quinta-feira, 2 de setembro de 2010

KARL BARTH (1886-1969)

Karl Barth foi um dos maiores pensadores protestantes do século XX. Karl Barth nasceu em Basel, Suíça, no dia 10 de maio de 1886. Barth foi um teólogo de confissão calvinista. Filho de pais religiosos, foi educado em meio a pastores conservadores. Suas influências acadêmicas foram Kant, Hegel, Kierkegaard e teólogos como Calvino, Baur, Harnack e Hermann. Até 1911, ainda jovem, esteve Karl Barth vinculado ao protestantismo liberal antidogmático e modernista de Adolf von Harnack (1851-1930), invertendo a seguir sua posição. Em 1911 começou a pastorear uma pequena igreja do interior da Suíça e aí ficou até 1925. Durante esses anos conheceu Eduard Thuneysen, amigo que acompanhou e contribuiu em suas reflexões teológicas. Nessa época seu grande desafio era o que pregar a cada domingo. Em 1914, ele e Thuneysen resolveram buscar uma resposta ao desafio da pregação. Durante quatro anos, Thuneysen estudou Schleiermacher e Barth estudou Paulo. Como fruto desses estudos, em 1919, Barth publicou seu Comentário à Epístola aos Romanos.

Estudou em Berna, Berlim, Tuebingen, Marburgo. Algum tempo pastor em Genebra e em Safenwil. A partir de 1921 passou a ensinar teologia na universidade alemã de Goettingen; em 1925, na de Muenster; em 1930, na de Bonn. Em 1935, por sua atitude anti-nazista, foi obrigado por Hitler a refugiar-se em Basiléia, de cuja universidade foi professor, onde lecionou até 1961. Na Alemanha, deu ainda, na qualidade de professor estrangeiro, lições em Bonn, em 1946 e 1947.

Karl Barth faz parte da chamada “teologia dialética” ou “da crise”, junto a J. Moltmann, E. Brunner, R. Bultmann, F. Gogarten e outros. Barth deu nome a um movimento: o barthismo, que propõe uma total e coerente adesão à Palavra de Deus, equivalente ao objetivismo da revelação bíblica e ao fato histórico da encarnação, contra o imanentismo da cultura moderna geral e em particular do “protestantismo liberal”. Procurou renovar a teologia desvinculando-a da tradição fideísta de Schleiermacher (1768-1834), para recolocá-la na reforma do século 16. A teologia de Barth é uma reação frente a Schleiermacher e, em geral, contra a cultura do Romantismo e do Iluminismo.Barth rejeitou a analogia entre Deus e a criatura, para destacar a transcendência divina, advertindo que somente é válida a via negativa de acesso a Deus, de acordo com a expressão de Kierkegaard sobre a infinita diferença qualitativa entre o tempo e a eternidade.

Com o destaque da transcendência divina abriu largo espaço entre Deus e o homem. Abandonado o homem existencialmente a si mesmo, não tendo senão a fé como caminho para o alto. Cristo é o intermediário, como se diz na Epístola aos Romanos, e comentada por Barth. A teologia de Barth recebe muitos nomes: teologia da crise, teologia dialética, teologia kerigmática,teologia da Palavra.

Participou, como observador, do Concílio Vaticano II. A doutrina de Barth está presente em seus numerosos discípulos e em sua extensa e valiosa obra escrita. Destacamos seu monumental Die Kirchliche Dogmatik (10 vols., 1955) e o Comentario à epístola aos Romanos (1919); Humanismus (1950), e outras.

Karl Barth faleceu em dezembro de 1969.

Podemos sintetizar sua teologia nos seguintes pontos:
1) Barth destaca a absoluta transcendência de Deus. Deus é o único positivo, o ser. O homem, no entanto, da mesma forma que o mundo, é a negação, o não ser. Justamente por não ser nada, o homem não tem a possibilidade de autoredenção; nem ao menos de conhecer Deus, mas somente de saber que não o conhece.

2) A iniciativa vem de Deus, que irrompe no mundo do homem através de sua revelação e palavra. A teologia de Barth é, por isso, a teologia da palavra. A revelação de Deus é o objeto da teologia. Barth centra toda a sua atenção na revelação e palavra de Deus na Bíblia.

3) Barth vê a revelação de Deus na Bíblia como algo dinâmico, não estático. A palavra de Deus, diz Barth, não é um objeto que nós controlamos como se fosse um corpo morto que podemos analisar e dissecar. Na realidade é como um sujeito que nos controla e atua sobre nós. E essa Palavra é capaz de nos fazer reagir de um jeito ou de outro.

4) A Palavra de Deus é o acontecimento mediante o qual Deus fala e se revela ao homem através de Jesus Cristo. E como isto se torna realidade? A Bíblia, Palavra escrita de Deus, é a testemunha do acontecimento da Revelação de Deus. O Antigo e o Novo Testamento colocam Jesus Cristo como o “Cordeiro de Deus”, anunciado por João Batista. Por isso, sem dúvida, desde seus primeiros anos como pastor, Barth teve sobre sua mesa a pintura de Grünewald em que João Batista mostra Jesus Cristo crucificado.

5) Hoje, através da Palavra proclamada, a Igreja é testemunha da Palavra revelada. Sua proclamação baseia-se na palavra escrita, a Bíblia. Deus serve-se desta palavra proclamada e escrita, e se transforma em palavra revelada de Deus, quando ele quer falar-nos através dela.

A ênfase da teologia de Barth está na revelação de Deus em Jesus Cristo. A única palavra de Deus está em Jesus Cristo. Toda relação de Deus com o homem se dá em Cristo e através de Cristo. Em sua forma negativa, isto significa a exclusão da teologia natural. Positivamente, tudo deve ser visto e interpretado a partir de Cristo ou, empregando a expressão barthiana, a partir da “concentração cristológica”. O pecado original não pode ser entendido independentemente de Cristo. A fé também não é fruto de um raciocínio nem está fundamentada em um sentimento subjetivo. “Em Jesus Cristo não há separação do homem de Deus, nem de Deus do homem.”


Barth prega que “a mensagem da graça de Deus é mais urgente que a mensagem da Lei de Deus, de sua ira, de sua acusação e de seu juízo”. A teologia de Barth exerceu e continua exercendo uma influência decisiva na constante procura da palavra autêntica e verdadeira de Deus. Sua condição de “crente” que não invoca nenhum mérito diante de Deus é o melhor estímulo para os cristãos de todos os tempos.


Produziu obra volumosa, ainda que sob poucos títulos:- Comentário à epístola aos romanos (1919);- O cristão na sociedade (1920);- A ressurreição dos mortos (1924);- A palavra de Deus e a teologia (1925);- A dogmática cristã (26 vols, 1932-1969);- A teologia protestante no século 19 (1947).

terça-feira, 31 de agosto de 2010

Karl Barth, o inferno e a imortalidade da alma

angelico63jpg_1Excertos dos Comentários de Karl Barth ao Credo Apostólico, especificamente quanto aos artigos:- Foi crucificado, morto e sepultado, desceu ao inferno...- De onde virá para julgar os vivos e os mortos...
"Finalmente, se, sem cessar de ser Deus, Deus em Jesus Cristo adentrou na provação, se Jesus Cristo desceu ao inferno e, assim, até duvidou de Si próprio como sendo um Deus e homem, que mais podemos supor a não ser que Ele fez isso por nós também, e, assim, livrou-nos disto? Não é mais necessário irmos ao inferno. Não mais precisaremos ir ao inferno para lá perguntarmo-nos: por que Deus nos desamparou? Se pensamos que temos lugar para esta questão, devemos considerar que Jesus Cristo a fez há muito tempo e a respondeu em nosso lugar. Como pôde o Seu caminho para o inferno ter sido outro que não o de um caminho vitorioso? E por este caminho vitorioso Ele fez uma pausa para que tomássemos fôlego; isto é a paz que guarnece nossos corações e mentes, que é e continua a ser paz em face de toda provação, pois, além de toda compreensão, esta é a Sua própria paz, a paz de Deus".

(BARTH, Karl. Credo. Comentários ao Credo Apostólico. São Paulo: Novo Século, 2003. p. 102)

heavenpa048-791283"Ele, em quem a compaixão de Deus conquistou a natureza humana; Ele divide naquilo que Ele decide; Ele coloca a ovelha sobre a mão direita, e as cabras na esquerda; Ele recompensa os que fazem boas obras e pune os que fazem obras do mal; Ele conduz à felicidade eterna e lança no tormento eterno. Na verdade, ter que encarar esta decisão e divisão é um assunto muito sério. Mas, a seriedade deste julgamento é divina e não meramente uma seriedade humana qualquer, mesmo da mais alta religiosidade e moral, ou da mais profunda seriedade teológica. Aqui o primeiro torna-se o último, e o último o primeiro, e a medida usada para medir será o valor presente da graça irrestrita em nossa vida e, portanto, nenhuma medida humana. Observe que mesmo a melhor camuflagem teológica e defesas não irão nos ajudar. Nem todos os ortodoxos, nem todos os beatos, nem mesmo todos os seguidores do Kohlbrügge entrarão no céu! Os olhos do Filo de Deus verão sempre muito mais agudamente que quaisquer olhos humanos. Provavelmente mesmo os supostos publicanos que nunca poderiam obter seus suprimentos de louvada "graça, a graça inteira e nada senão a graça", são aqui desmascarados como fariseus, e todas as espécies de aparentes fariseus com um coração publicano, que somente Deus conheceu, irão voltar para suas casas justificados. Iniqüidade que depois de tudo é para ser reconhecida como o único, real e imperdoável pecado, o pecado contra o Espírito Santo; é sempre um pouco mais obscuro, na atua realidade, do que alguém poderia muito bem supor que fosse. Antes do julgamento de Cristo isto não permanecerá escondido. Aqui cada um será compensado de acordo com a sua obra, de acordo com a fé ou a descrença com que viverá pelo resto de seus dias. A fé ou a descrença na compaixão de Deus, porém isto não de acordo, alguma vez, com qualquer boa exposição acerca de uma ou de outra, mas de acordo com o quanto atualmente é vivida!"

