de libertar o povo hebreu da escravidão no Egito e, viver todas aquelas aventuras se ele mesmo, não estivesse certo de que Deus seria fiel e cumpriria suas promessas?

Tanto nos evangelhos, quanto nas cartas paulinas e gerais podemos encontrar relatos de cristãos convictos de sua salvação, alegres por causa disso e da certeza do amor de Deus por eles. Caso não estivesse absolutamente certo de todas estas coisas, poderia o apóstolo Paulo ter escrito: "Ele me amou e a si mesmo se entregou por mim" (Gl 2:20b)? Ou "Nada nos separará do amor de Deus que está em Cristo Jesus, nosso Senhor" (Rm 8:39b)? Caso este dedicado servo de Deus não estivesse convicto de sua salvação poderia ele testemunhar tão poderosamente, ao escrever da prisão: "Combati o bom combate, completei a carreira, guardei a fé. Já agora a coroa da justiça me está guardada, a qual o Senhor, reto juiz, me dará naquele dia..." (2 Tm 4:7-8a)?

Também o evangelista João confirma: "Nós sabemos que já passamos da morte para a vida..." (1vJo 3:14a), repetindo palavras que ele próprio ouviu Jesus pronunciar: "... quem ouve a minha palavra e crê naquele que me enviou tem a vida eterna, não entra em juízo, mas passou da morte para a vida" (Jo 5:24).

Temos, portanto, na Bíblia Sagrada, o registro do testemunho de centenas de vidas que servem como exemplo e estímulo para também nós cultivarmos em nossas vidas a segurança da salvação. O Dicionário Evangélico de Teologia confirma o que já vimos: "A doutrina da segurança espiritual é largamente ensinada no Novo Testamento, particularmente por Paulo, João e o autor de Hebreus". [9]

Se a vontade do Pai é que creiamos em seu Filho e, dessa forma, tenhamos vida eterna nEle, então não importa se nossa fé é fraca ou forte; importa que é fé depositada em Cristo, então é fé salvadora. Confiar em Cristo como Salvador, é fazer a vontade do Pai, portanto, se assim procedermos, podemos crer que estamos salvos! A obediência aos mandamentos de Deus ministra à nossa própria certeza o favor de Deus e a esperança da vida eterna.

5. Fundamentos espirituais.

Examinando o ensino bíblico descobriremos que, a segurança da salvação tem dois fundamentos (ou bases), um objetivo e outro subjetivo. Primeiro, fundamentado na autoridade objetiva da Palavra de Deus, o crente pode saber que foi escolhido desde a fundação do mundo e que Cristo já o justificou plenamente. Objetivamente, a certeza da salvação, portanto, não repousa sobre experiências emocionais, mas sobre a autoridade do testemunho da obra salvífica de Cristo. Por outro lado, subjetivamente, esta segurança envolve também a convicção pessoal criada pelo Espírito Santo no coração dos pecadores, de que foram perdoados, foram adotados na família de Deus como filhos amados e que pertencem a ele para sempre.

Estes dois fundamentos podem ser percebidos através das evidências que a maioria dos autores pesquisados mencionam, as quais vamos tratar a partir de agora: primeiro, os meios mais comuns que a graça propõe; segundo, o alicerce da Palavra de Deus; terceiro, a ministração do Espírito de adoção.

Podemos alcançar a convicção de nossa salvação pelos meios mais simples que a graça propõe. Podemos nos deixar convencer pelas evidências que o próprio Deus nos dá. O cultivo do hábito constante da oração, o louvor a Deus por meio de um hino, a leitura devocional e o estudo da Bíblia, a prática do evangelismo. .. trazem a certeza para dentro do nosso coração.

Uma outra evidência que temos para a certeza da nossa salvação é a fidelidade de Deus revelada na Palavra. Quando Deus faz uma revelação incondicional de sua fidelidade, esperamos que nenhum de seus filhos enfrente dificuldade em crer naquilo que ele mesmo prometeu. Podemos mencionar as promessas contidas em João 3:16, 4:14, 10:28; Romanos 8:1; 1 João 5:12 e outras. Lembremo-nos de que, o Senhor vela sobre sua Palavra, para a cumprir (Jeremias 1:12) como Ele mesmo disse por meio do profeta: "... a palavra que eu falar se cumprirá..." (Ezequiel 12:25).

Por fim, o testemunho interior do Espírito Santo na vida do cristão, como o apóstolo Paulo aponta: "O próprio Espírito testifica com o nosso espírito que somos filhos de Deus" (Rm 8:16) e "E, porque vós sois filhos, enviou Deus ao nosso coração o Espírito de seu Filho, que clama: Aba, Pai!" (Gl 4:6). É uma segurança ministrada pelo Espírito de Adoção.

Um texto extraído da Internet traz uma interessante ilustração: Durante os últimos estágios da Segunda Guerra Mundial, o General Douglas MacArthur manteve a promessa que tinha feito ao povo das Filipinas quando foi forçado a deixar as ilhas em 1942. Ele retornou com tropas suficientes para ajudar os filipinos a retomar o seu país. Agradecido por sua ajuda quando todos pareciam perdidos, o governo em Manila orientou seus exércitos para começarem uma tradição: gritar o nome de MacArthur em cada chamada para a revista das tropas. Cada companhia designou um oficial que deveria responder, dizendo "Presente em espírito". Aquele gesto simbólico ajudou a garantir que a dedicação e a coragem do general permanecessem no coração dos soldados mesmo muito tempo depois de sua partida. [10] O Espírito Santo faz coisa semelhante em nossos corações. Ele clama "Paizinho" e prova que Deus é nosso Pai e nós, somos seus filhos. Assim, se você clama, está no caminho do céu, pode ter certeza da sua salvação.

6. Últimas considerações.

Um tema que parece tão simples a princípio revela-se desafiador e fascinante! Apesar de não ser considerado indispensável para a fé salvadora – de forma que alguns crentes serão salvos mesmo sem ter, sequer conhecimento disso – a certeza da salvação contribui para o desenvolvimento da própria fé, para o crescimento espiritual e para o aperfeiçoamento da vida cristã. Como escreveu Berkhof: "O conceito correto parece ser que a fé verdadeira, incluindo, como inclui, confiança em Deus, importa naturalmente em um sentimento de segurança e certeza, embora isso possa variar em grau". [11]

Como já mencionamos acima, nem sempre o crente pode estar consciente dessa segurança, haja visto que nem sempre vive plenamente a vida de plena confiança e não toma consciência das bênçãos espirituais que lhe são reservadas. Portanto, quando nos encontrarmos sob a influência de dúvidas e incertezas, devemos buscar cultivá-la, de todas as maneiras que o próprio Deus tem colocado ao nosso alcance, sendo que Ele prometeu não apenas salvar-nos, mas também sustentar-nos.

Como pudemos ver anteriormente, a obtenção e a constância da nossa certeza não depende de elementos externos, mas através do cultivo do hábito da oração, o estudo das promessas de Deus reveladas na Bíblia, e pela busca de uma vida transformada, na qual é evidente o fruto do Espírito, ela pode ser alcançada, cultivada e fortalecida.

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