terça-feira, 25 de outubro de 2011

John Knox, o presbiteriano com uma espada






Knox era um ministro do evangelho cristão que defendia a revolução armada. Ele era considerado um dos mais poderosos pregadores de seus dias, mas apenas dois das centenas de sermões que pregou foram publicados. Ele é uma figura-chave na formação da Escócia moderna, mas só há um monumento erguido em sua homenagem neste país, e seu túmulo está embaixo de um estacionamento.

John Knox era de fato um homem de muitos paradoxos, um Jeremias hebreu estabelecido em solo escocês. Numa campanha incessante de oratória flamejante, ele buscou destruir o que achava ser idolatria e purificar a religião da Escócia.
 
Abraçando a causa - John Knox nasceu por volta de 1514, em Haddington, uma pequena cidade ao sul de Edinburgo. Por volta de 1529 ele entrou na Universidade de St. Andrews e continuou fazendo Teologia. Foi ordenado em 1536, mas se tornou um tabelião, e depois tutor dos filhos dos proprietários de terras locais (a nobreza inferior escocesa).

Eventos dramáticos aconteceram durante a juventude de Knox. Muitos estavam enfurecidos com a Igreja Católica, que possuía mais da metade dos imóveis e tinha uma renda anual de quase 18 vezes a da Coroa. Os bispos e padres eram freqüentemente meros indicados políticos, e muitos nunca esconderam suas vidas imorais: o arcebispo de St. Andrews, cardeal Beaton, andava abertamente com concubinas e era pai de 10 filhos.

O constante tráfego marítimo entre a Escócia e a Europa permitiu que a literatura luterana fosse contrabandeada para dentro do país. Autoridades da igreja ficaram alarmadas com esta “heresia”, e tentaram suprimi-la. Patrick Hamilton, um declarado protestante convertido, foi queimado vivo em 1528.

No início dos anos de 1540, Knox conheceu a influência de reformadores convertidos, e sob a pregação de Thomas Guilliame se juntou a eles. Tornou-se, então, um guarda-costas do feroz pregador protestante George Wishart, que estava pregando por toda a Escócia.

Em 1546, entretanto, o cardeal Beaton prendeu, julgou, estrangulou e queimou Wishart. Em resposta, um grupo de 15 nobres protestantes invadiu o castelo, assassinou Beaton e mutilou seu corpo. O castelo foi imediatamente cercado por uma frota de navios franceses (a França católica era aliada da Escócia). Embora Knox não fosse co-responsável pelo assassinato, ele o aprovou, e durante um furo no cerco, se juntou ao grupo sitiado no castelo.

Durante um culto protestante em um domingo, o pregador John Rough falou sobre a eleição de ministros e publicamente pediu a Knox que assumisse a função de pregador. Quando a congregação confirmou o chamado, Knox ficou abalado e foi às lágrimas. Ele declinou, a princípio, mas finalmente se submeteu ao que sentia ser um chamado divino.

Foi um ministério curto. Em 1547, depois de o castelo de St. Andrews ser cercado mais uma vez, ele finalmente cedeu. Alguns de seus ocupantes foram presos. Outros, como Knox, foram mandados para as galés como escravos.

Pregador viajante - Dezenove meses se passaram antes que ele e outros fossem libertados. Knox passou os cinco anos seguintes na Inglaterra e sua reputação como pregador cresceu muito. Mas quando a católica Mary Tudor assumiu o trono, ele foi forçado a fugir para a França.

Ele foi até Genebra, onde encontrou João Calvino. O reformador francês o descreveu como um “irmão… trabalhando com energia pela fé”. Knox, de sua parte, ficou tão impressionado com a Genebra de Calvino que a chamou de “a escola mais perfeita de Cristo que esteve sobre a terra desde os dias dos apóstolos”.

Knox viajou então para Frankfurt am Main, onde se juntou a outros protestantes refugiados – e rapidamente entrou em controvérsia. Os protestantes não conseguiam concordar com uma ordem de culto. As discussões tornaram-se tão acaloradas que um grupo abandonou uma igreja num domingo, recusando-se a cultuar no mesmo prédio que Knox.

De volta à Escócia, os protestantes estavam redobrando seus esforços e congregações estavam se formando por todo o país. Um grupo, que veio a ser chamado de Os Senhores da Congregação, votaram para fazer do protestantismo a principal religião da Terra. Em 1555, eles convidaram Knox para retornar à Escócia para inspirar a tarefa da reforma. Ele passou nove meses pregando extensiva e persuasivamente na Escócia antes de retornar à Genebra.

Golpes furiosos - Mais uma vez longe de seu lar, ele publicou alguns de seus tratados mais controversos: em sua Admonition to England [Admoestação à Inglaterra], rancorosamente atacou os líderes que permitiram ao catolicismo voltar à Inglaterra. Em The First Blast of the Trumpet Against the Monstrous Regiment of Women [O primeiro toque da trombeta contra o regime monstruoso das mulheres], argumentou que uma governante mulher (como a rainha inglesa Mary Tudor) era “mais odiosa na presença de Deus” e que ela era “uma traidora e se rebelava contra Deus”. Em Appellations to the Nobility and Commonality of Scotland [Apelos à nobreza e à plebe da Escócia], estendeu às pessoas comuns o direito – na verdade a tarefa – de se rebelar contra governantes injustos. Como ele disse a rainha Mary da Escócia mais tarde: “A espada da justiça pertence a Deus, e se os príncipes e governantes deixarem de usá-la, outros o farão.”

Knox retornou à Escócia em 1559, e mais uma vez emprestou suas habilidades formidáveis de pregação para aumentar a militância protestante. Poucos dias após sua chegada pregou um sermão violento em Perth contra a “idolatria” católica, causando tumulto. Imagens foram esmagadas e templos religiosos destruídos.