(BARTH, Karl. Credo. Comentários ao Credo Apostólico. São Paulo: Novo Século, 2003. p. 127-128)
FONTE: http://www.e-cristianismo.com.b
Karl Barth
Karl Barth (10 de Maio de 1886—10 de Dezembro de 1968) foi um teólogo cristão-protestante , pastor da Igreja Reformada, e um dos líderes da teologia dialética e da neo-ortodoxia protestante.
Nasceu na Basiléia e foi criado em Berna (ambas na Suíça). De 1911 a 1921 foi pastor da aldeia de Safenwil no cantão de Aargau. Lecionou teologia em Bonn, Alemanha, mas, em 1935, recusou-se a apoiar Adolf Hitler e teve que deixar o país, retornando à Basiléia. Tornou-se um dos líderes da Igreja Confessante, grupo oposto ao Movimento Cristão Alemão. Foi o principal redator da Declaração Teológica de Barmen.
Originalmente treinado na Teologia Protestante Liberal, desapontou-se com ela devido aos males e horrores da Primeira Guerra Mundial.
Em algum momento de sua carreira teológica, migra da teologia puramente dialética e passa a utilizar a analogia da fé. Para ele, a analogia seria a única forma viável de se falar de Deus
Principais Obras
Suas principais obras são:
Fonte: WIKIPIDIA

KARL BARTH



Teólogo protestante suíço nascido em Basiléia, conhecido como o criador da teologia dialética do século XX. Estudou nas universidades de Berna, Berlim e Tübingen, e Marburg.

Foi editor-assistente do jornal Die Christliche Welt, pároco da Igreja Reformada Alemã em Genebra e pastor em Safenwill, ainda na Suíça. Lecionou teologia nas universidades alemãs de Göttingen, de Munique e de Bonn, de onde foi demitido pelo governo nazista (1935) e teve seus diplomas de teologia anulados devido a sua posição antinazista.

Voltando a Suíça, organizou a resistência dos pastores ao nacional-socialismo, dirigiu outros movimentos de âmbito internacional, defendeu os operários de Viena e os republicanos espanhóis. Com o fim da guerra, voltou à cátedra de Bonn, depois à de Basiléia, onde se aposentou (1961). Morreu em Basel e seus principais livros foram Der Römerbrief (1919) e Die Christliche Dogmatik (1932-1969), obra em 26 volumes.

Fonte: http://www.dec.ufcg.edu.br/biografias/

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010


Jesus é o Melhor Amigo
Texto: João 15.13-15
Por Taciano Cassimiro

Introdução
A natureza humana é carente de comunhão com seu semelhante. A Psicologia, ciência que estuda a natureza e comportamento humano, ensina-nos que toda pessoa precisa de alguém em quem possa confiar, para quem possa abrir seu coração, principalmente, nos momentos difíceis.

Há experiência humana é prova de que não temos conseguido êxito na busca de alguém que perfeitamente venha suprir nossas necessidades sentimentais e existenciais. Geralmente as pessoas que mais amamos, que mais confiamos são aquelas que mais nos decepcionam.

Até mesmo aqueles que costumamos chamar de amigos, nas horas de nossas aflições costumam nos deixar sozinhos, alguns até nos traem e outros ignoram a nossa dor. Entretanto existe um que sempre estar conosco, que sempre nos atende, que não ignora o nosso sofrer e que é o amigo de todas as horas e momentos. Seu nome é Jesus “ O Melhor Amigo”.

Elé é o melhor amigo:

1. Porque ele é o amigo das horas incertas

· Quando temos de passar pelo vale da sombra da morte ele estar conosco;
· Quando parece que tudo vai desmoronar sobre nós, ele estar conosco;
· Quando a solidão nos ameaça, ele é o nosso companheiro e consolador.

2. Porque ele é o amigo imutável

· Sua amizade é sempre a mesma, ela não muda. Entretanto a amizade humana é mutável, pois estar sujeita as circunstancias da vida e do relacionamento;
· A imutabilidade é própria de sua natureza divina, misericordiosa, amorosa e fiel.
· Exemplo do filho pródigo: as amizades do mundo são inseguras e passageiras Lc 15.11-32.

3. Porque ele é o amigo incomparável

· Ele é incomparável no seu amor para conosco;
· Ele é incomparável em perdoar e dar uma nova oportunidade, ex. Pedro Mc 16.7;
· Ele é incomparável em sua proteção.
Conclusão

Que duvida podemos ter de um amigo como Jesus? Nehuma!!!! Ele é o amigo certo, fiel, imutável. ELE É O MELHOR AMIGO, o amigo mais chegado que um irmão.
Ele deseja mudar sua vida, sua história. Retirar você da solidão, do ostracismo existencial e espiritual e ser seu amigo, seu melhor amigo. Não despreze o amigo chamado Jesus!

domingo, 3 de janeiro de 2010



O Que é Piedade?


Joel R. Beeke




Joel Beeke é pastor da igreja Heritage Reformed Congregation, em Grand Rapids, MI, EUA. É presidente, Deão acadêmico e catedrático de Teologia Sistemática e Homilética do Seminário Reformado Puritano. Possui Ph.D pelo seminário Westminster em Teologia Reformada e Pós-reforma. Pr. Beeke atua como preletor em diversas conferências em várias partes do mundo, inclusive o Brasil; é autor e co-autor de mais de 50 livros, alguns já em português, como o livro “Vencendo o Mundo” (Editora Fiel) e outros em processo de tradução. É casado com Mary Beeke com quem tem 3 filhos



As Institutas, escritas por João Calvino, fizeram-no receber o título de “o sistematizador preeminente da Reforma Protestante”. Com freqüência, a reputação de Calvino como um intelectual é vista separadamente do contexto pastoral e espiritual em que ele escreveu sua teologia. Para Calvino, o entendimento teológico e a verdade, a piedade e a utilidade prática são inseparáveis. Antes de tudo, a teologia lida com o conhecimento — conhecimento de Deus e de nós mesmos; mas não há conhecimento verdadeiro, onde não há piedade verdadeira.



O conceito de piedade (pietas) ensinado por Calvino se fundamentava no conhecimento de Deus, incluindo atitudes e ações direcionadas à adoração e ao serviço de Deus. Além disso, a pietas de Calvino incluía uma hoste de temas relacionados, tais como o amor nos relacionamentos humanos e o respeito à imagem de Deus nos seres humanos. Essa piedade é evidente em pessoas que reconhecem, por meio da fé experiencial, que foram aceitas em Cristo e enxertadas no corpo dEle, pela graça de Deus. Nesta “união mística”, o Senhor declara essas pessoas como pertencentes a Ele, tanto na vida como na morte. Elas se tornam povo de Deus e membros de Cristo pelo poder do Espírito Santo. Este relacionamento restaura-lhes o gozo da comunhão com Deus e recria-lhes uma nova vida. Liberta-as da escravidão ao mundanismo carnal.


O propósito deste texto é mostrar que a piedade de Calvino é uma resposta suficiente ao problema do mundanismo; seu conceito de piedade é algo que conquista o nosso coração. A piedade de Calvino é bíblica, com uma ênfase no coração mais do que na mente. A mente e o coração devem trabalhar juntos, mas o coração é mais importante.


A definição e a importância da piedade
Pietas é um dos grandes temas da teologia de Calvino. Como nos diz John T. McNeill, a teologia de Calvino é a “sua piedade descrita em profundidade”. Ele estava determinado a confinar a teologia aos limites da piedade. No prefácio dirigido ao rei Francisco I, Calvino afirma que o propósito em escrever as Institutas era “transmitir unicamente certos rudimentos pelos quais aqueles que possuem zelo pelo cristianismo podem ser moldados na verdadeira piedade [pietas]”.



Para Calvino, pietas designa a atitude correta de um homem para com Deus. É uma atitude que inclui conhecimento verdadeiro, adoração sincera, fé salvadora, temor filial, submissão e amor reverentes. Saber quem e como Deus é (teologia) envolve atitudes corretas para com Ele e fazer o que Ele deseja (piedade). Em seu primeiro catecismo, Calvino escreveu: “A verdadeira piedade consiste em um sentimento sincero que ama a Deus como Pai e O reverencia como Senhor; apropria-se de sua justiça e teme mais o ofendê-Lo do que o enfrentar a morte”. Nas Institutas, João Calvino é mais sucinto: “Chamo de piedade aquela reverência unida ao amor a Deus, o amor que é fruto do conhecimento de seus benefícios”. Esse amor e reverência para com Deus é um acompanhamento indispensável a qualquer conhecimento de Deus e abrange todos os aspectos da vida. Conforme afirmou Calvino: “Toda a vida dos crentes deve ser um tipo de prática da piedade”. O subtítulo da primeira edição das Institutas dizia: “Incluindo quase todo o resumo da piedade e qualquer coisa necessária para se conhecer a doutrina da salvação: Uma obra muito digna de ser lida por todos os zelosos por piedade”.Os comentários de Calvino também refletem a importância de pietas. Por exemplo, ele escreveu sobre 1 Timóteo 4.7-8: “Você fará algo de grade valor se, com todo o seu zelo e habilidade, se dedicar unicamente à piedade [pietas]. A piedade é o começo, o meio e o fim do viver cristão. Onde ela é completa, não há falta de nada... A conclusão é que devemos concentrar-nos, exclusivamente, na piedade, pois, uma vez que a tenhamos atingido, Deus não exige de nós qualquer outra coisa”. Comentando 2 Pedro 1.3, Calvino disse: “Quando Pedro fez menção da vida, acrescentou imediatamente a piedade [pietas], como se esta fosse a essência da vida”.


