quarta-feira, 13 de maio de 2009

Batismo Infantil




Iniciamos este estudo lembrando da célebre frase de John Wesley:

"Quanto a todas as opiniões que não danificam as raízes do cristianismo, nós pensamos e deixamos pensar".

O que evoca a inesquecível frase do Bispo Agostinho acerca da liberdade do cristão: "No essencial unidade, no não essencial liberdade, em tudo caridade."

Introdução

“O batismo é símbolo da nova aliança da graça, do mesmo modo que a circuncisão era símbolo da velha aliança. Considerando-se que as criancinhas são reconhecidas como sendo incluídas na redenção, afirmamos que elas podem ser batizadas mediante o pedido dos pais, ou tutores, os quais deverão comprometer-se lhes dar a devida formação cristã. Os que foram batizados na infância serão obrigados a reafirmar o voto de batismo, por eles mesmos, antes de serem admitidos como membros da igreja” (Livro de Disciplina da Igreja Metodista Livre A/123).

O batismo não é principalmente um sinal de arrependimento e fé da parte dos batizados. É um sinal da aliança e da obra de Salvação de Cristo realizada na Cruz. É sinal da eleição graciosa da parte do Pai: “assim como nos escolheu nEle antes da fundação do mundo...” (Ef 1.4; cf. Jo 15.16; Gn 12.1). Prega o próprio Cristo como Aquele que já morreu e ressuscitou, de modo que todos estão mortos e ressurretos nEle (2 Co 5.14; Cl 3.1). Esta obra vicária deve ser pregada a todos, e o sinal e o selo pode ser estendido não somente aqueles que já corresponderam a ela, como também aos filhos destes, que estão sendo educados na atmosfera cristã com o conhecimento daquilo que Deus já fez de uma vez por todas em Cristo, e isto de modo totalmente suficiente. Finalmente, o batismo é sinal da obra regeneradora do Espírito (Tt 3.5). O Espírito Santo é soberano (Jo 3.8). Ele freqüentemente está presente antes de Seu ministério ser percebido, e Sua operação não precisa ser necessariamente acompanhada por nossa apreensão dela. Pois o Espírito Santo trabalha para convencer o mundo do pecado, da justiça e do juízo (João 16:8). Ele não despreza as mentes dos infantes como objetos condignos para começar a Sua obra. Exemplos: João Batista foi movido pelo Espírito Santo no ventre de sua mãe, quando da aproximação de Maria, que estava grávida de Jesus: “Ouvindo esta a saudação de Maria, a criança lhe estremeceu no ventre; então, Isabel ficou possuída do Espírito Santo” (Lc 1:41). Jesus disse que das criancinhas que ainda estão na fase de amamentação oferecem perfeito louvor a Deus: “Ouves o que estes estão dizendo? Respondeu-lhes Jesus: Sim; nunca lestes: Da boca de pequeninos e crianças de peito tiraste perfeito louvor?” (Mt 21:16).

Quando chegam à maturidade é necessário que aqueles que foram batizados quando criança façam então sua profissão de fé. Mas assim fazem com o testemunho claro de que não é isto que os salva, mas, sim, a obra de Deus já feita a favor deles antes de crerem. Surge a possibilidade, naturalmente, de que não farão esta confissão, ou que não a farão de modo formal. Mas um modo diferente de administração não conseguirá evitar esta possibilidade. É um problema de pregação e ensino. E mesmo se não crerem, ou se crerem apenas nominalmente, seu batismo prévio como sinal da obra de Deus será um testemunho constante para chamá-los de volta.

Razões bíblicas:
 
Antigo Testamento

Vamos começar examinando o Antigo Testamento, pois todos os ensinos do Novo Testamento têm suas raízes pedagógicas no Antigo Testamento. Todas as prefigurações do batismo encontradas no Antigo Testamento favorecem o ponto de vista de que Deus lida com famílias mais do que com indivíduos. Quando Noé foi salvo do dilúvio, toda sua família é recebida com ele na arca (cf. 1Pe 3.20-21). Romanos 4:11 E que teve quando ainda incircunciso; para vir a ser o pai de todos os que crêem, embora não circuncidados, a fim de que lhes fosse imputada a justiça, Quando Abraão recebeu o sinal da circuncisão como selo da justiça da fé (Rm 4.11), é ordenado a aplicá-lo a todos os membros do sexo masculino da sua família como um sinal da salvação que possuem por pertencerem ao povo de Deus: "Circuncidareis a carne do vosso prepúcio; será isso por sinal de aliança entre mim e vós" (Gn. 17:11). Em Cl 2.11-12, Paulo faz uma associação entre o batismo e a circuncisão, chamando o batismo cristão de circuncisão de Cristo. No Mar Vermelho, todo o Israel, incluindo crianças, passa pelas águas no grande ato de redenção que prefigura não somente o sinal do batismo como também a obra de Deus que está por trás dele. É isto mesmo que Paulo está dizendo em 1 Co 10.1-2: “Ora, irmãos, não quero que ignoreis que nossos pais estiveram todos sob a nuvem, e todos passaram pelo mar, tendo sido todos batizados, assim na nuvem como no mar, com respeito a Moisés”. Moisés aspergiu sangue sobre todo o povo, incluindo crianças (Hb 9.19). Deus convocou adultos e crianças para entrarem em aliança com Ele (Dt 29.10-12). Josué disse: “Eu e a minha casa serviremos ao Senhor” (Js 24.15). “Mas a misericórdia do SENHOR é de eternidade a eternidade, sobre os que o temem, e a sua justiça, sobre os filhos dos filhos” (Salmos 103:17).

Novo Testamento

Já, no Novo Testamento, é bem provável que as crianças tenham sido incluídas nos batismos de famílias inteiras em Atos: família da Lídia (16.15), do Carcereiro (16.32, 33), de Crispo (18.8) e Estéfanas (1 Co 1.16). Encontramos ainda vários textos relevantes que revelam progressos no tratamento dispensado às crianças em relação à prática comum até então: Jesus se torna um bebê concebido pelo Espírito Santo. João Batista, também, fica cheio do Espírito Santo desde o ventre da sua mãe, de modo que poderia ser um candidato ao batismo (Lc 1.39-45; cf. At 10.47 “Porventura pode alguém recusar a água para que não sejam batizados estes que, assim como nós, receberam o Espírito Santo?”). Cristo acolhe e abençoa os pequeninos (Mt 19.13-14) e fica zangado quando seus discípulos os repreendem (Mc 10.14). Ele diz que as coisas de Deus são reveladas aos pequeninos mais do que aos sábios e entendidos (Lc 10.21). Ele retoma a declaração do Sl 8.2 no tocante ao louvor da boca de crianças de peito (Mt 21.16). Adverte contra o perigo de alguém ser um tropeço para os pequeninos que crêem nEle (Mt 18.6), e no mesmo contexto nos diz que, como cristãos, não temos de nos tornar adultos, mas, sim crianças. Jesus descreveu a condição espiritual especial destes pequeninos, dizendo: “Vede, não desprezeis a qualquer destes pequeninos; porque eu vos afirmo que os seus anjos nos céus vêem incessantemente a face de meu Pai celeste” (Mt 18:10). Na primeira pregação da Igreja, Pedro diz que a promessa do Espírito é para os filhos também e não apenas para os adultos: “Respondeu-lhes Pedro: arrependei-vos, e cada um de vós seja batizado em nome de Jesus Cristo para remissão dos vossos pecados, e recebereis o dom do Espírito Santo. Pois para vós outros é a promessa, para vossos filhos...” (At 2.38,39). Nas epístolas existem palavras dirigidas especialmente às crianças em Efésios, Colossenses e 1 Jo.

Em 1 Co 7.14, Paulo diz que os filhos de um casal, onde pelo menos um dos pais é crente, são “santos”, o que certamente significa que pertencem ao povo da aliança, tendo, portanto, também o direito ao sinal desta aliança. Uma pergunta que se faz necessária aqui é: Os filhos dos crentes devem ser considerados cristãos ou pagãos? As crianças eram incluídas na antiga aliança, eram circuncidadas e participavam da Páscoa, que eram os sinais daquela aliança, por que razão as crianças deveriam ser impedidas de participar dos sinais da nova aliança? A Nova Aliança não é superior a antiga? Porventura a nova aliança não inclui igualmente, e, por que não dizer, até principalmente os pequeninos? Quando é que se dá ou deveria se dar a conversão de alguém nascido em lar cristão? Precisaria ele experimentar uma crise de conversão? Não deveriam, os filhos de cristãos, serem abençoados e dedicados a Deus como cristãos, ensinados como cristãos, considerados como cristãos desde o seu nascimento?

“Visto que as crianças cristãs pertencem tão obviamente a Deus, como podemos negar-lhes o sinal dessa posse?” (Zuínglio).

Temos vários exemplos no Novo Testamento de filhos sendo grandemente abençoados por causa da fé do pais. A ressurreição da filha de Jairo (Mateus 9:18-19, 23-26), O pai de um epiléptico pediu que Jesus curasse o seu filho (Mt 17:14-18), a ressurreição do filho da viúva de Naim, episódio em que Jesus teve compaixão da mulher, e favoreceu o filho por causa da mãe (Lc 7:11-17), a cura do filho de um oficial da cidade de Cafarnaum (João 4:46-54).