Em junho, foi eleito ministro da igreja de Edimburgo, onde continuou a exortar e a inspirar. Em seus sermões, sempre gastava meia hora calmamente fazendo a exegese de uma passagem bíblica. Então, quando aplicava o texto à situação escocesa, tornava-se “ativo e vigoroso” e esmurrava o púlpito violentamente. Disse um homem que tomava notas: “Ele me fez sacudir e tremer de um modo que eu não podia segurar a caneta.”

Os Senhores da Congregação ocuparam militarmente mais e mais cidades, de modo que finalmente, no tratado de Berwick de 1560, ingleses e franceses concordaram em deixar a Escócia (os ingleses, agora sob o reinado da protestante Elizabeth I tinham ido ajudar os escoceses protestantes; os franceses estavam ajudando o grupo católico). O futuro do protestantismo na Escócia estava garantido.

O Parlamento ordenou que Knox e cinco outros colegas escrevessem uma Confissão de Fé, o Primeiro Livro da Disciplina e o Livro da Ordem Comum — os quais colocaram a fé protestante na Escócia de um modo distintamente calvinista e presbiteriano.

Knox terminou seus anos como pregador na igreja de Edimburgo, ajudando a moldar o protestantismo na Escócia. Durante esse tempo, escreveu History of the Reformation of Religion in Scotland [História da reforma da religião na Escócia].

Embora permaneça um paradoxo para muitos, ele claramente foi um homem de grande coragem. Alguém, diante da sepultura aberta de Knox, disse: “Aqui jaz um homem que nunca lisonjeou nem temeu nenhuma carne.” O legado de Knox é grande: seus filhos espirituais incluem cerca de 750 mil presbiterianos na Escócia, 3 milhões nos Estados Unidos e muitos milhões espalhados pelo mundo todo.

Fonte: Revista Cristianismo Hoje



quinta-feira, 13 de outubro de 2011

Igreja Presbiteriana ordena pela primeira vez um pastor assumidamente gay

A Igreja Presbiteriana americana ordenará neste sábado pela primeira vez um pastor abertamente homossexual: Scott Anderson, que há duas décadas decidiu revelar que era gay e se viu obrigado a renunciar ao posto em sua congregação na Califórnia.

A ordenação, que marca mais um passo de uma Igreja protestante pela aceitação de homossexuais no clero, acontece após décadas de debate. Em maio deste ano, com o endosso da assembleia nacional presbiteriana, a Igreja resolveu remover de sua constituição a obrigação de um clérigo de estar "dentro do convênio do casamento entre um homem e uma mulher, ou da castidade no celibato".

Numa entrevista recente em sua atual igreja, no Winsconsin, Anderson, de 56 anos, relembrou o dia em que teve que tomar a decisão após ter sua sexualidade descoberta por um casal, que ameaçou denunciá-lo.

"Foi realmente o pior e o melhor momento da minha vida", disse Anderson. "O melhor porque pude pela primeira vez dizer que eu era gay. Mas houve também tristeza por ter que deixar o que eu amava".

Jennifer Sauer, que frequenta a atual Igreja de Anderson no Winsconsin, disse que ele está emocionado com a ordenação. "Qualquer um que conheça Scott vê seu extraordinário dom como pastor, sua habilidade de pregar a palavra, sua humildade", disse Sauer.

Conservadores questionam
Mas membros mais conservadores como Tom Hay, diretor de operações da Assembleia Geral da Igreja Presbiteriana, ameaçaram abandonar a Igreja. "Os episcopais, luteranos, a Igreja Unida de Cristo: todos deram esse passo e tiveram perdas", afirma Hay. "Acho que nós perderemos também".

Várias razões foram citadas pelos defensores das mudanças na Igreja Presbiteriana, entre elas a tendência à aceitação da união do mesmo sexo na sociedade americana e o pouco interesse, entre membros do próprio clero, de continuar com o debate.
O pastor Scott Anderson conta que decidiu que queria ser pastor no ensino médio, e que só anos depois descobriu sua orientação sexual. No primeiro ano como seminarista, se apaixonou por outro homem.

"Naquele momento, eu tive que tomar a decisão: Sigo a regra e continuo no armário, ou saio, passo a ser honesto comigo mesmo e deixo o seminário?", conta.

A primeira opção foi pela religião. Anderson diz que esperava que a decisão fosse recebida com rejeição, mas a resposta por parte de sua então congregação o surpreendeu: recebeu apoio emocional e um cheque para cobrir os estudos regulares. Ele acabou indo para uma congregação diferente.

A ordenação deste sábado significa que ele passará a ter as tarefas que já tem. A diferença é que poderá novamente realizar sacramentos.

Para o pastor, ao aceitar homossexuais a Igreja Presbiteriana ficará mais fortalecida."Isso realmente mostra para a sociedade que temos uma Igreja que não fala apenas em ser criado à imagem e semelhança de Deus e sim que somos criados para se relacionar uns com os outros. Isso dará à Igreja Presbiteriana muito mais integridade em seu testemunho da fé cristã", disse.

Notícias Cristãs com informações de O Globo

Nota:  Apesar de ter origens na PCUSA, a IPB não mantém relações fraternas com a mesma.

Fonte: UOL E NOTICIAS CRISTÃ

Christopher Love



Uma breve história do Pregador Presbiteriano de Gales

Sua vida e morte

I. Introdução

A era dos puritanos é repleta de diversas pessoas brilhantes que sofreram muito ou realizaram muito por causa de Cristo. Entre os chamados de gigantes puritanos, alguém sem dúvida encontrará nomes tais como: Jeremiah Burroughs, Richard Baxter, John Flavel, Richard Sibbes, Thomas Watson, Thomas Vincent e William Ames. Todavia, há um nome que freqüentemente está ausente dessa lista ou é pouco citado: Christopher Love.

Tiraram-lhe a vida quando ele tinha 33 anos e, talvez, essa seja uma razão de conhecermos pouco dele. A despeito de sua curta vida, as obras que escreveu sobrepassam a quantidade escrita por muitos outros teólogos puritanos cujos nomes são familiares para a maioria de nós. Pode ser o caso de que sua vida não tenha sido tão significativa na história como o foi sua morte.