O alvo supremo da piedade: Soli Deo Gloria
O alvo da piedade, bem como de toda a vida cristã, é a glória de Deus — a glória que resplandece nos atributos de Deus, na estrutura do mundo, na morte e na ressurreição de Jesus Cristo. No que diz respeito a todos os que são verdadeiramente piedosos, o glorificar a Deus supera a salvação pessoal. Por isso, Calvino escreveu ao cardeal Sadoleto: “Não é uma teologia bastante saudável confinar os pensamentos de um homem a ele mesmo e não apresentar-lhe, como motivo fundamental de sua existência, o zelo pela glória de Deus... Estou convencido: não existe nenhum homem que possua a piedade verdadeira e não considere como insípida aquela extensa e laboriosa exortação em favor do zelo pela vida celestial, um zelo que o mantém totalmente dedicado a si mesmo e que não o desperta, nem mesmo por uma única expressão, a santificar o nome de Deus”.


O alvo da piedade — que Deus seja glorificado em nós — é aquilo para o que fomos criados. Portanto, o nascido de novo anela por vivenciar o propósito de sua criação original. De acordo com Calvino, o homem piedoso confessa: “Somos de Deus; vivamos e morramos para Ele. Somos de Deus; sejamos governados por sua sabedoria e vontade em todos os nossos atos. Somos de Deus; em harmonia com isso, devemos segui-Lo como nosso único objetivo lícito, em todo os aspectos de nossa vida”.


Deus redime, adota, santifica o seu povo, para que sua glória resplandeça neles e os liberte da busca pelo egoísmo ímpio. O profundo interesse do homem piedoso é Deus mesmo e suas coisas — sua Palavra, sua autoridade, seu evangelho, sua verdade. O homem piedoso tem intenso desejo de conhecer mais a Deus e de ter mais comunhão com Ele como o seu único alvo.


Mas, como glorificamos a Deus? Calvino escreveu: “Deus nos prescreveu uma maneira pela qual Ele pode ser glorificado por nós, a saber, a piedade, que consiste na obediência à sua Palavra. Aquele que ultrapassa esses limites não está honrando a Deus; pelo contrário, está desonrando-O”. A obediência à Palavra de Deus significa refugiar-se em Cristo para o perdão de nossos pecados, conhecê-Lo por meio de sua Palavra, servi-Lo com um coração repleto de amor, praticar boas obras em gratidão por sua bondade e exercitar auto-renúncia, a ponto de amar os nossos inimigos. Esta resposta envolve rendição total a Deus mesmo, à sua Palavra e à sua vontade.


Calvino disse: “Ofereço-Te meu coração, Senhor, imediata e sinceramente”. Esse é o desejo de todos os que são verdadeiramente piedosos. Contudo, esse desejo pode ser realizado apenas por meio da comunhão com Cristo e da participação nEle; pois, fora de Cristo, até a pessoa mais religiosa vive para si mesma. E apenas em Cristo os piedosos podem viver como servos voluntários, soldados leais de seu Comandante e filhos obedientes de seu Pai.

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

Calvino, Reformador impopular (MC)

João Calvino, o teólogo que personifica a Reforma do cantão suíço de Genebra, nasceu no dia 10 de Julho de 1509, em Noyon, França. No próximo ano, por todo o mundo, Igrejas e organizações cristãs têm um vasto programa para assinalar os 500 anos do nascimento do Reformador, cujo pensamento teológico, eclesiológico e ético, é globalmente designado por “Calvinismo”. O Calvinismo teve, ainda em vida de Calvino, um sucesso enorme e passou rapidamente da Suíça para a França, Holanda e Escócia. O seu crescimento, nos séculos seguintes, só foi contrariado, dentro do Protestantismo, pela acção de João Wesley (1703-1791), fundador do Metodismo, e já próximo a nós pelo Pentecostalismo, formas de Protestantismo de orientação arminianista. Mas as Igrejas presbiterianas ou reformadas, que devem a sua organização à reflexão deste teólogo, continuam a considerar-se no essencial, calvinistas.

O sucesso do Calvinismo veio sempre acompanhado por muita crítica, feita não só ao pensamento do teólogo como ao seu carácter. No século passado, o ataque à figura de Calvino foi particularmente vivo num livro escrito pelo romancista austríaco Stéfan Zweig, com o título Castélio Contra Calvino (1930). Zweig era judeu e viveu, com razão, amargurado contra o fanatismo e intolerância do nazismo, que o perseguiu e obrigou a refugiar-se no Brasil, onde acabou por se suicidar com sua mulher. Na sua revolta, elegera Calvino como figura extrema de intolerância e fanatismo, o que se compreende, mas, mas neste tempo de comemoração do 500º aniversário do nascimento do Reformador impõe-se revisitar esta figura e reconhecer que há em Calvino aspectos dignos de admiração. O que é necessário é começar por olhar para Calvino no contexto do seu século, o século XVI, quando dominava na cultura ocidental um dualismo absoluto entre vida terrena e vida celeste e entre corpo e alma. O homem era então visto pela quase totalidade das pessoas como um ser que passava pela terra apenas acidentalmente, destinando-se ao Céu ou ao Inferno. A vida terrena era uma passagem de preparação e o corpo simples prisão da alma. Era, na verdade, o pensamento pagão grego que dominava o pensamento ocidental, mesmo que se apresentasse com linguagem cristã. Este dualismo opõe-se diametralmente ao pensamento dominante no ocidente desde o século XIX, em que o ser humano é visto como um ser apenas terrestre, simples “bicho da terra”, acabando tudo com a morte. Com aquela antropologia do século XVI, era natural que se aceitasse a tortura e a pena de morte como práticas correctas, já que com elas, acreditava-se, não se tocava no que era realmente importante na pessoa, a alma. Havia mesmo a possibilidade, pensava-se geralmente, de um homem que levou uma vida terrestre condenável, encontrar na morte pela fogueira a purificação dos seus pecados e alcançar assim a bem-aventurança eterna. Obviamente, o pensamento dominante dos nossos dias nada tem a ver com este dualismo e por isso os homens de hoje (excepto os crentes, claro) não podem compreender a suma importância que a religião tinha no século de Calvino. A religião hoje, para quem vê no homem um simples animal racional destinado à destruição final, é uma questão de gosto privado, no máximo tão respeitável como ser adepto do clube de futebol A ou B. Como o “homem moderno” diz que não há Deus, considera totalmente idiota os adeptos da religião A dividirem-se contra os adeptos da religião B, porque “gostos não se discutem”.

O pensamento cristão, que não concorda com o pensamento dominante do século XVI nem com o dominante neste século XXI, afirma que o homem é, de facto, corpo, alma e espírito, mas vê o homem como uma unidade inseparável, e espera a ressurreição do corpo e viver eternamente. Nesta perspectiva cristã, nem todas as doutrinas servem, nem são indiferentes as palavras que dissermos sobre Deus – mas a figura modelo é Jesus Cristo que não aprova a intolerância nem a violência, mas proclama bem-aventurados os que fazem a paz. Obviamente, um crente cristão está em desacordo com o pensamento comum do século XVI e com o pensamento comum deste século XXI.

Do seu tempo e da sua sociedade

Calvino é um homem do século XVI. Nos seus livros (principalmente na Instituição da Igreja Cristã, mas também no Verdadeiro Modo de Reformar a Igreja, nos catecismos, nos comentários da Bíblia, nos seus sermões), há fundamentalmente reflexos do ensino mais rico da Sagrada Escritura, mas temos de contar também com algumas manifestações do pensamento dominante do seu tempo. O infeliz apoio que Calvino deu à condenação à morte do médico e teólogo espanhol Miguel Servet, que rejeitava a doutrina da Trindade, é resultado dessa comunhão de Calvino com o pensamento do seu tempo. Tragédia que nos deve pôr de alerta em relação ao modo como nos deixamos ou não influenciar pelo pensamento do nosso tempo. Naturalmente, um cristão, incluindo o cristão teólogo, deve ser um homem aberto ao seu século, deve viver em comunhão com o seu tempo, mas sabendo que nem tudo o que é moderno merece o nosso apoio.

Mas há outra questão que é indispensável ter em conta quando estudamos a acção e o pensamento de Calvino. É o facto de ser em Genebra que o Reformador actuou. Genebra que, quando ele vai servi-la como pastor (1536-1538 e 1541 até à morte, em 1564), já está, em teoria pelo menos, totalmente convertida à Reforma. O Catolicismo estava completamente afastado e a cidade-estado afirmava-se uma sociedade cristã reformada. Calvino tem, pois, pela frente uma situação desafiadora que a Igreja em termos gerais não encontrava desde os tempos primitivos. Devemos lembrar que o Cristianismo primitivo emergiu com uma grande fragilidade, sendo extremamente minoritário dentro do Império Romano. Não havia, naturalmente, as mínimas condições de a Igreja do primeiro e segundo século estabelecer para a sociedade civil estruturas que dessem corpo aos ideais proclamados pelo Evangelho. Pelo contrário, o que aconteceu foi, progressivamente, a Igreja deixar-se influenciar pelo Estado (constantinização da Igreja), o que implicou a adopção de um governo hierárquico, e a separação rígida do clero e do laicado. Calvino é, entre os Reformadores, o único que encontrou, com textos bíblicos, uma estrutura eclesiástica alternativa, assegurando um papel de extrema importância ao presbítero e envolvendo pela primeira vez os leigos no governo eclesiástico. Ainda que o próprio Calvino não fosse de orientação democrática (não havia democracia nesses dias), ele é, pelo tipo de governo que quis para a Igreja, um dos pais da democracia moderna. Mas é preciso dizer: o teólogo não inventou nada: apenas procurou nas Escrituras o sistema que achava ser da vontade de Deus. Depois, com as mesmas Escrituras nas mãos, Calvino procurou as regras éticas que deviam orientar uma sociedade que se afirmava cristã. Os estudos bíblicos e teológicos que foram feitos nos séculos que nos separam de Calvino permitiram perceber que o seu esforço de criar uma espécie de teocracia cristã estava errado: o Evangelho não pretende dar receitas morais, mas pretende chamar os homens ao arrependimento e à conversão ao Reino de Deus Mateus 6:33. A teocracia de Israel, que o Antigo Testamento em muitos lugares defende, pertence a uma fase da revelação divina, como a Lei é o aio que nos leva a Cristo – mas com Jesus Cristo é inaugurado um tempo novo em que, até à Segunda Vinda, importa que se dê a César o que é de César e a Deus o que é de Deus Mateus 22:21. A Igreja deve ter uma voz profética e denunciar o mal, incluindo os erros do Estado, mas não pode ter a pretensão de querer dominar o poder civil.