Razões Históricas

O Batismo Infantil era prática comum nos tempos da Igreja Primitiva
O batismo infantil era praticado nos tempos da igreja primitiva, atestado já em Justino Mártir (130 d.C. -Apol.I.15), Irineu (180), Orígenes (230), que alegavam estarem seguindo o exemplo que também batizavam crianças (Enciclopédia Histórico Teológica da Igreja Cristã, v. 1, p. 157). O batismo infantil era algo normal, tanto que não causava surpresa nem questionamentos, pois estava em conformidade com o ensinamento de Jesus Cristo e dos apóstolos .

Irineu, que foi discípulo de Policarpo, um discípulo do apóstolo João, foi batizado quando criança. Ele afirmou: "A igreja aprendeu dos apóstolos a ministrar o batismo a crianças" e, em 180 d.C., Irineu afirma também que “Jesus veio para salvar a todos que são renascidos através dele em Deus: recém nascidos, crianças, adolescentes, jovens e adultos” (Adv. Haer., livro II, 22.4; 39). O termo “renascidos”, para os pais da Igreja, é termo técnico para o “batismo”.

Na Constituição Eclesiástica de Roma, formulada por Hipólito em 215, encontramos a frase: “Primeiro devemos batizar os pequenos. Todos que podem falar por si mesmos. Para aqueles que ainda não sabem falar, falem seus pais ou alguém que pertença à família” (Const.Ecl. XVI, 4).

Orígenes, que foi o mais completo conhecedor da Bíblia entre os escritores da Igreja primitiva, nascido na Grécia no ano de 185 d.C., cujo avô e bisavô eram cristãos quando os apóstolos ainda eram vivos. Orígenes, em seu comentário à carta de Romanos, afirma: “A igreja recebeu dos apóstolos a tradição de batizar também os recém nascidos” (Epist. ad. Rom. Livro V, 9 Hom. in Lev., VIII. 4). Sabemos também que o próprio Orígenes foi batizado quando criança.

Ireneu de Lião (sec III) considera óbvia a presença de "crianças e pequeninos" , entre os batizados em geral (Contra as Heresias II,24,4;).

Hermas, contemporâneo do apostolo Paulo (Veja Rm 16.14), fala de crianças que receberam o selo do batismo, nestas palavras: "Ora, esse selo é a água do batismo".

Clemente, que viveu com o apóstolo Paulo (Fl 4.3), aconselhava os pais: "Batizai os vossos filhos e criai-vos na disciplina e correção do Senhor".

O "Didaqué" (manual da Igreja Antiga, também conhecido como doutrina dos doze apóstolos) prescreve o batismo de crianças.

Tertuliano (De Bapt., 18).

Cipriano afirma que o batismo de crianças era prática comum dos cristãos. Em 258, ele escreve: "Do batismo e da graça não devemos afastar as crianças" (carta a Fido). No século III , um sínodo do Norte da África determinou que era permitido batizar as crianças "já a partir do segundo ou terceiro dia após o nascimento" (Epístola 64 de São Cipriano). O Concílio de Cartago recebeu consulta se era lícito batizar crianças antes de oito dias. O que significa que a prática do batismo infantil após o oitavo dia de vida era comum.

Agostinho dizia: "Desde a Antigüidade a Igreja tem observado o batismo infantil" e ainda, " O costume de nossa igreja mãe de batizar crianças não deve ser desconhecido nem tido como desnecessário; nem se deve crer que seja algo mais do que uma ordenança que nos foi entregue pelos apóstolos" dizia ainda: Não foi instituído por concílios mas sempre esteve em uso". Estas afirmações foram feitas e o batismo de criança estava sendo praticado antes do desvio do catolicismo, pois os relatos dos pais da Igreja sobre a prática do mesmo, são do período em que a Igreja Cristã estava vivendo o Evangelho na sua "pureza". Lutero condenou o rebatismo duramente. Para ele, quem rebatiza um adulto batizado como criança “blasfema e profana o sacramento em sumo grau” (Catecismo Maior IV, 55).

Esta propagação do batismo de crianças na Igreja Antiga, certamente deu-se pela convicção de que no batismo é Deus que age na vida do batizando, enquanto que este apenas recebe o batismo. A fé, neste caso, é fruto do batismo, ou seja, do agir de Deus. Outro motivo que permitiu a difusão do Batismo de crianças na Igreja Antiga, certamente, foi a convicção de que a Igreja precede o cristão individual como o espaço do senhorio de Cristo onde o Espírito Santo atua e como comunhão dos que crêem e mutuamente sustentam e fortalecem sua fé. Neste sentido, a fé da Igreja sempre precede à do batizando, seja ele adulto ou criança.

Portanto, os Pais da Igreja consideravam o Batismo de crianças uma tradição apostólica, e, por esta razão, foi uma prática comum desde os tempos da Igreja Primitiva. Somente no século XVI, com o surgimento do movimento anabatista é que se começou a questionar 1.500 anos de história da prática do batismo infantil. Lutero, no entanto, condenou o rebatismo duramente. Para ele, quem rebatiza um adulto batizado como criança “blasfema e profana o sacramento em sumo grau” (Catecismo Maior IV, 55). Para Lutero, porém, a obra do Batismo e sua validade para o ser humano dependem exclusivamente da obra que Deus realiza neste sacramento. A fé, ainda que imprescindível, apenas recebe o batismo, confiando na sua obra. Por isso, o Batismo de crianças é válido mesmo que a fé e a confiança no sacramento cheguem mais tarde. Aliás, nem é possível dizer que o batismo de crianças aconteça sem fé. Os pais, os padrinhos, as madrinhas e toda a igreja agem em fé e em esperança: “Levamos a criança ao batismo com o ânimo e na esperança que ela creia; e rogamos que Deus lhe dê a fé” (Catecismo Maior IV, 57). Este, porém, ainda não é o argumento maior que permite Lutero batizar – sejam crianças ou adultos. O batismo acontece porque a Igreja age em obediência ao mandato divino: “Não é, porém, à vista disso que a batizamos, mas unicamente porque Deus o ordenou” (Catecismo Maior IV, 57). E, no Catecismo de Heidelberg, cap. XXVII, temos a pergunta de número 74, que diz: "As crianças devem ser baptizadas?" A resposta é a seguinte: "Sim. Elas pertencem tanto como os adultos à aliança de Deus e à sua Igreja (Gén.17:7). Visto que a remissão dos pecados (Mt.19: 14) e o Espírito Santo, que produz a fé, lhes são prometidos não menos que aos adultos (Luc. 1: 14, Sal. 22: 11, Is. 44: 1-3, Act. 2: 39), devem ser incorporadas pelo baptismo, que é o sinal da aliança, à Igreja cristã e serem distinguidas dos filhos dos incrédulos (Act. 10: 47), como se fazia no Antigo Testamento pela circuncisão (Gén. 17: 14), em cujo lugar no Novo Testamento foi o Baptismo instituído (Col.2:11-13).

A Responsabilidade dos pais

Os pais têm uma grande responsabilidade sobre a fé e a educação religiosa dos seus filhos (Dt 6.6-7). Temos na Bíblia a promessa de que os filhos bem educados no caminho do Senhor não irão se desviar dele (Pv 22.6). Sendo assim, os pais devem guiar seus filhos, através da instrução e do exemplo, no caminho da vida eterna. A promessa do Espírito e da salvação não se restringe aos adultos, mas se estende aos filhos (At 2.38). Um pai ouve de Paulo que seu ato de fé em Deus abriria a porta da salvação a toda a sua casa (At 16.31). Quando Zaqueu se converteu, Jesus declarou: “hoje veio salvação para esta casa” (Lc 19.9). A Bíblia ensina também que a “oração de um justo pode muito em seus efeitos” (Tg 5) e, como já vimos, que uma mulher crente, por exemplo, santifica sua família a ponto dos seus filhos serem contados entre os “santos” (1 Co 7.14). (Recomendamos a leitura do seguinte artigo sobre Batismo Infantil: http://ejesus.com.br/conteudo/3731/ )

Ainda sobre este tema, ler também os parágrafos A/901 - A/902, do livro de disciplina da Igreja Metodista Livre.

Respondendo às objeções mais comuns
 
1. Não existe mandamento para batizar crianças

E nem era necessário, pois as crianças que eram filhas dos crentes sempre foram reconhecidas como membros da igreja visível do Antigo Testamento. Seria de se esperar o contrário: um mandamento para não mais incluí-las na igreja do Novo Testamento.

2. As crianças não preenchem as condições necessárias: arrependimento e fé

Textos que mencionam arrependimento e fé como condição para o batismo foram dirigidos a primeira geração de convertidos. Pois, o mesmo argumento as excluiria do céu! “Se não vos arrependerdes, todos igualmente perecereis” (Lc 13:3). “Quem nele crê não é condenado; o que não crê já está condenado” (Jo 3:18). Mesmo aqueles que condenam o batismo infantil não são capazes de concluir que estariam condenadas as criancinhas que não tem idade para se arrepender e exercer fé. Portanto, concluímos que tais textos se dirigem àqueles que têm idade para responder com arrependimento e fé e não formam uma legislação aplicável aos infantes. A Bíblia também diz: ‘‘Quem não trabalha não coma’’. E as crianças?! Devemos deixá-las com fome, porque não podem trabalhar?!

No AT as crianças de Israel também não poderiam se arrepender e ter fé nas promessas, que eram condições para a salvação também nos tempos do Antigo Testamento, mas mesmo assim eram circuncidadas e consideradas membros do povo de Deus. Abraão, por exemplo, creu em Deus e isto lhe foi imputado por justiça, recebendo a seguir o sinal da aliança, que foi também aplicado a seus filhos, ainda que não tivessem idade para exercer fé em Deus (Gn 17). Como o sinal da justificação de Abraão pode ser aplicada a seu filho que ainda não tinha idade para crer?