O propósito deste artigo é dar uma olhada na vida e morte desse jovem puritano de quem J. I. Packer disse: “Christopher Love foi um jovem pregador galês e uma estrela em ascensão no mundo do ministério puritano”.

II. A Vida de Christopher Love

A. Os Primeiros Anos de Vida

O ano era 1618, e Christopher Love veio ao mundo em Cardiff, uma antiga cidade em Gales. Ele era o filho mais moço dos seus pais, mas era a criança da velhice deles e o portador do nome do pai. Pouco eles sabiam que sua vida duraria somente meros 33 anos e terminaria abruptamente no cadafalso de Tower Hill.

Seus pais não eram nem ricos, nem pobres e, mesmo assim, foram capazes de providenciar-lhe uma boa educação, embora nunca houvessem pretendido que ele entrasse para o ministério. Na infância, Love desenvolveu uma paixão por livros e por conhecimento, devotando “muito do tempo, tanto de noite como de dia, aos seus amados estudos”.

Antes dos quinze anos, Christopher Love nunca tinha ouvido um sermão. Um dia, pela novidade interessante que isso parecia ser, ele foi a um culto com outros para ver um homem no púlpito, William Erbery.

Todavia, por meio do sermão Deus deu a Love uma tamanha visão de sua pecaminosidade que ele foi para casa aquela noite em profunda tristeza e medo do inferno. Antes de chegar em casa, o Senhor tinha salvo Love mediante Seu amor. A mudança que se operou durante o caminho para casa foi tão visível que seu pai imediatamente a percebeu.

Vendo o filho em tal estado de melancolia, o sr. Love aconselhou-o a se unir a seus amigos num clube de homens para um jogo usual. Mas Christopher Love não participaria mais das veredas pecaminosas de outrora.

No dia seguinte Love pediu permissão ao pai para assistir a uma palestra à noite, na igreja. O pai recusou de maneira inflexível e trancou-o no cômodo superior da casa. Love fugiu pela janela por meio de uma corda improvisada e pegou o caminho para a igreja. Ele pensou que seria melhor desagradar seu pai terreno do que ofender seu novo Pai celestial. Tal coragem pela Palavra de Deus o levaria à sua morte dezoito anos mais tarde.

Love encontrou comunhão com o irmão Erbery e lhe derramou o coração. Muitos dos amigos com quem ele costumava desfrutar os vícios também vieram à fé em Cristo e agora freqüentemente ficavam juntos nas últimas horas da noite para orar e jejuar, separando duas noites por semana para seus exercícios devocionais. Antigamente chamado de apostador, ele era agora chamado de um “pequeno puritano”. Tudo isso trouxe muita tristeza a seu pai. Vendo o recente desprezo do pai pelo filho, Erbery pediu permissão parte ter o jovem Christopher Love vivendo com ele, para que ele pudesse instruí-lo mais e cuidar adequadamente dele. O sr. Love consentiu.

B. Seus Estudos e Início do Ministério

A vida com o irmão Erbery desenvolveu-se muito bem. Naquela época, ele conseguiu permissão para estudar em Oxford, a fim de se preparar para uma vida no ministério do evangelho de Jesus Cristo.

Seu pai consentiu, mas com muito desprazer. O único apoio que o pai lhe deu foi um cavalo sobre o qual ele podia cavalgar até Oxford.

Contudo, sua mãe secretamente lhe supria com algum dinheiro. Erbery também se esforçou para assistir o jovem. Ao chegar em Oxford, em 29 de julho de 1635, ele escolheu Christopher Rogers como tutor. Rogers tinha sido descrito a Love como o “arquipuritano”7, e essa foi a razão da escolha. Love se lançou completamente aos estudos, freqüentemente se privando de sono e recreação. Todavia, permaneceu, por algum tempo durante esse período em sua vida, uma tristeza pelos anos que havia gasto em pecado. Seu coração foi grandemente sobrecarregado, e, com poucos amigos a quem buscar a fim de encontrar conforto, ele aprendeu a se voltar para a graça de Deus. Graças a tudo isso Love desenvolveu um zelo pela Palavra e pela Igreja de Deus. Ele gastava horas na Igreja de São Pedro ouvindo sermões e muitas mais ainda pregando-os também, aprimorando seu dom.

Christopher Love saiu-se tão bem em seus estudos que Rogers, seu tutor, convidou-o para viver em sua própria casa. Em maio de 1639 Love se graduou com seu bacharelado e continuou para adquirir seu mestrado, mas foi expulso antes de alcançar esse nível. Sua expulsão foi devida à sua recusa em assinar os mandatos do Arcebispo Laud durante a convocação. Ele foi readmitido mais tarde em 1645 e recebeu o título de mestre em 1645. Love foi o primeiro a recusar assinar os novos cânones de Laud.

Durante o tempo de sua expulsão, Love foi convidado para a casa do xerife Warner para servir como um capelão doméstico. O amor da família por ele tornou-se profundo e ele foi usado por Deus para trazer vários membros dela à fé em Cristo. Foi nessa casa que Love encontrou sua amada Mary Stone, a enfermeira do xerife. Seis anos mais tarde (9 de abril de 1645) eles se casaram. Love foi também convidado a ocupar a posição de professor acadêmico na Saint Anne’s, mas o bispo de Londres se opôs veementemente, pois ele não era ordenado, de forma que durante três anos “foi-lhe recusada sua concessão”. Recusando ser ordenado pela Igreja Anglicana, ele viajou para a Escócia a fim de buscar o rito de ordenação dos presbiterianos.

Desafortunadamente, os escoceses tinham determinado não ordenar ninguém ao ministério, a menos que a pessoa permanecesse no norte para realizar a obra do Senhor. Love fez grandes propostas para ser aceito entre eles, mas voltou para casa desapontado.