Deve acrescentar-se, no entanto, que, se o desejo de Calvino de criar condições para que os valores cristãos determinassem a vida de Genebra, falhou em muitos aspectos, ele teve também muitos resultados positivos, pois escritores que viajaram para a Genebra dos tempos imediatos à acção de Calvino deixaram relatos de grande apreço pela vida cristã que ali se observava. Os frutos do ensino do Reformador perduraram pelos séculos seguintes e mesmo há poucos anos ainda Genebra era uma sociedade exemplar em civismo, com as suas Igrejas calvinistas dando testemunhos admiráveis e não foi por acaso que os dirigentes do movimento ecuménico escolheram, em 1948, esta cidade para nele instalarem a sede do Conselho Mundial de Igrejas, e os políticos escolheram-na para diversos departamentos da Organização das Nações Unidas (ONU), assim como é sede da Cruz Vermelha Internacional e de muitas outras organizações filantrópicas. Hoje, nestes primeiros anos do século XXI, é ainda um cantão pacífico – mas a perturbação do mundo actual também atinge a “República de Genebra” que se orgulha de ostentar um Muro da Reforma, com as estátuas de quatro grandes reformadores calvinistas: Guilherme Farel, Teodoro de Beza, João Knox e, naturalmente, João Calvino.

Vivendo nós numa época de grande confusão religiosa e ética, em que o dinheiro domina os espíritos até mesmo dentro de “Igrejas”, que exploram os povos, temos de reconhecer que Calvino é uma figura da história que merece a nossa admiração sob muitos aspectos. A interpretação que fez do Cristianismo é por vezes, sem dúvida nenhuma, demasiado austera, mas é deste teólogo que nos ficou este princípio fundamental: “Soli Deo Gloria”, (Só a Deus seja dada glória!)

Manuel Pedro Cardoso

Outubro de 2008

quarta-feira, 23 de setembro de 2009



A MINHA GRAÇA TE BASTA
Texto: II Co 12.7-10


Por Taciano Cassimiro


Vivemos dias marcados por constantes desgraças, entre elas se destacam: a violência, pois, é crescente o numero de pessoas que são vitimadas todos os dias.
São mortes por estrangulamento, queimadas vivas, pais pedofilos, namorados descontrolados que fazem uso de armas para ameaçar e até matar a pessoas que eles dizem amar. Verdadeiramente o quadro é assustador,pois, a desgraça está por todo lado. Mais como já dizia o bom e velho apostolo Paulo, onde abundou o pecado ( desgraça ) superabundou a graça.


O apostolo Paulo já em seus dias convivia com uma serie de situações difíceis. Seu ministério foi construído em meio a lutas, lagrimas, perseguições e mortes.


A carta aos coríntios foi escrita provavelmente no ano 55 D.C, em Éfeso. Nesta epistola ele conta suas experiências, lutas e perturbações. E lamentavelmente ainda precisou defender suas apostolicidade para alguns irmãos da igreja de Corinto. Paulo ainda convivia com o chamado “ espinho na carne “. Espinho este que os teólogos tanto discutem tentando decifrar, dizer exatamente o que era tal espinho. E terminam perdendo de vista o ensino, o foco, o tema principal do texto que é “A graça de Deus”.


Em meio as suas lutas, questionamentos e provações,Paulo, recebe de Cristo que em meio a suas dificuldades, a sua graça, ou seja, A “Graça de Cristo” lhe bastaria.
Em que situações a graça de Cristo bastaria na vida de Paulo e também em nossas vidas hoje?


1. Em Meio as Lutas Existenciais

Estas lutas estão relacionadas as coisas aconteceram externamente na vida de Paulo. No capitulo 11 de II Corintios, versículo de 16-33, o apostolo apresenta varias difuldades existenciais que ele teve de enfrentar: perseguições; prisões; açoites; perigos de morte; fustigado com varas; apedrejado; naufrágios; fome e sede; frio e nudez, e até mesmo na comunidade cristã.
E não podemos esquecer do chamado espinho na carne do qual Paulo orou por três vezes, e o Senhor Jesus não atendeu sua oração da forma que ele queria. Entretanto, em meio a estas lutas existências, Aquele que nunca falha e que sempre está ao lado dos seus filhos protegendo-os, disse-lhe: A MINHA GRAÇA TE BASTA.

Em nossas vidas não é diferente, diante do desemprego, da escassez, das perseguições que muitas vezes são promovidas por irmãos da comunidade cristã. Devemos ter a certeza que a Graça de Cristo nos Basta. Só ela nos sustenta!

2. Em Meio as Lutas Espirituais

Paulo fala de um mensageiro de Satanás que está associado a questão do espinho na carne, e que de alguma forma lhe trazia sofrimentos. Está aqui a presença da força do mal que sempre tentou atrapalhar o ministério do apostolo. Por diversas vezes Paulo confrontou as forças do inimigo, e por elas o apostolo era reconhecido. Em Atos 19. 15, os espíritos malignos testificam da autoridade e integridade de Paulo, de fato fomos colocados no mundo para sermos assistidos conforme I Co 4.9. Entretanto, o propósito das forças espirituais do mal é roubar, matar e destruir.
Mesmo o apostolo tendo sido atacado de diversas formas por estas forças, jamais ele recuou, nunca desistiu, sempre avançou e isto por causa da graça de Deus em sua vida.

A Graça de Cristo em nossas vidas não permite que as forças do inimigo nos vençam. Nossa garantia está em Cristo e na sua graça.

3. Em Meio as Lutas Psicológicas
Estas lutas estão relacionadas a alma do apostolo,pois, o mesmo fala de angustias. Paulo como qualquer ser humano tinha também emoções, sentimentos. Por vezes enfrentava suas angustias que incomodava sua alma, lutava com suas próprias fraquezas.
Como era difícil para o apostolo Paulo ter que viajar sem avião, preparar seu sermão sem o auxilio da internet, visitar os irmãos e cuidar das comunidades cristãs dos quais ele era responsável como fundador, apostolo e pastor que era. Sua agenda pastoral era repleta. E humanamente falando, tem dias que qualquer pastor se sente esgotado, fragilizado e mesmo assim, com a obrigação de administrar suas lutas emocionais, que acontecem no campo onde não pode ser vista, a não ser pelo próprio Deus,ou seja, na alma. Paulo foi vitorioso também nessa luta pela Graça de Cristo.

Quantas vezes nos sentimos fadigados, depressivos, angustiados e com tantos outros problemas internos que temos de gerenciar. Conseguimos superar estes momentos porque a Graça de Cristo “ Em Meio as Lutas De Nossas Almas “ está conosco.

Conclusão

Como podemos ver a Graça de Cristo nos acompanha em todos os aspectos de nossas vidas. Em todos os momentos, sejam eles, existenciais, espirituais ou de ordem emocional, poderemos sempre contar com a “ Graça do Senhor Jesus “.

Pois,
A MINHA GRAÇA TE BASTA

sábado, 15 de agosto de 2009

ASHBEL GREEN SIMONTON, PIONEIRO DA IGREJA PRESBITERIANA DO BRASIL

A Igreja Presbiteriana do Brasil está celebrando neste ano o seu sesquicentenário. Hoje estamos presentes em todos os Estados da Federação e já temos mais de quatro mil igrejas com aproximadamente oitocentos mil membros. A Igreja Presbiteriana do Brasil é uma igreja comprometida com a evangelização, a educação e a ação social. É um esteio do protestantismo pátrio. Vamos, agora, conhecer um pouco sobre o nosso missionário pioneiro, Ashbel Green Simonton. Ele foi um jovem idealista. Deixou os Estados Unidos nos tempos gloriosos de um grande reavivamento e veio para o Brasil em 1859 para plantar a Igreja Presbiteriana. Vejamos alguns aspectos de relevo em sua história:

1. Sua família - Foi o nono filho, o caçula, de uma família piedosa. Seu pai era presbítero, médico e político, tendo sido duas vezes eleito deputado para o Congresso Nacional. Simonton foi consagrado ao ministério da Palavra no batismo infantil.

2. Seu chamado para o ministério - No dia 14 de outubro de 1855, após ouvir um sermão do Dr. Charles Hodge sobre a tarefa da igreja, sentiu-se chamado para as missões. Fez o curso de teologia no seminário de Princeton, em New Jersey. Após concluí-lo, decidiu viajar para o Brasil. Quando alguém questinou o fato de ele se dedicar a um país ainda pobre e assolado por várias doenças endêmicas, ele respondeu: "A única segurança está na submissão à vontade e aos propósitos divinos. Sob a direção de Deus, o lugar de perigo é o lugar de segurança e, sem a sua presença, nenhum abrigo é seguro".

3. Seu casamento - Ao saber da enfermidade da mãe, Simonton deixou o Brasil e retornou aos Estados Unidos. Mas, ao chegar, ela já havia falecido. Simonton ficou então um ano em seu país de origem. Nesse tempo, casou-se com Helen Murdock. Após dois meses de casado, regressou ao Brasil. Em 19 de junho 1864, nove dias após nascer-lhe a filha Helen, sua adorável esposa morreu.