A CEIA DO SENHOR E AS CRIANÇAS
 
Não foi por acaso que Jesus, o Cordeiro de Deus que tira o pecado do Mundo, morreu na semana da páscoa judaica. Jesus, na véspera de sua morte, reuniu o seus discípulos para a celebração da Páscoa e a transformou na celebração da sua própria Páscoa, revelando que os princípios de redenção da Páscoa e do Êxodo do povo hebreu encontram pleno cumprimento em seu sacrifício na cruz. As crianças eram incluídas na aliança do Antigo Testamento, tendo acesso aos sinais do pacto tanto da circuncisão como da Páscoa. Toda a família, incluindo as crianças, se reunia ao redor da mesa para comerem e celebrarem a Páscoa. A aliança do Novo Testamento é superior a do Antigo e não pode ficar aquém no tratamento dado as crianças. Deus não faz acepção de pessoas (Rm 2.11; Tg 2.9). “Dessarte, não pode haver judeu nem grego; nem escravo nem liberto; nem homem nem mulher; porque todos vós sois um em Cristo Jesus” (Gl 3:28). Seguindo o mesmo raciocínio de Paulo, podemos concluir também que não deve haver acepção entre adultos e crianças, pois todos devem ser um em Cristo. Jesus Cristo, querendo mostrar que veio dilatar antes que limitar a misericórdia do Pai, abraça ternamente as criancinhas a si trazidas, repreendendo os discípulos que tentavam impedi-las de acesso, afirmando que delas é o reino dos céus (Mt 19:13-15; Mc 10:13-16; Lc 18:15-17)... As crianças estão incluídas no pacto de Deus. A ação de recebê-las, o abraço, a imposição de mãos e a oração de Cristo, demonstram que as crianças não apenas são dele, como também são por ele santificadas. A expressão usada pelos evangelistas em Mt 19:14; Mc 10:13; Lc 18:15, designa literalmente criancinhas de peito. Não se fala aqui de crianças já crescidas, portanto já aptas a vir por si mesmas. Vir, nestes textos, fala de ter acesso. As crianças podem vir a Cristo, pois das tais é o reino dos céus.

Os metodistas livres vêem a ceia do Senhor não apenas como ordenança, mas também como sacramento. Existem dois sacramentos: a Ceia e o batismo. Tais ordenanças são verdadeiramente meios de graça, ou seja, ainda que sejam rituais simbólicos, representam uma realidade espiritual. No caso da Ceia, os elementos não sofrem nenhuma alteração mística – o pão continua sendo pão, e o vinho continua sendo vinho. Não obstante, o crente, mediante a ação do Espírito Santo, é verdadeiramente nutrido espiritualmente em sua participação. A Ceia é "um banquete espiritual, onde Cristo é o pão vivo que desceu do céu (Jo 6:51), pelo qual são os crentes alimentados para a verdadeira e bem-aventurada imortalidade. A Ceia é um dos sinais da inclusão do cristão na realidade salvífica estabelecida pelo pacto da graça. Por último, a Ceia é também um sinal de nossa participação no Corpo de Cristo que é a sua comunidade de fiéis. A reunião da Ceia é a reunião da família em torno da mesa, partindo o pão e compartilhando de união e intimidade. As pessoas reunidas para essa refeição são diferentes uma das outras. Expressam diversidade, mas estão ligadas na unidade produzida pelo Espírito mediante o sangue da aliança, derramado em favor delas.

Questão histórica

Na Igreja Antiga era normal a participação das crianças na Ceia do Senhor. O batismo de crianças e sua participação na Ceia eram usuais. Naquela época o Batismo era a única condição para participar da Ceia. A partir do século XI outras exigências foram solicitadas para a participação na Ceia. O IV Concílio de Latrão, em 1215, fixou a idade entre 07 e 10 anos para poder participar na Ceia. Nesta idade as crianças já poderiam ver a diferença da Ceia com a presença da salvação em Cristo e a simples refeição. Assim, na Igreja Ocidental se colocam limites para a participação das crianças na Ceia. Na Igreja Oriental, até hoje, todas as crianças batizadas são convidadas para a Ceia.

Os Sacramentos foram ordenados por Jesus Cristo. Eles são obras d’Ele e não desta ou daquela denominação religiosa. Faz parte de um Sacramento a Palavra de Deus e os elementos visíveis. Os benefícios dos Sacramentos vêm de Cristo. Neste, todos os dons de Deus nos são concedidos por graça: fé/justificação, perdão dos pecados, Espírito Santo/santificação, vida eterna, fortalecimento na fé e no amor. Toda essa “graça” experimentamos na comunhão do corpo de Cristo (igreja = comunhão dos santos).

Lutero entendeu o Batismo como presente de salvação. Lutero utilizou a imagem do testamento: Uma pessoa à beira da morte faz seu testamento e a partir da morte desta, que seria a morte de Cristo, este testamento passa a valer. A pessoa que recebe as promessas do testamento, mesmo sendo indigna, tem o direito ao que a ela é presenteado gratuitamente. O mais importante não é o que a pessoa faz ou deixa de fazer, mas o presente que recebe. O peso do testamento está na obra de Deus, e não na dignidade ou mérito do ser humano. Esta obra de Deus em nosso favor vale para sempre, não precisa ser repetida (caso de rebatismo). Quando não colocamos total confiança na graça de Deus. Lei é exigência. Lutero afirmou que ser cristão é saber diferenciar entre lei e Evangelho. A negação da Ceia do Senhor as crianças batizadas é desprezar a graça de Deus, que é dada a todas as pessoas, independente da idade e maturidade. Pois ela é graça, é presente, e cada pessoa batizada tem o direito de participar e viver deste presente na comunhão da família. Todos somos pecadores e necessitamos da mão estendida de Deus.

Pode acontecer de pais crentes não apresentarem seus filhos para batismo, mas estarem trazendo-os à frente para participação na Ceia do Senhor. Depois, em particular, o pastor deve conversar com os pais mostrando pelas Escrituras a íntima relação entre os sacramentos do Batismo e da Ceia do Senhor, de modo que um está atrelado ao outro. Por que participar da Ceia e não também do batismo? O batismo é o sinal da salvação em Cristo, devendo, portanto, preceder a Ceia. O coerente é que aqueles que foram batizados participem da Ceia do Senhor.

Alguém poderia alegar que as crianças não são mencionadas na realização da primeira Ceia do Senhor. A isto respondemos que nem tão pouco as mulheres são mencionadas. Vamos examinar o seguinte texto: “Ora, irmãos, não quero que ignoreis que nossos pais estiveram todos sob a nuvem, e todos passaram pelo mar, tendo sido todos batizados, assim na nuvem como no mar, com respeito a Moisés. Todos eles comeram de um só manjar espiritual e beberam da mesma fonte espiritual; porque bebiam de uma pedra espiritual que os seguia. E a pedra era Cristo.” (1 Co 10.1-4). Paulo estabelece este paralelo para que os cristãos da igreja de Corinto pudessem estar alertas para não incorrer no mesmo erro que levou a maioria do povo a perdição (v. 5-11). É interessante notar aqui algo relevante para o estudo que estamos fazendo sobre batismo infantil e participação das crianças na Ceia do Senhor, pois vemos que Paulo estabelece um paralelo entre os sinais da salvação do povo do Antigo Testamento com os sinais da salvação dos cristãos, o batismo e a Ceia do Senhor estão em foco. Há uma ênfase também na palavra todos. Todos, adultos e crianças foram batizados na nuvem e no mar e todos, incluindo as crianças, comeram do mesmo alimento espiritual e beberam da rocha espiritual que é Cristo. O termo “todos” aparece também no verso 17 numa referência clara a Ceia do Senhor “pois todos participamos de um único pão”.

Uma objeção que é feita a participação das crianças na Ceia do Senhor é que Paulo exorta os cristãos a examinarem a si mesmos antes de participarem da mesa do Senhor para não correrem o risco de comerem indignamente, sem discernir o corpo do Senhor, o que traria condenação. Mas pode-se conjecturar que esta exortação de Paulo não se dirigia às crianças, mas aos cristãos adultos que estavam cometendo diversos abusos durante as celebrações dos cerimoniais da Ceia (1 Co 11).

O cristão é filho de Deus e não existe filiação parcial, pois a graça é total. Não há cristãos pela metade, mas completos, tornados justos pela obra de Jesus e incorporados na comunhão dos santos, da qual as crianças fazem parte, desfrutando de todos as bênçãos e privilégios do Evangelho.