Ao retornar, foi convidado ao púlpito em Newcastle, em um domingo. Em seu sermão ele atacou o Livro da Oração Comum e as cerimônias da Igreja da Inglaterra. Por causa disso, ele foi preso com ladrões e assassinos. Enquanto encarcerado, muitas pessoas se reuniram para vê-lo, mas não lhes foi permitir visitá-lo; portanto, ele começou a pregar às multidões de fora através das barras do portão da prisão. Após algum tempo no cárcere, foi levado para Londres, julgado e absolvido de todas as acusações.

Algum tempo depois, Love foi acusado de traição e rebelião por pregar que uma guerra defensiva era justificável. Novamente ele foi considerado inocente. Pouco depois desse incidente, ele foi feito o capelão da guarnição militar de Windsor, que estava sob o comando do coronel John Veen. Ele foi grandemente amado por aqueles a quem ministrou, mesmo pelos que discordavam dele sobre os assuntos da igreja. Enquanto ministrava nesse posto, uma praga fulminou a cidade e o castelo. Embora muitos tenham morrido ao seu redor, Love corajosamente continuou ministrando. Apesar de se expor às infecções e à morte, o Senhor o preservou.

C. Sua Ordenação e Posterior Ministério

Naquela época, os presbiterianos chegaram ao poder. Isso deu a Love oportunidade para a ordenação que ele tinha tão intensamente desejado. “Na instigação de Edmund Calamy”, Christopher Love foi ordenado em 23 de janeiro de 1644, na Igreja Aldermanbury pelos senhores Horton, Bellers e Roberts. Durante o exame de ordenação foi-lhe perguntado se ele poderia sofrer pelas verdades de Cristo. Ele respondeu: “Eu tremo ao pensar sobre o que devo fazer em tal caso, especialmente quando considero como muitos se vangloriaram de que poderiam sofrer por Cristo, e, todavia, quando o momento chegou, negaram a Cristo e a Suas verdades em lugar de sofrer por eles.

Portanto, não ouso me vangloriar do que farei, mas, se este poder me for dado por Deus, então, eu não somente estarei disposto a ser preso, como também a morrer por causa do Senhor Jesus”. O reverendo Christopher Love cumpriria essas palavras em Tower Hill.

Durante os próximos poucos anos, Love pregou com severidade contra o episcopado e o Livro de Oração Comum, aos quais ele se referia.
Fonte: Os Puritanos

quinta-feira, 22 de setembro de 2011

Por trás do monge e do executivo


Entrevista com James C. Hunter

Poucos líderes nunca ouviram falar do livro O Monge e o Executivo (Editora Sextante). Ele se tornou febre no mundo corporativo, está há 222 semanas no ranking dos livros mais vendidos da Revista Veja e já vendeu mais de 2 milhões de cópias no mundo.

No livro, o norte-americano James C. Hunter conta a história de um executivo que vai buscar soluções para seus dilemas profissionais e pessoais num mosteiro beneditino. Neste lugar ele ouve falar de um homem que não ocupou cargo algum, não fez faculdade e sequer pisou numa empresa: Jesus Cristo. O monge apresenta o Mestre como o exemplo maior de líder.

No entanto, o que a maioria dos leitores dos livros de Hunter não sabe é que, o homem por trás do livro que introduziu o conceito de liderança servidora nas empresas é crente em Jesus Cristo há quase 30 anos. E foi sobre a sua experiência na fé que Hunter concedeu esta entrevista exclusiva para o nosso site.

Qual é a sua experiência pessoal com Cristo?
Hunter – Tenho sido um cristão sério e praticante nos últimos 28 anos. Fui batizado ainda criança, mas não levei minha fé a sério até ter 30 anos. A salvação fez sentido para mim em 1981. Atualmente, eu e minha família freqüentamos uma pequena igreja batista próxima de nossa casa.

Você já ocupou algum cargo de liderança na sua igreja local?
Hunter - Sim, já fui ancião e depois o presidente do conselho da igreja. Atualmente, sou professor do curso de Liderança e também do curso Construindo nossa Comunidade, ambos na igreja local.

Seria possível escrever um livro sobre liderança servidora sem ter experimentado o novo nascimento?
Hunter – Não! Minha fé é extremamente importante para mim e foi fundamental ao escrever livros sobre o tema.

Que tipo de retorno você tem recebido dos pastores e de outros líderes cristãos sobre seu livro?
Hunter – Os pastores e líderes cristãos que entram em contato têm apoiado e dado indicações de que amaram o livro. Mas, a maior surpresa foi que os líderes de organizações seculares foram aqueles que realmente se interessaram pelo livro. Eu gasto 98% do meu tempo ensinando o conceito de liderança servidora em empresas e somente 2% em organizações cristãs. Isto foi surpreendente! Muitas organizações cristãs acreditam que entendem e praticam o conceito de liderança servidora, embora minha experiência mostre o contrário... Na realidade, poucas organizações cristãs realmente entendem e praticam a liderança servidora.

Você acredita que os seus leitores não cristãos tem se interessado em conhecer mais sobre Jesus Cristo?
Hunter – Sim, eu realmente creio que os princípios de meus livros podem ajudar a criar uma abertura para Jesus. Eu não tenho nenhuma estatística para apoiar esta afirmação, mas meu instinto diz que o conceito de liderança servidora pode gerar mentes e corações abertos para ouvir o Evangelho de Jesus Cristo.

Qual foi o seu maior desejo ao escrever este livro?
Hunter - Apresentar os princípios de liderança servidora que podem mudar nossas vidas em um mundo perdido e falido.

Que conselho daria aos líderes cristãos em relação ao tema Liderança Servidora em suas igrejas?
Hunter – O melhor conselho que posso dar é seguir o conselho e o exemplo de nosso líder Jesus. Ele disse que liderar é servir. Sendo assim, amem e sirvam os outros. Amar significa se doar para os outros, identificando e suprindo suas reais necessidades e buscando o melhor para suas vidas.