4. Seu trabalho - O jovem pioneiro deixou marcas profundas e indeléveis na história do presbiterianismo e da evangelização nacional:


a) organizou a escola dominical em 22 de abril de 1860 com cinco crianças, usando como livros textos: a Bíblia, o Catecismo e o Peregrino, de John Bunyan;


b) organizou a Primeira Igreja Presbiteriana do Rio de Janeiro em 12 de janeiro de 1862;


c) criou o primeiro jornal - A Imprensa Evangélica, em 5 de novembro de 1862;


d) organizou o primeiro presbitério, o Presbitério do Rio de Janeiro, em 17 de dezembro de 1865, quando foi ordenado ao sagrado ministério o ex-padre José Manoel da Conceição;


e) criou o primeiro seminário teológico em 14 de maio de 1867.5. Sua morte - Em 9 de dezembro de 1867, aos 34 anos de idade, morreu em São Paulo, de febre amarela, este heróico jovem desbravador. Sua irmã, esposa do Rev. Blackford, perguntou-lhe, em seus últimos lampejos de consciência: "O que será dos crentes e do trabalho que você está deixando?".


Ele respondeu: "Deus levantará alguém para tomar o meu lugar. Ele fará o seu trabalho com os seus próprios instrumentos. Nós só podemos apoiar-nos nos braços eternos e estar quietos".


Rev. Hernandes Dias Lopes

quinta-feira, 6 de agosto de 2009

Nicolau von Zinzendorf

Biografia

Nicolau von Zinzendorf (1700-1760) foi um nobre crente que exerceu grande influência na história missionária. Quando jovem fundou com outros estudantes o que chamou de “Ordem do Grão de Mostarda”.
Em uma de suas viagens, ao visitar um Museu, viu um quadro do Senhor Jesus coroado com espinhos e uma inscrição: “Eu tudo fiz por ti, que fazes tu por mim?” E muito se emocionou. Meditou e chorou por muitos dias sobre tal frase. Após viajar para a Groenlândia seu coração tornou-se ainda mais inquieto ao ver que os esquimós da Groenlândia não conheciam a Cristo e seu choro aumentou ainda mais.

Algum tempo depois ele encontrou um amigo cristão e lhe fez um convite para ir pregar o Evangelho aos esquimós, dizendo: “Você gostaria de pregar o Evangelho aos esquimós? Mas antes que você me responda, quero que você saiba que você vai sozinho, sem sustento e sem possibilidade de voltar para casa. Você aceita o desafio?”.

Aquele homem aceitou o desafio sem pensar duas vezes. A única coisa que fez foi pedir um par de sapatos usados, pois o mesmo estava descalço e seria difícil viajar de tal forma. Na manhã seguinte, ao chegar à casa daquele cristão com o par de sapatos usados que ele havia pedido, Zinzendorf não o encontrou. Ele havia deixado um bilhete dizendo “saí de casa, descalço, antes de o sol nascer. Não posso perder tempo para fazer a obra de Cristo”.

Hoje, mais de 95% da população da Groenlândia é cristã! E tudo começou porque um homem ousado e comprometido com Jesus respondeu “SIM” ao chamado de Cristo e dedicou-se a pregar o evangelho e salvar vidas.

Nessa época, na Morávia, a Igreja que se originara após a morte de John Huss, estava sendo grandemente perseguida. O conde mandou avisar que se aqueles crentes quisessem, seriam acolhidos em suas terras, na Saxônia. Assim, muitos refugiados morávios conseguiram chegar lá e fundaram, em 1722, uma comunidade que existe até hoje, chamada Herrnhut (“sob o cuidado do Senhor” ou também “montando guarda para o Senhor”). Lá eles se auto-sustentavam. Aprenderam a viver como artesãos e desenvolveram um movimento de oração nas 24 horas do dia, nos sete dias da semana por 100 anos. Pouco tempo depois, aquela comunidade cristã, liderada por Zinzendorf, passou a ter um fortíssimo envolvimento missionário. Vários membros (principalmente jovens), começaram a se sentirem chamados para pregar em lugares distantes.

Além do comprometimento com a oração, eles também eram extremamente comprometidos com a obra missionária. Reconheciam o chamado da Grande Comissão, sabiam que precisavam pregar o Evangelho aos que nada sabiam sobre o Evangelho e entendiam que eram responsáveis por pregar o Evangelho aos perdidos. Assim, no espaço de 20 anos, a igreja dos morávios enviou mais missionários para o mundo do que todas as igrejas protestantes em 200 anos!

Os irmãos morávios, dirigidos por Zinzendorf e outros líderes, enviaram missionários para: Ilhas Virgens (1732); Groenlândia (1733); Suriname (1735); África do Sul (1736); Jamaica (1750); Canadá (1771); Austrália (1850); Tibet (1856), entre outros longínquos lugares.

Nos primeiros 100 anos de atividade (de 1732 a 1832), os irmãos morávios obtiveram o impressionante número de 40 mil membros, 209 missionários e 41 centros de missões ao redor do mundo! Em 150 anos enviaram 2.158 missionários.

Quando Zinzendorf era questionado sobre o real motivo para tão expressivo e sacrificial movimento missionário, respondia: “estamos indo buscar para o Cordeiro o galardão do Seu sacrifício”. Baseado em Isaías 53:11.

Zinzendorf morreu aos 60 anos em Herrnhut, pastoreando até o fim de seus dias.
Assim como o Senhor Jesus, foi obediente até a morte para cumprir as Escrituras.
O líder morávio procurou seguir o exemplo do Filho de Deus.

- Traduzido por: Francisco Coelho

sexta-feira, 10 de julho de 2009

JOÃO CALVINO, O CÉREBRO DA REFORMA



Na próxima sexta-feira, dia 10 de julho de 2009, no mundo inteiro, os protestantes reformados estarão celebrando o quinto centenário do nascimento do reformador João Calvino. Ele nasceu no dia 10 de julho de 1509 na França e morreu no dia 27 de maio de 1564 em Genebra, na Suíça. Calvino foi o maior expoente da reforma. Influenciou não apenas a teologia, mas, também, a economia, a política e a educação. Destacaremos quatro áreas da vida desse gigante de Deus.

1. A teologia de Calvino - O reformador João Calvino foi o sistematizador da doutrina reformada. Aos 26 anos de idade escreveu As Institutas da Religião Cristã, fazendo uma exposição do Credo Apostólico. Esta obra tornou-se a maior referência teológica de todos os tempos. É muito importante ressaltar que Calvino não foi um inovador. Ele voltou à doutrina dos apóstolos. Ele voltou às Escrituras. Ele tinha um alto conceito da Palavra de Deus e esmerou-se em ensiná-la com irrestrita fidelidade. A influência de Calvino na teologia é tão destacada, que a doutrina reformada foi cognominada depois de sua morte de Calvinismo. No Sínodo de DORT, na Holanda, mais de cinqüenta anos depois da morte do reformador, cunhou-se o que nós chamamos de cinco pontos do Calvinismo: Depravação Total, Eleição Incondicional, Expiação Limitada, Graça Irresistível e Perseverança dos Santos.

2. A pregação de Calvino - Calvino foi um expositor bíblico. Pregou quase toda a Bíblia, usando o método lectio continua, expondo as Escrituras livro por livro, capítulo por capítulo, versículo por versículo. Calvino foi um exegeta extraordinário. Ele conhecia profundamente as línguas originais, a tal ponto de ler direto no Hebraico quando pregava no Antigo Testamento e direto no Grego quando pregava no Novo Testamento. Calvino pregava em média três vezes por semana. Ele foi essencialmente um pregador, um homem do púlpito. Para ele o púlpito era o trono de Deus na terra, de onde Deus governa o seu povo. Ouvir a exposição das Escrituras é ouvir a própria voz de Deus.

3. A prática pastoral de Calvino - Calvino não foi um homem sisudo, frio e distante das pessoas. Ao contrário, era um devotado pastor de suas ovelhas. Mesmo com uma agenda tão congestionada, ainda encontrava tempo para visitar o rebanho e orar com o seu povo. O ministério de Calvino abrangia um horizonte muito mais amplo do que apenas o cuidado da igreja local em Genebra. Ele era consultado por pastores e concílios de vários países para dar orientação à luz das Escrituras. Ele viajava para atender muitos convites. Calvino era um apologeta incomparável e ajudou a igreja do seu tempo a resolver os mais intrincados conflitos teológicos, sempre se pautando pela fiel exposição da Palavra. Mesmo atormentado por constantes dores e enfermidades, Calvino respondia inúmeras cartas, escrevia muitos livros e pregava com freqüência regular.

4. A influência social de Calvino - Calvino influenciou não apenas a igreja, mas, também, a sociedade como um todo. Ele fundou uma academia em Genebra, onde não faltou o curso de Teologia. Ele preparou missionários e os enviou para o mundo inteiro, inclusive para o Rio de Janeiro. Ele acolheu os foragidos de guerra e fez de Genebra um lar hospitaleiro para os que buscavam refúgio. Genebra foi transformada na mais esplêndida maquete do Reino de Deus na terra, sobretudo, pela pregação desse destemido reformador. Calvino influenciou a política, a cultura e a economia. Ele foi intelectual, sem deixar de ser piedoso. Ele foi um homem à frente do seu tempo. Depois de quinhentos anos de seu nascimento, ainda exerce decisiva influência em todo o mundo ocidental, especialmente no contexto das igrejas reformadas. Rendemos glórias ao nosso Deus por tão preciosa vida!


Rev. Hernandes Dias Lopes

segunda-feira, 29 de junho de 2009

Batismo

por
Francis A. Schaeffer



A principio, há algumas coisas que precisamos enfatizar antes de começarmos o presente estudo:
1. Não cremos na regeneração batismal. Permita-me lembrar que nessa questão dos sacramentos, Calvino e Lutero divergiam entre si ainda durante a época da Reforma. Para Calvino, e os seus seguidores, o importante era a ida de cada individuo a Cristo para a salvação. Com respeito ao batismo, como presbiterianos que somos, estamos interessados primeiramente não no batismo de água, mas no batismo do Espírito Santo, que tem lugar quando da aceitação individual de Cristo como salvador pessoal.