Bispo Ildo Mello

sábado, 11 de abril de 2009

COMPARAÇÃO ENTRE CALVINISMO E CATOLICISMO

Vou fazer a devida comparação entre catolicismo e calvinista, partindo do esquema da TULIP:

TULIP é um acróstico, atribuindo a cada letra um significado, na língua inglesa, como iremos ver: t = total depravity ou total inabilityunconditional election ("eleição incondicional"); l = limited atonement ("expiação limitada"); i = irresistible grace ("graça irresistível"); e p = perseverance of saints ("perseverança dos santos"). Cada um desses cinco artigos ou pontos é representado, assim, por uma letra do pentagrama calvinista (TULIP) e resumem o que há de fundamental em toda a visão calvinista da salvação e da predestinação. ("depravação total" ou "incapacidade total"); u =
O símbolo desse acróstico é uma flor, a tulipa (em inglês, tulip).

t - TOTAL DEPRAVITY - para os calvinistas, a queda do homem afetou a sua natureza no que era essencial, de sorte que a vontade e a inteligência do homem ficaram corrompidas (as potências da alma); no catolicismo, a queda do homem afetou a seus dons sobrenaturais e preternaturais, não poderia teria ter-lhe destruído a natureza, posto que o destruiria naquilo que o distingue como ser humano (ser intelectual, dotado de alma intelectual).

u - UNCONDITIONAL ELECTION - no catolicismo, a predestinação (da graça à glória) é incondicionada, e isso é "de fide"; a reprovação é incondicional e negativa; para os calvinistas, não há a preocupação em ensinar uma reprovação incondicional negativa, posto que geralmente não há a identificação do bem com o ser; nem de Deus como o Ser, na sua essência; logo, o mal assume conotação de "ser", conjuntamente com o bem (desprezo à metafísica, que é uma ciência, em decorrência da desconfiança do calvinista em relação à razão).

l - LIMITED ATONEMENT – para o calvinista, Cristo morreu somente pelos eleitos. Para o católico, Cristo não morreu somente pelos eleitos (isso é "de fide"). Explicação: os batizados recebem a graça da justificação em virtude dos méritos da Paixão de Cristo; nem todos os batizados podem ter certeza de que serão eleitos (a predestinação à graça não é à glória), portanto, Cristo morreu por todos os batizados e não somente pelos eleitos. A doutrina católica não exige como que "de fide" que Cristo tenha morrido por todos os homens, mas o ensino do "Catecismo Romano" é de que assim é quanto à virtude, mas não quanto à eficácia. Por isso, no Missal, se diz "pro multis".

i - IRRESISTIBLE GRACE - a graça eficaz é admitida pelo catolicismo, mas essa graça excita à cooperação do homem, sendo o livre arbítrio o veículo ou o meio no qual a graça age; no calvinismo, não há diferenças (cf. Confissão de Fé de Westminster, III,1), embora, para muitos, o livre arbítrio seja incapaz de cooperar, por estar inclinado para o mal (Lutero). A distinção entre a graça eficaz e graça suficiente encontra analogia na distinção calvinista entre graça especial e graça comum.

p - PERSEVERANCE OF SAINTS - no catolicismo, o dom da perseverança (em especial, a perseverança final) é sempre um dom gratuito de Deus aos eleitos, a diferença é que os calvinistas acreditam que esse dom seja certamente recebido por todos os justificados.

Todos os artigos disponíveis neste sítio são de livre cópia e difusão deste que sempre sejam citados a fonte e o(s) autor(es).MACHADO, Rui. Apostolado Veritatis Splendor: COMPARAÇÃO ENTRE CALVINISMO E CATOLICISMO. Disponível em http://www.veritatis.com.br/article/4246. Desde 06/06/2007.

segunda-feira, 6 de abril de 2009

O Novo Calvinismo

Se você quer realmente seguir o desenvolvimento do cristianismo conservador, rastreie as suas músicas de sucesso. No início do século xx, você ouviria “Rude Cruz”, uma celebração da expiação. Nos anos 1980, você teria compartilhado a intimidade do tipo “Jesus é meu amigo”, expressada na canção “Brilha, Jesus”. Hoje, as músicas de sucesso retratam cada vez mais um Deus que é muito grande, enquanto nós… bem, ouça a banda de David Crowder: “Estou cheio de terra/ Tu és o tesouro do céu/ Estou sujo de lama/ Inclinado à depravação”.


O calvinismo está de volta, e não apenas no âmbito da música. A resposta de João Calvino, no século xvi, aos excessos do catolicismo na forma de “compre o seu livramento do purgatório” é a mais recente história de sucesso do evangelicalismo [americano], uma história completa: com uma Deidade totalmente soberana que administra as coisas mínimas, uma humanidade pecaminosa e incapaz e, a combinação da conseqüência lógica, a predestinação: a crença de que, antes de o tempo surgir, Deus resolveu a quem salvaria (ou não), sem influenciar-se por qualquer ação ou decisão humana subseqüente.

O calvinismo, primo de outro pilar da Reforma, o luteranismo, é bem menos rígido do que os seus críticos afirmam. O calvinismo oferece uma Deidade firme que orquestra absolutamente tudo, incluindo a enfermidade (ou o arresto da casa!), por meio de uma lógica que talvez não entendamos, mas não temos de criticar depois que vemos os resultados. Nossa satisfação — e nosso propósito — se realiza apenas ao glorificá-Lo. No século xviii, o pregador puritano Jonathan Edwards revestiu o calvinismo de um misticismo quase extasiante. Mas logo o calvinismo foi vencido nos Estados Unidos por movimentos como o metodismo, que eram mais impressionados com a vontade humana. Grupos liberais descendentes dos calvinistas, como a Igreja Presbiteriana (EUA) [PCUSA], descobriram outra ênfase, enquanto o evangelicalismo perdia o interesse por uma doutrina consistente (havia o triunfo daquele Jesus amável e impreciso) e parecia relegar a pregação reformada fiel (a palavra reformado é um sinônimo de calvinista) a algumas poucas igrejas persistentes do sul [dos EUA].

Isso não acontece mais. Os ministros e autores neo-calvinistas não agem numa escala como Rick Warren. Contudo, ouça Ted Olsen, editor-chefe da revista Cristianity Today: “Todos sabem onde estão a energia e a paixão no mundo evangélico” — com o neo-calvinista pioneiro John Piper, de Minneapolis, com Mark Discroll, o brigão de Seattle, e Albert Mohler, presidente do Southern [Theological Baptist] Seminary, da grande Convenção Batista do Sul [dos EUA]. A Bíblia de Estudo ESV, com sabor calvinista, esgotou a sua primeira tiragem; blogs reformados como Between Two Worlds estão entre os links mais populares do ciberespaço cristão.

À semelhança dos calvinistas, os evangélicos mais moderados estão explorando curas para o desvio doutrinário do movimento, mas não podem oferecer a mesma segurança coletiva. “Muitos jovens cresceram em cultura de destruição, divórcio, drogas e tentação sexual”, disse Collin Hansen, autor de Young, Restless, Reformed: A Journalist’s Journey with the New Calvinists. “Eles têm muitos amigos; o que precisam é de um Deus.” Mohler disse: “No momento em que alguém começa a definir o ser ou os atos de Deus biblicamente, essa pessoa é levada a conclusões que são tradicionalmente classificadas como calvinistas”. De fato, essa presunção de inevitabilidade tem atraído acusações de arrogância e divisionismo desde a época de Calvino. Na verdade, alguns dos entusiastas de hoje sugerem que os não-calvinistas podem não ser cristãos. Pequenas disputas entre os batistas do sul [dos EUA] (que têm um grupamento concorrente de não-calvinistas) e trocas de ameaças on-line são um mau presságio.

Em julho próximo, se dará o 500º aniversário de nascimento de Calvino. Será interessante observar se o último legado de Calvino será a difamação protestante clássica ou se, durante estes tempos difíceis, mais cristãos que buscam segurança sujeitarão a sua vontade ao Deus severamente exigente dos primórdios de seu país.

Traduzido por Franklin Ferreira

George Müller (1805-1898)


O gigante da fé, George Müller (1805-1898), nasceu na Alemanha, e converteu-se com idade de 20 anos numa missão morávia. Foi para a Inglaterra em 1829, onde trabalhou para o Senhor até o final de sua vida.

Em 1830, três semanas depois de seu casamento, Müller e sua esposa decidiram abrir mão de seu salário como pastor de uma pequena congregação, e depender exclusivamente de Deus para suas necessidades. Já desde o início, ele tomou a posição que manteria durante todo o seu ministério, de nunca revelar suas necessidades às pessoas, e de nunca pedir dinheiro de ninguém, somente de Deus. Ao mesmo tempo, decidiu que também nunca entraria em dívida por motivo algum, e que não faria reservas, nem guardaria dinheiro para o futuro.

Durante mais de sessenta anos de ministério, Müller iniciou 117 escolas que educaram mais de 120.000 jovens e órfãos; distribuiu 275.000 Bíblias completas em diferentes idiomas além de grande quantidade de porções menores; sustentou 189 missionários em outros países; e sua equipe de assistentes chegou a contar com 112 pessoas.

Seu maior trabalho foi dos orfanatos em Bristol, na Inglaterra. Começando com duas crianças, o trabalho foi crescendo com o passar dos anos, e chegou a incluir cinco prédios construídos por ele mesmo, com nada menos que 2000 órfãos sendo alimentados, vestidos, educados e treinados para o trabalho. Ao todo, pelo menos dez mil órfãos passaram pelos orfanatos durante sua vida. Só a manutenção destes órfãos custava 26 mil libras por ano. Nunca ficaram sem uma refeição, mas muitas vezes a resposta chegava na última hora. Às vezes sentavam para comer com pratos vazios, mas a resposta de Deus nunca falhava.

No decorrer da sua vida, Müller recebeu o equivalente a sete milhões e meio de dólares, como resposta de Deus. Além de nunca divulgar suas necessidades, ele tinha um critério muito rigoroso para receber ofertas. Por mais que estivesse precisando (pois em milhares de ocasiões não havia recursos para a próxima refeição), se o doador tivesse outras dívidas, se tivesse evidência de que havia alguma atitude errada, ou alguma condição imprópria, a oferta não era aceita.