Reprodução Autorizada desde que mantida a integridade dos textos, mencionado o site www.institutojetro.com

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

Já Vimos Isto Antes: Rob Bell e o Ressurgimento da Teologia Liberal




O romancista Saul Bellow ressaltou, certa vez, que ser um profeta é uma obra excelente se você pode consegui-la. O único problema, ele sugeriu, é que, mais cedo ou mais tarde, um profeta tem de falar sobre Deus. E, nesse ponto, o profeta tem de falar com clareza. Em outras palavras, o profeta terá de falar com especificidade a respeito de quem é Deus, e, nesse ponto, as opções se restringem.

Durante os últimos vinte anos, um movimento identificado como cristianismo emergente tem feito o seu melhor para evitar o discurso com especificidade. Figuras importantes no movimento ofereceram críticas mordazes dos principais segmentos do evangelismo. Mais enfaticamente, eles têm acusado, de diversas maneiras, o cristianismo evangélico de ser excessivamente preocupado com doutrina, fora de sintonia com a cultura, muito proposicional, ofensivo além do necessário, esteticamente mal nutrido e monótono.

Muitas de suas críticas eram relevantes – em especial, aquelas alicerçadas em preocupações culturais – mas outras denunciaram o que pode ser descrito como um relacionamento estranho com a teologia cristã ortodoxa. Desde o começo do movimento, muitos líderes da igreja emergente exigiam uma grande transformação na teologia evangélica.

No entanto, mesmo quando muitos desses líderes insistiam em que permaneciam dentro do círculo evangélico, ficou claro que muitos estavam se movendo para uma postura pós-evangélica. Houve os primeiros indícios de que o rumo do movimento seguia em direção ao liberalismo teológico e ao revisionismo radical. Mas a forma predominante do argumento deles era a sugestão, e não a asseveração.

Em vez de fazerem asseverações teológicas e doutrinárias claras, figuras da igreja emergente levantam, geralmente, questões e oferecem comentários sugestivos. Influenciados pelas teorias da narrativa pós-modernas, muito no movimento da igreja emergente se apóiam em histórias, e não no argumento formal. A direção geral parecia bastante clara. Os principais líderes da igreja emergente pareciam estar impulsionando o Liberalismo Protestante – apenas um século depois.

O liberalismo protestante surgiu no século XIX quando teólogos influentes defendiam uma reforma doutrinária. O desafio deles para a igreja era simples e franco: os desafios intelectuais da era moderna tornavam impossível a crença nas doutrinas cristãs tradicionais. Friedrich Schleiermacher escreveu seus fervorosos discursos para os "desprezadores cultos" da religião, argumentando que algo de valor espiritual permanecia no cristianismo mesmo quando suas doutrinas não eram mais críveis. Historiadores eclesiásticos, como Adolf von Harnack, argumentavam que certo núcleo de verdade e poder espiritual permanecia mesmo quando as afirmações doutrinárias do cristianismo eram negadas. Nos Estados Unidos, pregadores como Harry Emerson Fosdick pregavam que o cristianismo tinha de harmonizar-se com a era moderna e abandonar suas afirmações sobrenaturais.

Os liberais não planejavam destruir o cristianismo. Pelo contrário, estavam certos de que estavam resgatando o cristianismo de si mesmo. O esforço de resgate dos liberais exigia a capitulação das doutrinas que a era moderna achou mais difíceis de aceitar, e a doutrina sobre o inferno era a principal em sua lista de doutrina que tinham de ser renunciadas.

Como observou o historiador Gary Dorrien, do Union Theological Seminary – a fortaleza do liberalismo protestante – foi a doutrina do inferno que marcou os primeiros grandes afastamentos da ortodoxia teológica nos Estados Unidos. Os primeiros liberais não podiam aceitar e não aceitariam a doutrina do inferno que incluía punição eterna consciente e o derramamento da ira de Deus sobre o pecado.

Portanto, eles a rejeitaram. Argumentaram que a doutrina sobre o inferno, embora revelada com clareza na Bíblia, difamava o caráter de Deus. Ofereceram evasivas intencionais dos ensinos da Bíblia, revisões da doutrina e rejeição do que a igreja havia afirmado em toda a sua longa história. Por volta do final do século XX, a teologia liberal havia esvaziado amplamente as principais igrejas e denominações protestantes. Quando se inicia o novo século, o liberalismo teológico é não somente uma rejeição do cristianismo bíblico – mas também uma tentativa fracassada de resgatar a igreja de suas doutrinas. Por fim, uma sociedade secular não sente qualquer necessidade de freqüentar ou apoiar igrejas secularizadas que possuem uma teologia secularizada. A negação da doutrina sobre o inferno não trouxe relevância para as igrejas liberais. Apenas enganou milhões de pessoas quanto ao seu destino eterno.

Isso nos traz à controvérsia sobre o livro Love Wins, de Rob Bell. Como a sua capa anuncia, o livro fala sobre "o céu, o inferno e o destino de cada pessoa que já viveu". Ler esse livro é uma experiência entristecedora. Já lemos esse livro antes. Não as palavras exatas, nem apresentado de modo tão habilidoso, mas o mesmo livro, o mesmo argumento, a mesma tentativa de livrar o cristianismo da Bíblia.

Rob Bell, como comunicador, é um gênio. Ele é o mestre da pergunta pungente, da história distorcida e da anedota pessoal. Como Harry Emerson Fosdick, o paladino do liberalismo no púlpito, Rob Bell é um exímio comunicador. Se ele tivesse planejado defender o ensino bíblico sobre o inferno, ele o teria feito maravilhosamente. Teria prestado um grande serviço à igreja. Mas isso não foi o que ele intencionou fazer.