Nossa Confissão de Fé, Capítulo XXVIII, Seção "v", deixa claro, os nossos padrões doutrinais não ensinam a regeneração batismal:


"Ainda que seja grande pecado desprezar ou negligenciar esta ordenança, contudo, a graça e a salvação não se acham tão inseparavelmente ligadas com ela, sem a qual ninguém possa ser regenerado e salvo, ou, que sejam, indubitavelmente, regenerados todos os que são batizados".

Reiteramos, e de uma vez por todas, não cremos na regeneração batismal.


2. Segue-se que, antes de tudo, devemos nos lembrar que ninguém deve aceitar a nossa visão de batismo para vir para as nossas igrejas. A porta da membrezia da igreja visível local continua sendo a confiável profissão de fé, individual, no Senhor Jesus como Salvador pessoal.


3. Historicamente, os presbiterianos nâo têm enfatizado tanto o batismo. Entretanto, se nunca for ensinado ou pregado sobre isso, as pessoas esquecem os fatos biblicos acerca da nossa visão do batismo. Não devemos seguir com a nossa visão de batismo como se fosse um simples passatempo como poderiam ser vistos alguns outros ensinos periféricos. Ainda que, de fato, não seja o centro de nossa teologia, não devemos nos omitir de ensiná-la colocando-a no seu devido lugar.


4. De vez em quando há quem diga crê na nossa concepção de batismo mas não a pratica por causa dos abusos da Igreja Católica Romana. Se isso fosse razóaval, então deveriamos desistir totalmente da prática da Ceia do Senhor, porque o âmago do erro do catolicismo romano clássico foi o seu ensino acerca da Missa.


Além disso, vale lembrar que os campbelitas , "igreja cristã" que pratica a imersão e o batismo de adutos, têm entre seus erros a regeneração batismal tal como a Igreja Católica Romana mantém. Por conseguinte, sob essa ótica, os batistas deveriam deixar a imersão e o batisnmo de adulto.
Além disso, há também muitos notórios modernistas que são batistas. Deste modo o abuso do batismo pelos vários segmentos não quer dizer nada.


5. Finalmente, nessa introdução, vale lembrar que temos boa comunhão com nossos irmãos batistas. Todos percebemos que a nossa posição a respeito do batismo não deve ser o fator determinante para a nossa comunhão. Ainda mais que os batistas são convidados a tomar assento à mesa da Santa Ceia em nossas igrejas, e louvo a Deus por que somos bem vindos à Mesa da Comunhão em muitas (não todas!) igrejas de irmãos batistas, como deveria ser. Todavia, isso não deve significar que somos indiferentes quando à nossa posição acerca do batismo. Cremos que nossa visão é biblica, e que a posição de aceitar apenas o batismo por imersão, ou de somente adulto, é um equivoco.


IMERSÃO
Primeiramente, com respeito à imersão, deixe-me dizer que, pessoalmente, não teria problema em imergir quem quer que deseje esse modo de batismo Em segundo lugar, é bom lembrar que a Igreja Católica Ortodoxa Grega (e outros grupos cristãos) adota a imersão tanto de bebês como de adultos, logo, não há nenhuma ligação necessária entre a forma do batismo utilizada e a questão do batismo infantil. Eu nunca imergi um infante, mas eu não o recusaria.


De fato, conforme evidência das catacumbas anteriores ao ano 200, parece que a efusão, o derramamento, enfim, o banho, poderia ter sido a forma mais comum de batismo na igreja primitiva. Isso quer dizer que as pessoas se colocavam o mais próximo d'água, "dentro da água", e então tinham também a água derramada sobre as suas cabeças. Razão por que também a nossa posição a respeito da forma batismo é de que a imersão não é a única a ser adotada.


As palavras baptizo e bapto, no grego clássico, são usadas com grande amplitude. Nenhuma destas palavras podem ser ditas como sempre significando imersão. Na Septuaginta, a tradução grega do Antigo Testamento, a palavra "baptizo" é usada de tal maneira que não podia de modo coerente significar sempre imersão. Por exemplo, em Daniel 4:23, na Septuaginta, diz-se que Nabucodonozor foi - literalmente, "batizado com orvalho". Certamente ninguém diria que foi imerso no orvalho.


No uso da palavra no Novo Testamento, é igualmente verdadeiro que a palavra "baptizo" não pode sempre significar a imersão. Por exemplo, em Hebreus 9:10, lemos: "sendo somente, no tocante a comidas, e bebidas, e várias abluções, umas ordenanças da carne, impostas até um tempo de reforma". A Versão King James usa "lavagens" em vez de "batismos", mas o grego diz "batismos". A tradução portuguesa de Ferreira usa "abluções". Esta passagem refere-se às limpezas cerimoniais do Antigo Testamento, tais como a novilha vermelha e ao Dia da Expiação. Essas limpezas do Antigo Testamento jamais eram feitas por imersão mas sempre por uma espécie de efusão (aspersão). Observe como o mesmo capitulo 9 de Hebreus 9, versículos 19 e 21, enfatizam o fato dessas limpezas cerimoniais do Antigo Testamento serem por efusão.


I Coríntios 10:1,2 é outra passagem semelhante: "pois não quero, irmãos, que ignoreis que nossos pais estiveram todos debaixo da nuvem, e todos passaram pelo mar; e, na nuvem e no mar, todos foram batizados em Moisés". Neste caso os judeus certamente não foram imersos.


A passagem de Marcos 7:4 é bem clara: "e quando voltam da praça, não comem, sem se aspergirem; e há muitas outras coisas que receberam para observar, como a lavagem de copos, jarros e vasos de metal [e camas]". De novo na Versão King James aparece a palavra "lavagem". Na tradução de Almeida, edição revista e atualizada, aparece "aspergir". No entanto, no grego outra vez a palavra "baptismos" sugere "batismo". Se baptizo sempre significa imersão, equivale dizer que os judeus, cada vez que vinham da praça, tinham que encher uma banheira e se mergulharem nela, de corpo inteiro. Isto é impossível, porque a maioria deles não tinha tal acomodação em seus lares. Adiante, esta passagem diria também que eles, segundo a Versão King James, imergiriam constantemente suas mesas (vasos de metal?). Isso de novo obviamente seria impossível. Muitas das versões antigas adicionam até "camas" a esta passagem. Seria ridículo dizer que imergiam regularmente suas camas, mesmo que fossem usadas apenas esteiras.


Pelo menos em três dos batismos mencionados no Novo Testamento é difícil imaginar que foram praticados por imersão. O eunuco batizado ao longo de uma estrada no deserto . O carcereiro batizado no meio da noite . Três mil batizados no dia de Pentecostes . É fácil ver como estes ocorreram se pensarmos em termos de borrifamento ou de efusão, no entanto, é difícil caso a imersão fosse considerada como a única forma.


Argumentos Batistas


O argumento batista de que "Jesus entrou na água e saiu da água" não significa nada. No ano em que passamos férias no litoral, todos os dias uma das minhas filhas, a caçula, entrava e saia d'água, mas não punha a sua cabeça sob a água por mais que instávamos a faze-lo. É simples admitir que o significado desta passagem seja completamente cumprido se Jesus fosse para dentro do curso da água até que seus pés estiveram sob a água do Jordão.


A respeito de Romanos 6:3,4b: "porventura, ignorais que todos quantos fomos batizados em Cristo Jesus fomos batizados na sua morte? Fomos, pois, sepultados com ele pelo batismo na sua morte..." Esta passagem não pode ser usada para provar a imersão. Em primeiro lugar, se aqui significa batismo com água, muitos de nós cremos que provaria demais, teríamos então que logicamente admitir a regeneração batismal. Certamente, não é o batismo da água que nos batiza na morte de Cristo, mas o batismo do Espírito Santo. Em segundo lugar, entretanto, se isso significa o batismo de água, esta passagem significa mais do que o retrato totalmente inadequado de "sepultamento" em água pode dar. Estes versos ensinam a grande e maravilhosa realidade de que quando aceitamos a Cristo como nosso salvador nós realmente morremos com ele.


Isso que apresentamos é suficiente para mostrar que a Palavra de Deus não ensina que o batismo deve ser por imersão somente.


Por fim, a respeito deste tema da imersão somente nos lembramos que se a imersão é a única forma admissível a catolicidade dos sacramentos fica destruída. A Ceia do Senhor obviamente pode se dar em qualquer lugar. A aspersão pode ser praticada em qualquer lugar, mas se o batismo for por imersão somente, em muitas partes do mundo seria negados aos cristãos este sacramento. Aos que habitam o deserto, aos que residem em países de frio intenso, e aos que se encontram doentes de cama não poderão ser batizados por imersão, mesmo se o quisesse.
O fato é que a posição de que o batismo é apenar por imersão não é sustentável.


BATISMO INFANTIL

Não cremos que os batistas tenham qualquer base bíblica para ensinar o batismo somente de adultos, do mesmo modo que não têm em relação à imersão somente.

Ao inicio da nossa abordagem, permita-nos colocar na posição de um judeu que tenha sido salvo na era cristã primitiva. É um judeu e tem posto agora sua fé no Senhor Jesus Cristo. Sua mente não mudou de um dia para o outro, e determinadas grandes verdades que seu povo sabia e cria por dois mil anos continuam indeléveis em sua mente.

Salvação Somente pela Fé

Antes de tudo, esse judeu crente durante a era cristã primitiva podia entender que poderia ser justificado pela fé somente, Abraão foi justificado dessa maneira, também pela fé somente, dois mil anos antes. Romanos 4:1-3 indica isso de forma bastante clara: "Que diremos, pois, ter alcançado Abraão, nosso pai segundo a carne? Porque, se Abraão foi justificado pelas obras, tem de que se gloriar, mas não diante de Deus. Pois, que diz a Escritura? Creu Abraão a Deus, e isso lhe foi imputado como justiça." Gálatas 3:6 é justo e definitivo: "assim como Abraão creu em Deus, e isso lhe foi imputado como justiça".