E mesmo quando tinha certeza de que Deus estava dirigindo para ampliar o trabalho, começar uma outra casa, ou aceitar mais órfãos, ele nunca incorria em dívidas. Aquilo que Deus confirmava como sua vontade certamente receberia os recursos necessários, e por isto nunca emprestava nem contraía obrigações sem ter o necessário para pagar.

A seguir um trecho da sua autobiografia, onde ele define sua posição com relação a dívidas:
Minha esposa e eu nunca entramos em dívidas porque acreditávamos que era contrário às Escrituras (Rm 13.8). Por isto, nunca tivemos contas para o futuro com alfaiate, açougue, padaria ou mercado. Pagamos por tudo em dinheiro. Preferimos passar necessidade do que contrair dívidas. Desta forma, sempre sabemos quanto temos, e quanto podemos dar aos outros. Muitas provações vêm sobre os filhos de Deus por não agirem de acordo com Romanos 13.8.

Alguns podem perguntar: Por que você não compra o pão, ou os alimentos do mercado, para pagar depois? Que diferença faz se paga em dinheiro no ato, ou somente no fim do mês? Já que os orfanatos são obra do Senhor, você não pode confiar que ele supra o dinheiro para pagar as contas da padaria, do açougue, e do mercado? Afinal, todas estas coisas são necessárias para a continuidade da obra.

Minha resposta é a seguinte: Se esta obra é de Deus, certamente ele tanto quer como é capaz de suprir todo o necessário. Ele não vai necessariamente prover na hora que nós achamos que deve. Mas quando há necessidade, ele nunca falha. Podemos e devemos confiar no Senhor para suprir-nos com o que precisamos no momento, de forma que nunca tenhamos que entrar em dívida.

Eu poderia comprar um bom estoque de mantimentos no crediário, mas da próxima vez que estivéssemos em necessidade, eu usaria o crediário novamente, ao invés de buscar o Senhor. A fé, que somente se mantém e se fortalece através de exercitar, ficaria mais e mais fraca. No fim, provavelmente acabaria atolado em grandes dívidas, sem perspectiva de sair delas.

A fé se apóia na Palavra Escrita de Deus, mas não temos nenhuma promessa de que ele pagará nossas dívidas. A Palavra diz: "A ninguém fiqueis devendo coisa alguma" (Rm 13.8), e: "Quem nele crer não será de modo algum envergonhado" (1 Pe 2.6). Não temos nenhuma base bíblica para entrar em dívidas.
Nosso alvo é mostrar ao mundo e à igreja que mesmo nestes dias maus do tempo do fim, Deus está pronto para ajudar, consolar, e responder às orações daqueles que confiam nele. Não precisamos recorrer a outras pessoas, nem seguir os caminhos do mundo. Deus tanto é poderoso, como desejoso, de suprir todas nossas necessidades no seu serviço.

Consideramos um precioso privilégio continuar a esperar no Senhor somente, ao invés de comprar mantimentos no crediário, ou de emprestar de bondosos amigos. Enquanto Deus nos der graça, olharemos somente para ele, mesmo que de uma refeição para a próxima tivermos que depender do seu suprimento. Já faz dez anos que trabalhamos com estes órfãos, e ele nunca permitiu que passassem fome. Ele continuará a cuidar deles no futuro também.

Estou profundamente consciente da minha própria incapacidade e dependência no Senhor. Pela graça de Deus, minha alma está em paz, embora dia após dia tenhamos que esperar a provisão milagrosa do Senhor para nosso pão diário.

terça-feira, 17 de março de 2009

Tema: Qualquer Situação
Texto: Fl 4.12-13.
Reflexão por Taciano Cassimiro

Exórdio: Quando olhamos para o passado e vemos como nossos pais, avós e bisavós viviam, precisamos reconhecer que teríamos dificuldades para viver em épocas como aquelas. Mesmo as crianças e jovens de hoje se perguntam como era possível viver sem um telefone celular, Internet ou mesmo um telefone comum. Como era possível preparar pratos tão deliciosos com poucos ou quase nenhum eletrodoméstico? E como as pessoas faziam para viajar, sem um horário preciso, sem poder avisar quando estavam chegando?
Do ambiente úmido e escuro da prisão, assim como de suas constantes viagens e aventuras, Paulo se acostumou a ver a realidade com outros olhos. Hoje, ele nos desafia a fazer o mesmo quando diz: “com a força que Cristo me dá posso enfrentar qualquer situação”.

Resumo da Epistola
I. Saudações e Expressões de Gratidão, 1 – 11
II. A Situação Pessoal de Paulo: A Pregação de Cristo, 1. 12 – 30
III. O Padrão da Vida Cristã: A Humildade de Cristo, 2. 1 – 30
IV. O Prêmio da Vida Cristã: O Conhecimento de Cristo, 3. 1 – 21,
V. A Paz da Vida Cristã: A Presença de Cristo 4. 1 – 23.

É no quarto capítulo que Paulo mostra que “ Em Qualquer Situação Cristo está Conosco “.

1. Paulo tinha essa idéia porque ele aprendeu a ver a realidade com outros olhos “com a força que Cristo me dá posso enfrentar qualquer situação”.

2.Paulo contava com uma ajuda especial “com a força que Cristo me dá posso enfrentar qualquer situação”.

3. Paulo contava com a força de Cristo “com a força que Cristo me dá posso enfrentar qualquer situação”.

Ao terminar essa mensagem e voltar à sua vida cotidiana, lembre-se da força que Paulo recebia de Jesus e que lhe ajudava a viver em todo lugar e qualquer situação. Jesus também quer compartilhar essa força com você.

Oremos: Senhor Jesus ajuda-me a não reclamar. Dirige meus olhos para as coisas que vêm de ti, para que eu possa estar sempre contente e de bom humor. Amém.

sábado, 14 de março de 2009


Tomé Estava em Crise de Fé
Texto: João 20.19-29
Por Taciano Cassimiro
Pregado na Igreja Presbiteriana de Arapiraca/AL em 2008

Você já esteve em crise de fé? Acredito que sim. Não é possivel está por cima o tempo todo. Não existe estabilidade plena de energia psiquica. Ninguém é emocionalmente estatico. Tomé estava dentro desse mesmo contexto do qual todos nós estamos.

Tomé era testemunha ocular dos ensinos, dos sermões, dos milagres mais diversos operados por Jesus. Ele simplesmente era um discipulo corajoso, disposto e leal ao seu Senhor. Estava pronto e decido a morrer por causa Dele " ...Então, Tomé, chamado Didimo, disse aos condiscipulos: vamos também nós´para morrermos com ele" Jo 11.16. Que homem fantastico era Tomé. Todo pastor que ter um membro de Igreja com essas qualidades e disposição.

O interessante é que geralmente as pessoas só são valorizadas e aceitas quando apresentam as caracteristicas apresentadas e presentes em Tomé.

Imagine se nesse momento um membro de sua igreja entrasse na mesma, e declarasse - pastor ou igreja, eu não creio mais, eu não acredito na ressurreição, estou cansado de tantas promessas e, de nada ver além de palavras.

Imagine o choque que a igreja, o pastor e quem mais estivesse presente teria. Foi justamente isso que aconteceu com Tomé. Ele chegou diante do colégio apostolico e simplesmente soltou o verbo ( tristeza, duvida). O homem corajoso, fiel, disposto a morrer por seu Senhor, teve seus dias dificeis em que sua fé não era mais a mesma.

Três pontos interessantes da vida de Tomé :

1. Em Sua Crise Ele Preferiu Ficar Sozinho.

Enquanto os discipulos estavam reunidos, na benção, na glória, no aleluia. Tomé estava sozinho por opção. El não queria naquele momento contato com os irmãos da caminhada que até aquele momento havia percorrido juntos.

As vezes nos encontramos nesta mesma situação. Não queremos falar com ninguém. Nosso desejo é só de ficar sozinho.

Os momentos de Crises nos desperta tal sentimento. Tais momentos nos empurra para o isolacionismo, individualismo e outros ismos.

Os discipulos foram abençoados por Jesus que apareceu naquela reunião e ministrou-lhes uma palavra " Paz Seja Convosco", que palavra, que consolo, que frase de efeito a ponto de transformar discipulos que estavam morrendo de medo dos judeus, em testemunhas da RESSURRREIÇÃO DO CRISTO. E o interessante , talvez assustador ,é, que Tomé o discipulo corajoso, fiel, disposto e abnegado perdeu tudo isso. Motivo? Em Sua Crise de Fé Ele pPreferiu Ficar Sozinho. Longe dos irmãos, da Igreja, do convivio com os santos. Muitos de nossos irmãos tomam a mesma decisão nos momentos de crise.

Quando Você estiver em crise procure o pastor, a igreja, os santos. Não fique sozinho!

2. Em Sua Crise Ele Duvidou da Verdade.

Que verdade? A Verdade de Deus. A Verdade da Ressurreição.

Crise é marcada por duvidas as mais diversas. Tomé tinha verdades diante dele. Quais eram suas verdades? Perseguido pelos judeus, por Roma, o seu mestre pra " ele" não tinha ressuscitado. Promessas, promessas, promessas, palavras e nada mais. Essa era a sua verdade. Onde estava Jesus? no sepulcro.

Tomé estava em maus lençóis!

Quando alguém está em crise de fé. A duvida é sua principal companheira. Facilmente duvidamos das promessas de Deus, e achamos até que tudo acabou e que a única opção que nos resta é larga tudo, jogar tudo para o ar ,e refazermos nossas vidas dentro de uma nova perspectiva. Ainda que esta perspectiva ,seja, meramente humana, embasada em um momento dificil, de desequilibrio emocional e espiritual.