Como Fosdick, Rob Bell se preocupa profundamente com as pessoas. Isso se evidencia em seu escritos. Não há razão para duvidarmos que Rob Bell escreveu este livro motivado por sua preocupação pessoal com as pessoas que se irritam com a doutrina sobre o inferno. Se essa preocupação tivesse sido direcionada a uma apresentação de como a doutrina bíblica sobre o inferno se encaixa no contexto mais amplo do amor e da justiça de Deus e do evangelho de Jesus Cristo, isso teria sido um benefício para milhares de cristãos e outras pessoas que procuram entender a fé cristã. Mas não é isso que Bell faz em seu novo livro.

Em vez disso, Rob Bell usa seu incrível poder literário e comunicativo para dividir a mensagem da Bíblia e lançar dúvidas sobre os seus ensinos.

Ele afirma claramente o seu interesse: "Um impressionante número de pessoas têm sido ensinadas de que um grupo seleto de cristãos viverão para sempre em lugar de paz, regozijo e alegria chamado céu, enquanto o resto da humanidade viverá para sempre em tormento e punição no inferno, sem qualquer chance de algo melhor. Diz-se claramente a muitos que essa crença é uma doutrina central da fé cristã e que rejeitá-la significa, em essência, rejeitar a Jesus. Isso é errado, prejudicial e, em última análise, subverte a contagiante propagação da mensagem de amor, paz, perdão e alegria de Jesus, a mensagem que o nosso mundo precisa ouvir urgentemente".

Essa é uma afirmação tremenda; é bastante clara. Rob Bell crê que a doutrina da punição eterna de pecadores que não se arrependem está impedindo que as pessoas venham a Jesus. Esse é um pensamento inquietante, mas, sob melhor análise, destrói a si mesmo. Em primeiro lugar, Jesus falou com muita clareza sobre o inferno, usando uma linguagem que só pode ser descrita como explícita. Jesus advertiu sobre "aquele que pode fazer perecer no inferno tanto a alma como o corpo" (Mt 10.28).

Em Love Wins, Rob Bell faz o seu melhor para argumentar que a igreja tem permitido que a história do amor de Jesus seja pervertida por outras histórias. A história de um inferno eterno não é, ele crê, uma boa história. Ele sugere que uma história melhor envolveria a possibilidade de o pecador vir à fé em Cristo depois da morte, ou de o inferno ser uma cessação de existência, ou de o inferno ser, por fim, esvaziado de seus habitantes. O problema, é claro, é que a Bíblia não nos dá qualquer indício da possibilidade de um pecador ser salvo depois da morte. Em vez disso, a Bíblia diz: "Aos homens está ordenado morrerem uma só vez, vindo, depois disto, o juízo" (Hb 9.27).

Ele também advoga uma forma de salvação universal. Novamente, as afirmações de Rob Bell são mais sugestivas do que declarativas, mas ele tenciona claramente que seus leitores sejam persuadidos de que é possível – até provável – que aqueles que resistem, rejeitam ou nunca ouvem de Cristo possam, apesar disso, ser salvos por meio de Cristo. Isso significa que nenhuma fé consciente em Cristo é necessária para a salvação. Bell sabe que tem de lidar com textos como Romanos 10.14: "E como ouvirão, se não há quem pregue?" Ele diz que concorda sinceramente com esse argumento do apóstolo Paulo, mas, em seguida, descarta todo o argumento e sugere que esse não pode ser o plano de Deus. Evita totalmente a conclusão de Paulo de que a fé vem pelo ouvir e o ouvir "pela palavra de Cristo" (Rm 10.17). Bell rejeita a idéia de que uma pessoa tem de chegar a um conhecimento pessoal de Cristo nesta vida, para que seja salva. "E se o missionário não alcançar os perdidos?", ele pergunta.

Essa é a maneira como Rob Bell lida com a Bíblia. Ele argumenta que as portas que nunca se fecharão na Nova Jerusalém (Ap 21.25) significam que a oportunidade de salvação jamais se fecha, mas ele evita considerar o capítulo anterior, que inclui a afirmação clara da justiça de Deus: "E, se alguém não foi achado inscrito no Livro da Vida, esse foi lançado para dentro do lago de fogo" (Ap 20.15). As portas eternamente abertas da Nova Jerusalém aparecem depois desse julgamento.

Assim como muitos outros, Bell quer separar a mensagem de Jesus das outras vozes do Novo Testamento, em especial a voz do apóstolo Paulo. Nisto, temos de enfrentar a inescapável questão da autoridade bíblica. Ou afirmaremos que cada palavra da Bíblia é verdadeira, digna de confiança e plena de autoridade, ou criaremos nossa própria Bíblia, de acordo com nossas preferências. Em palavras francas, se Paulo e Jesus não falam a mesma coisa, não temos qualquer idéia do que é realmente verdadeiro.

Bell prefere o inclusivismo, a crença de que Cristo está salvando a humanidade por outros meios além do evangelho, incluindo outras religiões. Mas ele confunde as coisas, parecendo advogar o universalismo em algumas páginas, mas esquivando-se de uma afirmação plena. Ele rejeita a crença de que a fé consciente em Cristo é necessária para a salvação, mas não se firma com clareza numa descrição específica do que ele crê.

Bell tenta reduzir toda a Bíblia e a inteireza do evangelho a história e crê que é seu direito e dever determinar que história é melhor do que outra – que versão do cristianismo será convincente e atraente para os incrédulos. Afinal de contas, ele estabeleceu isso como seu alvo – substituir a história recebida por algo que vê como melhor.

O primeiro problema nessa atitude é óbvio. Não temos nenhum direito de determinar que "história" do evangelho preferimos ou achamos mais convincente. Temos de lidar com o evangelho que recebemos de Cristo e dos apóstolos, a fé que uma vez por todas foi entregue à igreja. Sugerir que outra história é melhor e mais atraente do que essa história é audácia de proporções fenomenais. A igreja está presa à história revelada na Bíblia – em toda a Bíblia... cada palavra dela.