O fato é que a Bíblia claramente enfatiza que Abraão foi justificado somente pela fé. É um sério erro crer que qualquer pessoa de qualquer dispensação foi, ou pôde ser, salva de qualquer outra maneira senão pela fé e nada além da fé. A obediência religiosa ou a prática moral não têm nenhum lugar para a salvação pessoal em todas as dispensações. Observe que é isso o que os escritos de Paulo claramente enfatizam.

A Aliança é imutável ou a Unidade da Aliança
Em segundo lugar, o judeu crente nos dias do cristianismo primitivo podia entender que a Aliança feita com Abraão é imutável, isto é, inquebrantável. Hebreus 6:13-18: "Porque, quando Deus fez a promessa a Abraão, visto que não tinha outro maior por quem jurar, jurou por si mesmo, dizendo: Certamente te abençoarei, e grandemente te multiplicarei. E assim, tendo Abraão esperado com paciência, alcançou a promessa. Pois os homens juram por quem é maior do que eles, e o juramento para confirmação é, para eles, o fim de toda contenda. assim que, querendo Deus mostrar mais abundantemente aos herdeiros da promessa a imutabilidade do seu conselho, se interpôs com juramento; para que por duas coisas imutáveis, nas quais é impossível que Deus minta, tenhamos poderosa consolação, nós, os que nos refugiamos em lançar mão da esperança proposta".

Esta passagem é muito determinativa. Primeiro, a aliança feita com Abraão é imutável, e, segundo, inclui-nos os que são salvos nesta dispensação.

A Aliança é Primordialmente Espiritual
O crente judeu a que estamos aludindo se lembraria também que a Aliança feita com Abraão era primeiramente espiritual. Para os que como nós somos gentios, salvos nesta era, as promessas nacionais feitas aos judeus não se aplicam, mas permanecem as promessas espirituais. O texto de Romanos 4:16 é claro a respeito disso. Antes o versículo 13 nos diz que definitivamente Deus está falando aqui da promessa a Abraão, no entanto, o verso 16 é igualmente claro em declarar que nós os gentios, salvos nesta era atual, somos o cumprimento dessa promessa. "Porquanto procede da fé o ser herdeiro, para que seja segundo a graça, a fim de que a promessa seja firme a toda a descendência, não somente à que é da lei, mas também à que é da fé que teve Abraão, o qual é pai de todos nós". Conseqüentemente, a promessa não podia ser primeiramente nacional, mas espiritual. Gálatas 3:7,8,13,14 e 25 diz-nos exatamente isso. Nós, cristãos gentios, somos o cumprimento da promessa feita a Abraão; conseqüentemente, (embora há naturalmente uma parte nacional da aliança abraâmica) a promessa é não primeiramente nacional mas espiritual. Estas passagens mostram também que há uma unidade espiritual em todas os dispensações.
Gálatas 3:17 é suficientemente claro que a promessa espiritual feita a Abraão não foi desconsiderada quando da outorga da Lei Mosaica, quatrocentos e trinta anos depois. A unidade espiritual não foi quebrada na entrega da Lei no Sinai.

O crente judeu, conseqüentemente, teria em sua mente que Abraão foi salvo da mesma maneira que nós somos salvos; e que a promessa feita a Abraão é imutável e primeiramente espiritual; além disso, nós que somos salvos nesta dispensação estamos incluídos nessa promessa. Teria na mente a unidade da aliança.

O Sinal Externo
O cristão judeu poderia lembrar também que a promessa espiritual nos dias do Antigo Testamento era selada com um sinal físico. Romanos 4:10, 1la: "como, pois, lhe foi imputada? Estando na circuncisão, ou na incircuncisão? Não na circuncisão, mas sim na incircuncisão. E recebeu o sinal da circuncisão, selo da justiça da fé que teve quando ainda não era circuncidado". Esta passagem diz que Abraão foi justificado pela fé, e depois que foi justificado, a circuncisão foi dada enquanto um selo da justiça da sua fé que teve antes de circuncidado.

Tanto o Antigo Testamento como o Novo nos fazem lembrar que a circuncisão da carne devia ser um sinal externo da verdadeira circuncisão do coração. Ou seja, a verdadeira circuncisão era algo espiritual. Deuteronômio 10:16 consta: "Circuncidai, pois, o prepúcio do vosso coração, e não mais endureçais a vossa cerviz". Romanos 2:28, 29 diz a mesma coisa: "porque não é judeu o que o é exteriormente, nem é circuncisão a que o é exteriormente na carne. Mas é judeu aquele que o é interiormente, e circuncisão é a do coração, no espírito, e não na letra; cujo louvor não provém dos homens, mas de Deus". A circuncisão era conseqüentemente antes de tudo espiritual.

Ademais, não devemos nunca nos esquecer que a circuncisão não foi apenas para os tempos da fé de Abraão, mas é um sinal da fé pessoal do pai. O exemplo do prosélito e de seus filhos prova isso. Êxodo 12;48; "Quando, porém, algum estrangeiro peregrinar entre vós e quiser celebrar a páscoa ao Senhor, circuncidem-se todos os seus varões; então se chegará e a celebrará, e será como o natural da terra; mas nenhum incircunciso comerá dela". Ou seja, quando um gentio se transformou em um crente verdadeiro no Deus vivo e quisesse fazer parte nas observâncias religiosas da Páscoa, antes de qualquer coisa devia ser circuncidado, mas todos seus filhos tinham que ser circuncidados também. Assim, a circuncisão era o sinal da fé pessoal e não apenas da fé de Abraão.

Conseqüentemente, o judeu converso, alcançado pela salvação na era cristã primitiva, lembrar-se-ia que a promessa não feita somente a Abrão que era primeiramente espiritual, mas o selo externo, que foi dado para mostrar a fé do indivíduo, também devia primeiramente ter um significado espiritual.

Isso, evidentemente, é o que é o batismo Novo Testamento; e, conseqüentemente, a circuncisão no Antigo Testamento era o que nessa dispensação é o batismo, Colossenses 2:11, 12 é a prova bíblica cabal disso, quando temos: "no qual também fostes circuncidados com a circuncisão não feita por mãos no despojar do corpo da carne, a saber, a circuncisão de Cristo; tendo sido sepultados com ele no batismo". E assim que a Bíblia declara que a circuncisão no Antigo Testamento era o que o batismo é no Novo Testamento.

Sinal Aplicado aos Infantes
Agora, no entanto, levando em considerando que o batismo no Novo era o que a circuncisão era no Antigo, o judeu de quem falamos, salvo nos primeiros dias da era cristã, saberia também que, no Antigo Testamento, a circuncisão como um sinal da fé pessoal era aplicado não somente ao crente individual, mas também a todos os infantes do sexo masculino da casa.

Aplicando este sinal aos infantes do sexo masculino ano Antigo Testamento, a circuncisão era primeiramente espiritual e não apenas nacional. O sinal não foi aplicado somente em Isaac que era o único representante da benção racial, mas a Ismael também. Deuteronômio 30:6 é claro quando afirma que circuncisão da criança era primeiramente espiritual tanto quando a circuncisão do adulto: "Também o Senhor teu Deus circuncidará o teu coração, e o coração de tua descendência, a fim de que ames ao Senhor teu Deus de todo o teu coração e de toda a tua alma, para que vivas."

O judeu vivendo nos dias primitivos do Novo Testamento saberia ainda algo mais. Saberia que no Antigo Testamento havia duas grandes ordenanças a Páscoa e a Circuncisão. I Coríntios 5:7,8, do mesmo modo afirma o fato de que Cristo instituiu a Ceia do Senhor na mesma medida da Páscoa, esclarecendo que a Ceia do Senhor tomou o lugar da Páscoa. Em Colossenses 2:11, 12 e outros fatos nos mostram evidentemente que o batismo tomou o lugar da circuncisão.

Sendo assim todas essas coisas seria impossível para o judeu crente não esperar que no Antigo Testamento o sinal da aliança era aplicado aos filhos dos crentes. O sinal de sua fé, o batismo, deve do mesmo modo ser aplicado ao seu filho. Por que deveria esperar menos nesta dispensação de cumprimento do que possuía no tempo do Antigo Testamento?

A Prática do Novo Testamento
Essas questões podem ficar mais graves tendo em vista aquilo que este judeu crente por si próprio pode ter ouvido ensinar-se no tempo do Novo Testamento. Por exemplo, pode ter ouvido Pedro em seu sermão no dia de Pentecostes, Atos 2: 38, 39: "Pedro então lhes respondeu: Arrependei-vos, e cada um de vós seja batizado em nome de Jesus Cristo, para remissão de vossos pecados; e recebereis o dom do Espírito Santo. Porque a promessa vos pertence a vós, a vossos filhos, e a todos os que estão longe: a quantos o Senhor nosso Deus chamar". Lembre-se, Pedro disse isso aos judeus, os judeus que costumavam ter o sinal externo de sua fé aplicado aos seus filhos.

Com todas essas coisas em mente, esperaria que seu filho fosse batizado. Se isso fosse refutado, o que você faria no lugar dele? Você pediria aos Apóstolos a razão por que disso. Assim como os milhares de judeus cristãos nesse dia. A pergunta seria feita em centenas de reuniões; e Pedro, João Paulo e outros deveriam assentar-se e escrever em suas epistolas para esclarecer o assunto, assim como responderam em relação a outras perguntas que se levantaram. O Novo Testamento conteria a resposta clara acerca do porquê no Antig0o Testamento o sinal da Aliança era aplicado aos filhos dos crentes, mas no Novo Testamento isso deveria ser-lhes retido.