Nessa experiência Tomé não está sozinho. Somos vitimas muitas vezes desta situação. Entretanto, a verdade de Deus sempre prevalece sobre nossas limitações, questionamentos e desequlibrio seja ele qual for. A verdade de Deus sempre vem a tona. Para desestabilizar nossas duvidas e nos fazer ver, acreditar,e sentir em meio ao temporal, em meio a escuridão de nossos olhos ,e, em meio a falta de sensibilidade de nossas almas, que Ele é fiel, e que sua verdade é a que nos faz viver e vencer nossas duvidas, e os demais problemas de nossas vidas.

A duvida de Tomé foi vencida pela aparição do mestre. Agora, Tomé não estava mais só. Ele estava com os irmãos reunidos, e foi justamente nessa hora que Jeus fez o milagre em sua vida. Tomé voltou a ser crente, eis, a sua confissão " ..Senhor meu e Deus meu!" exclamou Tomé.

Suas duvidas serão vencidas no ambiente da igreja, no convivio com os santos. É nesse contexto que Cristo vai se revelar pra VOCÊ mediante sua palavra. Fazendo tua alma triunfar sobre a duvida.

Deixe que a verdade de Deus ( A Palavra de Deus ) faça a diferença em sua vida, e que a mesma seja lâmpada para os seus pés e luz para o seu caminho.

3. Em Sua Crise de Fé Ele Foi Corajoso

Corajoso pra falar o que sentia, o que carregava dentro do peito, da alma. Tomé era um cara arretado, como se diz no nordeste. As pessoas param pra falar mau de Tomé. Hoje, ele é o simbolo maior da incredulidade. Entretanto, poucos sabem quem realmente foi Tomé. Era ele um homem de Deus, um discipulo, um crente fiel. A crise que ele atravessou não o faz menos crente, que eu, ou você. Até porquê quem nunca passou por um momento de crise em sua espiritualidade? Ninguém.

Tomé tinha coragem de colocar pra fora, de ser verdadeiro, de se expor. Tomé não usava mascaras. O que me chama atenção é que o texto não diz em momento algum, se os discipulos foram, ou não, a procura de Tomé para conduzi-lo ao covivio dos discipulos. Provavelmente não foram. por quê? dizer na igreja que está fraco assusta, incomoda os irmãos, é assinar o atestado de crente vazio.

Geralmente quando se faz a pergunta na igreja " quem está fraco ou triste, e alguém responde com um amém". Logo, se escuta rapidinho, " O SANGUE DE CRISTO TEM PODER ", como se o crente não pudesse ficar triste, com raiva, com duvidas ou cansaço na alma.

Ha igreja em particular precisa aprender a tratar seus filhos em crise. Precisa visita-los, ampara-los. Chega de hipocrisia, chega da sindrome do super-crente. Ninguém está por cima o tempo todo. Todo mundo tem problemas que mais cedo ou mais tarde irão estourar. Os problemas nunca vão desaparecer nesta sinuosa e bela existencia. Os problemas existem para serem resolvidos. Para se extrair lições deles. Igreja deve ser o lugar onde devemos ser tratados e curados.

Quando Tomé colocou pra fora o que estava lhe incomodando. Jesus o tratou. Ele não foi lançado fora, foi restaurado por Jesus. Sua atitude humanamente falando foi uma loucura, um ato de desespero. Para Jesus foi a oportunidade de trata-lo, de Curar a alma de Tomé, que se encontrava cansada, enferma e conturbada. Em nenhum momento, Tomé deixou de ser bem-aventurado, o texto biblico não afirma isso em nenhum momento. Tenho certeza que Tomé se em caixa em alguma das bem aventuraças do monte.

Conclusão

Nos momentos de crise não fique só procure a igreja, o pastor. Em crise procure não duvidar da Palavra de Deus. Creia em Deus e em sua Palavra independente de qualquer coisa. Caso você, seja tomado pela duvida, descrença, isolacionismo ou individualismo. Seja corajoso, abra seu coração, sua alma e seja tratado por Jesus.

terça-feira, 10 de março de 2009

UMA MULHER CHAMADA DORCAS

MENSAGEM PREGADA NA IGREJA PRESBITERIANA DE ARAPIRACA- AL EM 07/03/09 .
P OR 
Missionario, Taciano Cassimiro

TEXTO: ATOS 9.36 - 43


Ana Kime no ano de 1545 na Inglaterra, foi acusada de heresia, interrogada por duas vezes e, lançada na prisão. Torturada no cavalete ( instrumento usado para torturar). Convidada a negar a fé evangelica. Entretanto Ana Kime resistiu bravamente e orou da seguinte forma " ..dou graças a meu Senhor Deus pela sua eterna misericordia. Ele deu me forças para persistir na minha fé, e espero que hei de resistir até o fim". Ana foi amarrada pela cintura em um poste e, em seguida queimada viva. Suas palavras finais foram as seguintes: " prefiro morrer do que negar a fé ".

Ana Kime pode ser vista como um grande exemplo de fé. Uma mulher que independente das provações continuou fiel ao seu Deus.

Que todos possam seguir seu exemplo!
 
Na cidade de Jope um antigo porto do mar ( atualmente Jafa, ao sul de Tel Aviv ), cerca de 60 Km a noroeste de Jerusalém. Havia uma mulher que entrou para a história do povo de Deus por ter sido uma pessoa que fez a diferença em seus dias, em sua epoca.
"Uma mulher chamada Dorcas" é o tema de nossa reflexão. 

Vamos aprender com essa mulher, caracteristicas e virtudes importantissimas para o crescimento do Reino de Deus e , para Gloria de Deus.

1. Dorcas era uma DISCIPULA.
Discipulo (a) é um aprendiz ou seguidor de outro. É o que vive em conformidade com os ensinamentos de seu mestre e, nesse caso é alguém que segue as pisadas de Cristo.

Dorcas seguia os passos de Cristo!
Dorcas andava, falava, se relacionava com as pessoas como seu mestre Jesus.

Dorcas era uma discipula e isso é muito importante. Ha historia de Dorcas começa dizendo que ela era uma " DISCIPULA".

Que todos possam seguir seu exemplo.
2. Dorcas era uma mulher notavel.

Ela era digna de nota, atenção, ou apreço ou louvor. Pessoa ilustre. Extraordinaria.

Existem mulheres que são notaveis pela capacidade de fazer o mau, falar da vida alheia, pela preguiça ou mentira. Mulheres que fazem lembrar as personagens mas sinistras e malignas da televisão como uma antiga vilã das novelas ODETE HOTMAN que era super maldosa e mesquinha. Sem contar o exemplo recente da novela " A FAVORITA ", FLORA, que era invejosa, destruidora, assassina e sem afeto.
Infelizmente exsitem pessoas assim na Igreja.

Dorcas era notavel pelas boas obras que praticava.Por isso, era amada. O ibope de Dorcas estava nas alturas.

Dorcas se relacionava bem com as pessoas. Quando ela morreu houve muito choro. Todos sabiam que Dorcas jogava no time do bem.

Dorcas não podia continuar morta naquele momento e ,por isso, Deus operou um milagre em sua vida por meio do apostolo Pedro.

Dorcas era notavel e continua sendo e ,por isso, estamos aprendendo com ela noções basicas do que é ser cristão.

3. Dorcas era um instrumento de Deus

. Para dar amor aos desamados;
. para dar veste aos descamisados
. Para dar agasalho protegendo assim os humildes do mau tempo.

A Madre Tereza de Calcutá disse certa vez " A FALTA DE AMOR É A MAIOR DAS POBREZAS ". DORCAS TINHA AMOR DE SOBRA.

Dorcas era uma verdadeira benção nas mãos de Deus!

E finalmente, Dorcas era uma mulher que conduzia muitos aos pés de Cristo.
Atravéz de sua vida de piedade e amor cristão.

Suas boas obras e o milagre de Deus em sua vida seviram de sino para atrair muitas pessoas aos pés da cruz.

Conclusão
Que Deus levante mulheres cuja a fé em sem fingimento como Loíde e Eunice 2 tM 1.5. Cuja a vida seja um exemplo de fé e oração como Ana I Sm 1. 12-18. E cuja a vida seja SEMELHANTE a de Dorcas.















sábado, 7 de março de 2009

Rubem Alves




"Enquanto a sociedade feliz não chega, que haja pelo menos fragmentos de futuro em que a alegria é servida como sacramento, para que as crianças aprendam que o mundo pode ser diferente. Que a escola, ela mesma, seja um fragmento do futuro..."


Rubem Alves nasceu no dia 15 de setembro de 1933, em Boa Esperança, sul de Minas Gerais, naquele tempo chamada de Dores da Boa Esperança. A cidade é conhecida pela serra imortalizada por Lamartine Babo e Francisco Alves na música "Serra da Boa Esperança".