Há um segundo problema, um problema que podemos achar que já tínhamos aprendido. O liberalismo não convence. Bell quer argumentar que o amor de Deus é tão poderoso, que "Deus consegue o que Deus quer". Ora, Deus quer a salvação de todos, Bell argumenta, logo, todos serão salvos – alguns depois da morte, até muito tempo depois da morte. Mas ele não pode sustentar essa idéia por causa da sua absoluta afirmação da autonomia humana: Deus mesmo não pode impedir e não impedirá de ir para o inferno alguém que está decidido a ir para lá. Portanto, se entendemos Bell em seus próprios termos, nem ele crê que "Deus consegue o que Deus quer".
Semelhantemente, o argumento de Bell está centralizado na afirmação do caráter amoroso de Deus, mas ele separa o amor da justiça e da santidade. Isso é característico do liberalismo tradicional. O amor é divorciado da santidade e se torna mera sentimentalidade. Bell quer resgatar a Deus de qualquer ensino de que sua ira é derramada sobre o pecado e pecadores e, com certeza, em qualquer sentido de punição eternamente consciente. Mas Bell também quer Deus vindique as vítimas de assassinato, estupro, abuso infantil e males semelhantes. Ele parece não reconhecer que tem destruído sua própria história, deixando Deus incapaz ou indisposto de realizar sua própria justiça.

Na verdade, qualquer esforço humano para oferecer ao mundo uma história superior à abrangente história da Bíblia fracassa em todos os lados. É uma abdicação da autoridade bíblica, uma negação da verdade bíblica e um evangelho falso. Engana pecadores e não salva. Também fracassa em seu alvo central – convencer pecadores a pensarem melhor em Deus. O verdadeiro evangelho é o evangelho que salva – o evangelho que tem de ser ouvido e crido, para que pecadores sejam salvos.

Mas é exatamente neste ponto que o livro de Rob Bell se desvia. Ele descreve o evangelho nestes termos:

Começa na verdade certa e segura de que somos amados. A verdade de que, apesar do que saiu horrivelmente errado em nosso coração e se espalhou por todos os cantos do mundo; apesar de nossos pecados, erros, rebelião e coração insensível; apesar do que foi feito para nós e do que temos feito, Deus fez as pazes conosco.

Ausente do evangelho de Rob Bell, está qualquer referência clara a Cristo, qualquer entendimento adequado do pecado, qualquer afirmação da santidade de Deus e de sua garantia de punir o pecado, qualquer referência ao sangue derramado de Cristo, de sua morte na cruz, de sua expiação vicária e de sua ressurreição e, tão impressionantemente, qualquer referência à fé como a reposta de pecadores às boas-novas do evangelho. Aqui não há verdadeiro evangelho. Isso é apenas uma reedição da mensagem impotente do liberalismo teológico.

N. Richard Niebuhr condensou brilhantemente a teologia liberal nesta sentença: "Um Deus sem ira trouxe homens sem pecado a um reino sem julgamento por meio das ministrações de um Cristo sem uma cruz".

Sim, já lemos este livro antes. Com Love Wins, Rob Bell se move firmemente no mundo do liberalismo protestante. Sua mensagem é um liberalismo que chega tarde no cenário. Tragicamente, sua mensagem confundirá muitos crentes, bem como inúmeros incrédulos.
Não ousamos evadir-nos de tudo que a Bíblia diz sobre o inferno. Jamais devemos confundir o evangelho, nem oferecer sugestões de que talvez haja algum meio de salvação além da fé consciente em Jesus Cristo. Jamais devemos crer que podemos fazer um trabalho de relações públicas a respeito do evangelho ou do caráter de Deus. Jamais devemos ser imprecisos e subversivamente sugestivos sobre ao que a Bíblia ensina.

Nas páginas iniciais de Love Wins, Rob Bell garante aos seus leitores que "nada neste livro não foi ensinado, sugerido ou celebrado por muitos antes de mim". Isso é bastante verdadeiro. Mas a tragédia é que essas coisas foram ensinadas, sugeridas e celebradas por aqueles cuja companhia nenhum amigo do evangelho deveria querer. Neste novo livro, Rob Bell toma sua posição com aqueles que tem procurado resgatar o cristianismo de si mesmo. Sob qualquer medida, isso é uma grande tragédia.

Traduzido por: Wellington Ferreira


Copyright:
© R. Albert Mohler Jr.
©2011 Editora Fiel


Traduzido do original em inglês: We Have Seen All This Before: Rob Bell and the (Re)Emergence of Liberal Theology. Publicado originalmente no site: www.albertmohler.com

terça-feira, 13 de setembro de 2011

Livro de Ordem Comum

Informações Gerais
O Livro da Ordem Comum foi compilado em um livro a 1550 a 1560 pelos protestantes escoceses John Knox e outros. O Livro da Ordem Comum serviu como o livro de culto da Igreja da Escócia a partir de 1564 a 1645. 

O primeiro livro foi impresso em 1556 sob o título Livro de Genebra. Esta versão, inicialmente intitulado Livro Comum de Nossa Ordem, se tornou amplamente utilizado na Reformada igrejas (ver Reforma). Passou através de várias edições entre 1556, em Genebra, Suíça, e de 1644 em Edimburgo, Escócia. O livro continha os Salmos, bem como as instruções dadas aos ministros sobre a forma de executar tarefas básicas, tais como a oração, eleição e ordenação de ministros, escolha dos anciãos e diáconos, visitação dos enfermos, e de excomunhão. 

A Igreja da Escócia adaptado às necessidades modernas do Livro, emissão autorizado edições de 1928 e 1940. O Livro dos Comuns Ordem, foi substituído na Escócia igrejas pelo Inglês Oração Book. 