A única razão possível para o Novo Testamento não contemplar este problema é que este problema não existiu. A única razão possível que não havia nenhum problema nas mentes dos judeus era que os judeus criam que aplicavam o sinal da aliança aos seus filhos. Batizavam os seus filhos recém-nascidos assim os circuncidavam na dispensação do Antigo Testamento.

À luz do ensino da Bíblia toda, deveria ter um claro mandamento na Escritura para não faze-lo como razão por que não se batizarem os bebês. Em vez disso, a ênfase é toda para outro caminho. Dos sete exemplos de batismo de água mencionados no Novo Testamento, três eram de famílias. Alguém pode dizer, "mas não se diz que infantes estavam envolvidos". Posso pontuar que à luz da expectativa natural do judeu crentes, se os bebês não fossem batizados, a Escritura teria deixado isso claro se tivesse sido o caso. Deus trata com famílias no A.T. e no N. T. também. A promessa feita ao carcereiro de Filipos em Atos 16:31b, "e serás salvo, tu e tua casa", mostra adequadamente isso. Não importa a interpretação que individualmente adotamos acerca dessa passagem, temos certamente que Deus aqui demonstra que trata com famílias não somente no Antigo Testamento mas também no Novo Testamento.

Nunca nos esqueçamos, o uso por Deus de símbolos é encontrado em todas as épocas. Deus deu a Noé o arco-íris, deu a circuncisão e páscoa aos judeus no Antigo Testamento. Deu à igreja visível nessa dispensação os sacramentos do batismo e da ceia do Senhor.

A mudança dispensacional da circuncisão para o batismo não é mais do que equivalente àquela da mudança do sétimo dia para o primeiro como o dia da adoração.

História da Igreja
A história da igreja* continua com a mesma lição a respeito do batismo infantil. Orígenes nasceu em cerca de 180 A.D. e se batizou como um infante, lembre-se, oito anos ou menos após a morte do Apóstolo João. Há ainda umas referências mais antigas que parecem falar do batismo infantil, mas não há nenhuma dúvida quando ao exemplo de Orígenes. Uns primeiros deles eram contrários ao batismo infantil, Tertuliano por exemplo, não porqwue se tratava de prática nova que estava sendo trazida para dentro da Igreja, mas porque esposavam posição não-bíblica de que se deveria esperar até imediatamente antes da morte para se batizar. Seus argumentos são conseqüentemente uma prova incidental de que a igreja batizava os infantes desde o seu inicio. Se fosse uma inovação, estes homens que eram contra ela por causa de seus pontos de vistas não-bíblicos se deleitariam em ter indicado que o batismo infantil não era uma prática apostólica. Santo Agostinho, escrevendo a respeito do batismo infantil, disse, "esta doutrina é sustentada pela igreja inteira, não foi instituída por concílios, mas foi desde sempre retida". Quem ensina que a prática da igreja primitiva não era o batismo infantil precisa mostrar na história da igreja quando ela começou. Não há nenhuma quebra de continuidade registrada.

À luz disso, a reivindicação de que o batismo infantil é um produto da igreja católica romana é totalmente equivocada.

Conseqüentemente, agora, quase quatro mil anos desde os dias de Abraão, os que foram salvos pela fé eram marcados conforme o mandamento de Deus por um sinal externo, e neste sinal externo, sem uma pausa, eram aplicados não somente a eles mas aos seus filhos menores.

Cremos no batismo infantil por causa da unidade das promessas espirituais em todos as dispensações. As promessas nacionais são para os judeus apenas, mas há uma unidade das promessas espirituais por toda a Palavra de Deus. A base desta unidade é o grande fato central da Escritura de que todos os homens de todas as eras eram salvos com base na obra consumada de Cristo mediante a fé n'Ele, mais nada, ou não são salvos em tudo. Esta unidade espiritual não prejudica o fato das diferenças entre as eras diferentes, nem prejudica os nossos privilégios peculiares como os que são salvos e vivem nesta era.

Argumentos Batistas
Deixe-nos passar em revista os mais usuais argumentos batistas contrários ao batismo infantil.

a) "Crer e ser batizado". Observe que a mesma coisa com efeito foi dita de fato a Abraão com respeito à circuncisão, "creia e depois seja circuncidado", mas é bastante claro que o sinal de sua fé pessoal devia ser aplicado também ao seu filho.

Ademais, no exemplo dos primeiros dias da era cristã, todos os que criam eram os que tinham necessidade de se batizarem em adulto, porque, o Novo Testamento ensina que sendo recente, ninguém poderia ter sido batizado antes como infante. A mesma coisa é verdadeira em todo o novo campo missionário. Não há nenhum infante batizado até que haja alguns pais cristãos.

b) Freqüentemente os batistas perguntam porque batizamos meninos e meninas, quando somente os machos eram circuncidados no Antigo Testamento. Gálatas 3:28 dá a resposta: "Não há judeu nem grego; não há escravo nem livre; não há homem nem mulher; porque todos vós sois um em Cristo Jesus". Nesta era, diante do Senhor em adoração, não há nenhuma diferença entre o homem e a mulher.

c) Por vezes, é feita a pergunta, "se o batismo tomou o lugar da circuncisão, porque o batismo e a circuncisão existiram, lado a lado, por um tempo, entre os cristãos judeus?" Muitos crentes judeus na igreja cristã primitiva mantiveram várias práticas do Antigo Testamento ao menos até à época da destruição de Jerusalém. Em todo esse tempo eles não pensavam em como adicionar algo à obra consumada de Cristo para a salvação pessoal. Observe a circuncisão de Paulo em consideração a Timóteo, Atos 16:3, e também de sua participação no serviço do templo, Atos 21:20, 26. A Bíblia diz que Paulo fez estas coisas por causa dos judeus crendo que mantinham ainda estas práticas. A resposta, conseqüentemente, a respeito de porque o batismo e a circuncisão existiram juntas por um momento é que esta era parte do esclarecimento gradual das mudanças dispensacionais.

d) Talvez o argumento mais usado pelos batistas é que não há nenhum mandamento definitivo na Escritura para batizar crianças. Não há também nenhum mandamento na Escritura para mudar o dia da adoração do sétimo dia para o primeiro. Em determinadas partes dos Estados Unidos, há um conhecido grupo pequeno de batistas do sétimo-dia. Sinto que estão equivocados em ambas alegações, mas ao menos têm o mérito da consistência. Para ser consistentes todos que os batistas devem adorar no sétimo dia.

CONCLUSÃO
Em conclusão, já que batizamos os nossos filhos recém-nascidos, compreendam que não é por uma questão de mágica. Como pais, devemos entrar em aliança com Deus prometendo ser fiéis a Ele diante da criança. É papel dos pais educar a criança. É privilégio dos pais em muitos casos conduzir a criança a Cristo. Os pais cristãos não devem depender dos esforços evangelísticos da igreja direcionados à criança quando se transforma num adolescente, ou mesmo em um adulto pleno, para conduzir-la a Cristo. A criança pequena deve aprender de Jesus Cristo de seus pais desde a mais tenra infância, e em muitos casos, contudo, uma criança deve ser conduzida a uma aceitação pessoal do Senhor Jesus Cristo como seu salvador por seu pai ou por sua mãe.

Aproveite o privilégio que Deus nos dá do batismo infantil. Os corações dos pais crentes, movidos e guiados pela habitação do Espírito Santo, têm o impulso natural de levar seus filhos a Deus. Isto é tão forte que mesmo os que são batistas vão ao lugar de dedicação de suas crianças. Não há nenhum mandamento para a dedicação das crianças no novo Testamento, mas o pai crente sente tal impulso e na maioria das igrejas batistas há a necessidade destes serviços de dedicação das crianças. Não estão errados nisso - seu único erro é que não vão suficientemente longe.

Não encerraremos sem dizer o que Deus pretende conosco como pais cristãos. Se você for um cristão, seu filho é um filho da aliança, Deus pretende que tenhamos o seu sinal de compromisso da aliança. Como pai nascido de novo, é seu privilégio aplicá-lo.

No Antigo Testamento, Deus disciplinava quem que não circuncidava os seus filhos. Para o desgosto deles esse foi o caso de Moisés e Zípora. Deus não trata desta maneira o seu povo nesta época. Nós não somos consumidos quando colhemos espigas no Dia do Senhor, mas no entanto guardamos o Dia do Senhor porque amamos o nosso Senhor. Não somos mortos nesta era por não batizarmos nossos filhos, não obstante devemos fazê-lo porque Deus quer façamos. O batismo de seus filhos é parte de seu privilégio como cristão. Faça isso com ações de graça junto com as outras coisas boas que Deus lhe dá.

Perguntas que devem ser publicamente respondidas pelos pais antes do batismo dos seus filhos.

1. Vocês por si próprios são salvos pela fé em Cristo, não por causa de qualquer coisa tenha feito ou fará, mas simplesmente pela na obra consumada por Cristo na Cruz do Calvário - e por isso que morreu no espaço e tempo, na história?

2. Você compreende que esta não é uma ordenança salvífica e que esta criança terá que aceitar Cristo como seu próprio salvador quando chegar à idade da responsabilidade?

3. Você tem se comprometido com Deus em dar a Ele de volta essa criança, do modo que, se Deus aprouver chamá-la para Si, sem queixar-se d'Ele caso isso aconteça, ou se essa criança crescer e chegar a fase adulta for chamada de alguma forma para o serviço cristão especial, você não o embaraçará mas antes o incentivará a seguir a sua missão?

4. Você entende que este sacramento não é uma questão de mágica, mas isso nele você se compromete com Deus no sentido de educar a criança no temor e admoestação do Senhor, orar por ela e com ela, mantê-la na casa de Deus e com o povo de Deus, para ser fiel em sua vida familiar com Cristo enquanto você vive junto com ela, e fazer o máximo que puder para pessoalmente conduzir-lhe a um conhecimento salvífico de Cristo em uma idade mais adiantada?

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