A família mudou-se para o Rio de Janeiro, em 1945, onde, apesar de matriculado em bom colégio, sofria com a chacota de seus colegas que não perdoavam seu sotaque mineiro. Buscou refúgio na religião, pois vivia solitário, sem amigos. Teve aulas de piano, mas não teve o mesmo desempenho de seu conterrâneo, Nelson Freire. Foi bem sucedido no estudo de teologia e iniciou sua carreira dentro de sua igreja como pastor em cidade do interior de Minas. No período de 1953 a 1957 estudou Teologia no Seminário Presbiteriano de Campinas (SP), tendo se transferido para Lavras (MG), em 1958, onde exerce as funções de pastor naquela comunidade até 1963.Casou-se em 1959 e teve três filhos: Sérgio (1959), Marcos (1962) e Raquel (1975). Foi ela sua musa inspiradora na feitura de contos infantis.Em 1963 foi estudar em Nova York, retornando ao Brasil no mês de maio de 1964 com o título de Mestre em Teologia pelo Union Theological Seminary. Denunciado pelas autoridades da Igreja Presbiteriana como subversivo, em 1968, foi perseguido pelo regime militar. Abandonou a igreja presbiteriana e retornou com a família para os Estados Unidos, fugindo das ameaças que recebia.


Lá, torna-se Doutor em Filosofia (Ph.D.) pelo Princeton Theological Seminary.Sua tese de doutoramento em teologia, “A Theology of Human Hope”, publicada em 1969 pela editora católica Corpus Books é, no seu entendimento, “um dos primeiros brotos daquilo que posteriormente recebeu o nome de Teoria da Libertação”.De volta ao Brasil, por indicação do professor Paul Singer, conhecido economista, é contratado para dar aulas de Filosofia na Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Rio Claro (SP).


Em 1971, foi professor-visitante no Union Theological Seminary.Em 1973, transferiu-se para a Universidade Estadual de Campinas – UNICAMP, como professor-adjunto na Faculdade de Educação.No ano seguinte, 1974, ocupa o cargo de professor-titular de Filosofia no Instituto de Filosofia e Ciências Humanas (IFCH), na UNICAMP.É nomeado professor-titular na Faculdade de Educação da UNICAMP e, em 1979, professor livre-docente no IFCH daquela universidade. Convidado pela "Nobel Fundation", profere conferência intitulada "The Quest for Peace".


Na Universidade Estadual de Campinas foi eleito representante dos professores titulares junto ao Conselho Universitário, no período de 1980 a 1985, Diretor da Assessoria de Relações Internacionais de 1985 a 1988 e Diretor da Assessoria Especial para Assuntos de Ensino de 1983 a 1985.No início da década de 80 torna-se psicanalista pela Sociedade Paulista de Psicanálise.Em 1988, foi professor-visitante na Universidade de Birmingham, Inglaterra. Posteriormente, a convite da "Rockefeller Fundation" fez "residência" no "Bellagio Study Center", Itália.


Na literatura e a poesia encontrou a alegria que o manteve vivo nas horas más por que passou. Admirador de Adélia Prado, Guimarães Rosa, Manoel de Barros, Octávio Paz, Saramago, Nietzsche, T. S. Eliot, Camus, Santo Agostinho, Borges e Fernando Pessoa, entre outros, tornou-se autor de inúmeros livros, é colaborador em diversos jornais e revistas com crônicas de grande sucesso, em especial entre os vestibulandos. Afirma que é “psicanalista, embora heterodoxo”, pois nela reside o fato de que acredita que no mais profundo do inconsciente mora a beleza.


Após se aposentar tornou-se proprietário de um restaurante na cidade de Campinas, onde deu vazão a seu amor pela cozinha. No local eram também ministrados cursos sobre cinema, pintura e literatura, além de contar com um ótimo trio com música ao vivo, sempre contando com “canjas” de alunos da Faculdade de Música da UNICAMP.O autor é membro da Academia Campinense de Letras, professor-emérito da Unicamp e cidadão-honorário de Campinas, onde recebeu a medalha Carlos Gomes de contribuição à cultura.


Bibliografia:CrônicasAs contas de vidro e o fio de nylon, Editora Ars Poética (São Paulo)Navegando, Editora Ars Poética (São Paulo)Teologia do cotidiano, Editora Olho D'Água (São Paulo)A festa de Maria, Editora Papirus (Campinas)Cenas da vida, Editora Papirus (Campinas)Concerto para corpo e alma, Editora Papirus (Campinas)E aí? - Cartas aos adolescentes e a seus pais, Editora Papirus (Campinas)O quarto do mistério, Editora Papirus (Campinas)O retorno eterno, Editora Papirus (Campinas)Sobre o tempo e a eterna idade, Editora Papirus (Campinas)Tempus fugit, Editora Paulus (São Paulo)Livros InfantisA menina, a gaiola e a bicicleta, Editora Cia das Letrinhas (SP)A boneca de pano, Edições Loyola (SP)A loja de brinquedos, Edições Loyola (SP)A menina e a pantera negra, Edições Loyola (SP)A menina e o pássaro encantado, Edições Loyola (SP)A pipa e a flor, Edições Loyola (SP)A porquinha de rabo esticadinho, Edições Loyola (SP)A toupeira que queria ver o cometa, Edições Loyola (SP)Estórias de bichos, Edições Loyola (SP)Lagartixas e dinossauros, Edições Loyola (SP)O escorpião e a rã, Edições Loyola (SP)O flautista mágico, Edições Loyola (SP)O gambá que não sabia sorrir, Edições Loyola (SP)O gato que gostava de cenouras, Edições Loyola (SP)O país dos dedos gordos, Edições Loyola (SP)A árvore e a aranha, Edições Paulus (SP)A libélula e a tartaruga, Edições Paulus (SP)A montanha encantada dos gansos selvagens, Edições Paulus (SP)A operação de Lili, Edições Paulus (SP)A planície e o abismo, Edições Paulus (SP)A selva e o mar, Edições Paulus (SP)A volta do pássaro encantado, Edições Paulus (SP)Como nasceu a alegria, Edições Paulus (SP)O medo da sementinha, Edições Paulus (SP)Os Morangos, Edições Paulus (SP)O passarinho engaiolado, Editora Papirus (Campinas)Vuelve, Pájaro Encantado, Sansueta Ediciones SA (Madrid, España)Filosofia da Ciência e da EducaçãoA alegria de ensinar, Editora Ars Poética (SP)Conversas com quem gosta de ensinar, Editora Ars Poética (SP)Estórias de quem gosta de ensinar, Editora Ars Poética (SP)Filosofia da Ciência, Editora Ars Poética (SP)Entre a ciência e a sapiência, Edições Loyola (SP)Filosofia da ReligiãoO enigma da religião (Campinas, Papirus)L' enigma della religione (Roma, Borla)O que é religião? (S. Paulo, Brasiliense)What is religion? (Maryknoll, Orbis)Was ist religion? (Zurich, Pendo)Protestantismo e Repressão (S. Paulo, Ática)Protestantism and Repression (Maryknoll, Orbis)Dogmatismo e Tolerância (S. Paulo, Paulinas)O suspiro dos oprimidos (S. Paulo, Paulinas)BiografiasGandhi: A Magia dos gestos poéticos (S. Paulo/Campinas, Olho D'Água/Speculum)TeologiaA Theology of Human Hope (Washington, Corpus Books)Christianisme, opium ou liberation? (Paris, Éditions du Cerf)Teologia della speranza umana (Brescia, Queriniana)Da Esperança (Campinas, Papirus)Tomorrow's child (New York, Harper & Row)Hijos del manana (Salamanca, Siguime)Il figlio dei Domani (Brescia, Queriniana)Teologia como juego (Buenos Aires, Tierra Nueva)Variações sobre a vida e a morte (São Paulo, Paulinas)Creio na ressurreição do corpo (Rio de Janeiro, CEDI)Ich glaube an die Auferstehung des Leibes (Dusseldorf, Patmos VERLAG)I believe in the resurrection of the body (Philadelphia, Fortress Press)Je crois en la résurrection du corps (Paris, Éditions du Cerf)Poesia, Profecia, Magia (Rio de Janeiro, CEDI)Der Wind blühet wo er will (Dusseldorf, Patmos)Pai nosso (Rio de Janeiro, CEDI)Vater Unser (Dusseldorf, Patmos)The Poet, the Warrior, the Prophet (London, SCM Press)Parole da Mangiari (The Poet, the Warrior, the Prophet), Edizioni Qiqajon Comunitá di Bose (Itália)VídeosO SímboloVisões do Paraíso (realizado para apresentação na ECO -92)Conversando com quem gosta de ensinar
Dados extraídos de livros do autor e de sítios da Internet.
Visitem "A casa de Rubem Alves".

sexta-feira, 6 de março de 2009

Por Que o Justo Sofre?

Texto: II Co 12. 7-10.

Por Taciano Cassimiro

Exórdio: Filósofos, teólogos, cristãos e pessoas dos mais diferentes credos religiosos fazem a mesma pergunta: Por Que o Justo Sofre?

Introdução: O patriarca Jó á 1500 A.c. Mesmo sendo um homem integro, e reto, temente a Deus e que se desviava do mal se deparou com essa problemática: Por Que o Justo Sofre?

O profeta Habacuque por volta do ano 607 A.c. também se deparou com o mesmo questionamento a ponto do profeta indagar “ Até Quando Senhor “. O seu “ até quando “ não era um desaforo, mas sim um grito de angústia. Na tentativa de saber “Por Que o Justo Sofre?”.

O apostolo Paulo no ano 57 A.d. Escreve a segunda carta aos corintios com o propósito de (1) expressar alegria pela reação favorável da igreja ao seu ministério; (2) relembrar os crentes seu compromisso para com a oferta aos cristãos da Judéia e (3) defender sua autoridade apostólica.
A carta de Paulo aos corintios gira em torno do tema que há muitos anos atrás fora suscitados por patriarcas, profetas e outros santos. Ou seja, “Por Que o Justo Sofre?”.
Os a pertos da vida de Paulo foram tão terríveis cuja lista torna-se até cansativa em 2 Co 11. 16 – 33. Sabe-se que em determinado momento O APOSTOLO PAULO chegou a desesperar da própria vida, por causa dos sofrimentos, 2 Co 1.8-9.

Mas afinal “Por Que o Justo Sofre?”.

I. Em Alguns Casos Deus Não Nos Revela o Motivo do Sofrimento.

. Jó não recebeu maiores explicações acerca de seu sofrimento. Nem passava pela sua cabeça que todo seu · sofrimento começou de uma aposta “ entre Deus e o Diabo”.

· Nem sempre Deus nos diz o PORQUE do nosso sofrimento, dores e pesares.

II. Em Alguns Casos Deus Revela “ O Porque do Sofrimento “.

No caso de Paulo o sofrimento ( ..espinho na carne. ) tinha como propósito benéfico mantê-lo humilde.

Todos têm um espinho na carne para se queixar. Ninguém quer sentir dores, perseguições, rejeições e injúrias.
Para o apostólo Paulo a “atuação do Poder de Cristo nele era mais importante do que a ausência de dor”.

III. Em Meio “ Aos Sofrimentos “ o Justo Poderá Sempre Contar com “ A Graça de Cristo “.

Para o apostolo “ A Graça de Deus “ lhe bastava.

Quando a Graça de Deus se manifesta?

(3.1) Quando os problemas parecem ser insolúveis 2 Rs 4. 1- 7.
(3.2) Quando todo mundo diz : acabou “ sua filha já está morta, Mc 5.35“.
(3.3) Quando Os Sofrimentos da Vida parece que vai nos sucumbir, Deus manifesta a sua Graça “ A Minha Graça Te Basta “.

Conclusão:

Mesmo que a pergunta não seja respondida de forma satisfatória aos nossos ouvidos, mente e coração. Devemos nos contentarmos com a certeza de que A GRAÇA DE DEUS NOS BASTA!!!!!

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

Tema: Quando os problemas da vida nos impedem de ver Deus..
Texto: João 4.1-42.

Pregado na Congregação Presbiteriana da Primavera

Missionário,Taciano Cassimiro


Exórdio: Comentários sobre “Os samaritanos".

Narração

A vida nossa de cada dia é marcada por vários momentos distintos. Momentos de alegria, de tristeza, de extrema euforia e de experiências marcantes na presença de Deus.
A vida da mulher da qual iremos refletir é uma prova de como as circunstâncias da vida, muitas vezes nos impedem de enxergar O Deus Todo Poderoso.
Iremos mostrar os três problemas que impedia a mulher samaritana de ver Deus embora estivesse conversando com Ele. ( Talvez alguém nesta noite esteja nessa condição ).

I. O Problema Religioso

Ela era da religião samaritana (A religião lhe cegava a visão do reino de Deus e do Próprio Deus).
A religião estava acima de qualquer coisa para ela ( eu vou morrer na minha religião). Obs. Os samaritanos tinham até Bíblia própria.
A religião tem afastado muitas pessoas de Deus.

Muitos só enxergam a religião!


II. O Problema do Preconceito

É Doloroso ser rejeitado
Ela era rejeitada por ser mulher
Ela era rejeitada por ter tido mais de um marido
Ela era rejeitada por ser samaritana
Ela era rejeitada por ser de uma religião diferente


III. O Problema de um erro na Vida

Vida de adultério:

. Naqueles dias o adultério era punido com morte;

Seus casos de amor lhe roubaram a esperança, a confiança nas pessoas e, talvez, até mesmo em Deus (muitos erroneamente culpam a Deus por seus sofrimentos);

Aquela era mais uma manhã sem esperança; sem significado e de cansaço. E era mais uma manhã que não deu certo.

“ Um erro na vida, não poder ser uma vida de erro “


Conclusão

Quando os problema da vida rouba-nos a percepção de Deus.

As tempestades da vida (doenças, desemprego e outros); Os desencontros na vida afetiva. Os desencontros na comunidade religiosa. As conseqüências do pecado (dor, revoltas, separações). Muitas vezes os problemas da vida nos tiram a percepção de Deus. Mesmo ele estando do nosso lado e batendo papo conosco. Mais graças a Deus que ele não desisti de nós.

Ela entrou na tarde com cores de ressurreição, pois Jesus lhe abriu os olhos para ela enxergá-lo, e por ele ser salva.
Batalha Espiritual no Nível Individual
Ministrado na Igreja Assembleia de Deus no ano de 2001 no bairro de Cruz das Almas - Maceió/AL
INTRODUÇÃO

I. A Primeira tentação é a de tentar absolutizar o desejo humano.


Essa tentação busca fazer do desejo humano a medida maior, a referencia mais importante, em função da qual a vida pode ser orientada.


Desejo do corpo
“ Então o tentador , aproximando-se lhe disse: Se és Filho de Deus, manda que estas pedras se transformem em pães. MT 4.3 “.

Desejo da alma
“ Se és Filho de Deus, atira-te abaixo, porque está escrito: Aos seus anjos ordenará a teu respeito; e : Eles te sustentarão nas suas mãos, para não tropeçares nalguma pedra. Mt 4.6”.

Desejo do espírito
“ Levou-o ainda o diabo a um monte muito alto, mostrou-lhe todos os reinos do mundo e a gloria deles, e lhe disse: Tudo isto te darei se prostrado me, adorares. Mt 4.8-9”.


II. A Segunda tentação é a de tentar manipular o sagrado na vida humana.


Isto é muito sério, porque se faz alusão ao poder de se operarem milagres: transformar pedras em pães.

(....) manda que estas pedras se transformem em pa~es. Mt 4.3.

tentativa de manipulação do poder da promessa de Deus Salmos 91.11-12:

Se és filho de Deus, atira-te abaixo , porque está escrito: aos seus anjos ordenará a teu respeito; e : Eles te sustentarão nas suas mãos, para não tropeçares nalguma pedra. Mt 4.6.

O Diabo é especialista em perverter o sagrado freqüentemente, ele é capaz de transformar o milagre em charlatanismo; transformar a promessa genuína de Deus em heresia; o serviço caridoso ao próximo em negócio.

III. A terceira tentação é a de tentar absolutizar o papel da dimensão econômico-social do marketing e da política.


IV. A terceira tentação é a de tentar criar a filosofia de que os fims justificam os meios.


Essa filosofia nos atinge cotidianamente nas mais variadas áreas da nossa vida, seja profissionalmente, seja nos nossas opções políticas, seja no modo através do qual vemos o mundo e as pesssoas ao nosso redor.

Em síntese, o que o diabo está dizendo é :

- Para comer, para se promover e para conquistar, vale tudo!

V. A quinta tentação é a de tentar desviar o foco histórico de Deus para o homem.

Quando o Diabo se aproxima de Jesus, ele tenta de toda forma tirar o foco de Deus e desviá-lo para Jesus.

(....) Se és Filho de Deus, manda que estas pedras se transformem em pa~es. Mt 4.3.

(....) Se és Filho de Deus, atira-te abaixo.... Mt 4.6.

Preucupam-me todas as manifestações de espiritualidade que colocam um homem ou uma mulher contra a parede, forçando-os a darem uma demonstração de quem eles são.



VI. A sexta tentação é a de tentar criar a mentalidade utilitária do mundo espiritual.

Na primeira tentação Mt 4.3. o diabo estava querendo dizer a Jesus : - Se há poder em ti, esse poder tem que estar a seu serviço.

Na segunda tentação Mt 4.6, o diabo está querendo dizer a Jesus o seguinte: Se a palavra de Deus serve para alguma coisa ela tem que ser útil, no momento em que tu precisares.

Na terceira tentação Mt 4-9, o diabo quis dizer a Jesus: - Basta que tu me adores, para que tenhas tudo quanto queres.

É perigosa e diabólica a espiritualidade utilitária, uma vez que ela concebe a Deus, como Deus, apenas como fonte de bênçãos.


VII. A sétima tentação é a de tentar gerar desapontamento em relação á palavra de Deus.

Um dos ardis a que o diabo constantemente recorre é o de produzir dentro do coração humano o descrédito, a tristeza, a frustração, o abatimento e o cansaço em relação a palavra do Senhor ( Salmo 91 ).

VIII. A oitava tentação é a de tentar fazer a relação com o poder e com a autoridade ser mais importante que a relação com a vontade de Deus para a vida humana.


É tentação extremamente sutil e diabólica a de tentar fazer que a nossa relação com o poder e com a autoridade seja mais importante do que a nossa relação com a vontade de Deus. O diabo aproxima-se de Jesus e lhe diz: - olha, Jesus, os reinos são meus. Eu os darei a ti. Tu queres poder e autoridade? Eu os tenho para te dar!


CONCLUSÃO

Cristo venceu todas as tentações propostas por Satanás, mediante o poder da Palavra:

1) Jesus, porém, respondeu: Está escrito: Não só de pão viverá o homem, mas de toda palavra que procede da boca de Deus. Mt 4.4.


2) Respondeu-lhe Jesus : Também está escrito: Não tentarás o Senho teu Deus. Mt 4.7.


3) Então Jesus lhe ordenou: Retira-te Satanás, porque está escrito: Ao Senhor teu Deus adorarás, e só a ele darás culto. Mt 4.10.


Fiz um resumo dos pontos principais do livro do Rev. Caio Fabio

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