Livro de ordem comum
Informação Avançada
O título historicamente utilizada pela Igreja Presbiteriana da Escócia e igrejas para os seus associados litúrgica manuais. A última edição foi publicada sob a denominação para a Igreja da Escócia, em 1979, e contém formas de serviço, no tradicional "Tu" estilo de Deus, bem como abordar de forma mais contemporânea "Você" formulário. 

Sumário deste livro são o serviço divino (três inteiro e um reduzido encomendas de Santa Comunhão, juntamente com um esquema ordem de serviço público para a adoração quando a Ceia do Senhor não é comemorado), serviços de iniciação cristã, a celebração de casamentos, funerais, e a coordenação ea admissão de anciãos. Além disso, contém uma lectionary, dois conjuntos de coleta, e bom para os cristãos prefaces ano. 

O primeiro livro a ostentar este título foi publicado pela autoridade da Assembleia Geral da Igreja da Escócia, em 1562 e continha textos para o ministration dos sacramentos. Dois anos depois mais uma edição incluiu material para todos os efeitos, incluindo metrical salmos e versões de outras porções da Escritura. A primeira edição foi em grande parte com base naquilo que ficou conhecido como John Knox's Genevan Serviço Bool (1556), introduzidas por este renovador para o Inglês congregação, em Genebra, que consistia em grande parte dos exilados a partir do reinado de Mary. A tentativa de substituir o Livro dos Comuns pela Ordem dos chamados Laudian Liturgia de 1637 precipitou a Solene Liga e Aliança, mas em 1644 ele foi deslocado pelo Diretório do Culto Público. 

Tal como o Livro dos Comuns Ordem nunca tinha sido um formulário absoluto como o Livro de Oração Comum na Inglaterra, mas sim um modelo padrão e de culto, o ministro foi dada liberdade para extempore oração, assim como flexibilidade de utilização. Isso levou muito a "livre" tipos de serviços em algumas igrejas durante séculos XVIII e XIX, mas este século tem visto a ressurreição do Livro Ordem dos Comuns. A Igreja da Escócia Unidos Livre publicado um livro com esse título em 1928 e, em seguida, a própria Igreja da Escócia, após a reunificação com a Igreja, produzido a edição 1940 do Livro Ordem dos Comuns, posteriormente revisto em 1952. Bem como os habituais serviços, este manual teve formas interessantes para a dedicação da igreja vários edifícios e mobiliário, bem como algum material em orações devocionais útil para ocasiões especiais e graças. 

DH Wheaton
(Elwell Evangélica Dicionário) 

Bibliografia
WD Maxwell, um esboço de culto cristão; H. Davies, Culto e Teologia, na Inglaterra, I, 274-93, IV, 370-72.

sexta-feira, 9 de setembro de 2011

O Criador e as Obras da Criação

        Por Taciano Cassimiro
Esboço dos Estudos Bíblicos Ministrados ás Quintas-Feiras
na IPB – de Tanque D’arca-AL
Texto: GN 1.1-31
I. O CRIADOR

Teorias que negam a existência de Deus:

1.1. Ateísmo: crer na inexistência de Deus. 
·         Platão definiu dois tipos básicos de ateístas:
Primeiro, aqueles que estão convencidos de que Deus ( ou deuses ) não existe;
Segundo, aqueles que afirmam que não há qualquer lugar para Deus ( ou deuses ) neste mundo.

1.2. Agnosticismo: crer que não existem indícios suficientes para se provar ou refutar a existência ou inexistência de Deus ( ou deuses ).

2. O relato Bíblico

Verdade que a Bíblia não é um livro cientifico, embora haja ciência nela. A mesma não tenta provar a existência de Deus, porém afirma que Ele Existe. HEBREUS 11 – 1. Ora, a fé é o firme fundamento das coisas que se esperam, e a prova das coisas que não se vêem. 2. Porque por ela os antigos alcançaram bom testemunho. 3. Pela fé entendemos que os mundos foram criados pela palavra de Deus; de modo que o visível não foi feito daquilo que se vê.

2.1. A Bíblia afirma que houve um princípio, e este principio não foi obra do acaso.

GÊNESIS 1.1 -  No princípio criou Deus os céus e a terra.
Quanto à origem de Deus podemos responder com DANIEL 4.3 - Quão grandes são os seus sinais, e quão poderosas as suas maravilhas! O seu reino é um reino SEMPITERNO, e o seu domínio de geração em geração.
Deus não teve início e não terá fim. Ele é o “ El-Olam “ o Deus Eterno. Gn 21.33; Is 40.28.

 É possível afirmar a existência de Deus de três formas:
·         Primeiro, Afirmação da Existência de Deus nas Escrituras Sagradas: A Bíblia afirma “ No Princípio Criou Deus...”

·         Segundo, Afirmação da Existência de Deus na Constituição do Ser Humano: O homem carrega idéias inatas sobre a existência de Deus. Exemplos:
O “ Semem Religionis “ nas palavras João Calvino “ como a experiência mostra, Deus plantou uma semente de religião em todos os homens”.

O “ Sensus do Divino “, João Calvino tratando do assunto afirmou “ Portanto, visto que desde o começo do mundo não tenha havido nenhuma religião, nenhuma cidade, em resumo, nenhuma família que pudesse viver sem religião, nisto descansa a tácita confissão de que o sensos do divinitatis está inscrito no coração de todos os homens “.

·         Terceiro, Afirmação da Existência de Deus nos Argumentos Racionais:

1. Argumento Ontológico – A existência real de Deus parte de sua existência necessária em nosso pensamento.
 2. Argumento Moral – Existe um Legislador supremo, QUE É DEUS, e do fato de haver a presença de uma lei moral no universo.
3. Argumento Teleológico - Há um propósito no universo. Deve haver alguém que estabeleceu o propósito, que é Deus.
4. Argumento Cosmológico - Declara que deve haver uma causa final de todas as coisas. Esta causa afirma ser Deus. 
Com base neste argumento Deus é o único ser não causal, é sem causa.

II. As obras da criação
  
  •       Catecismo maior, pergunta 15. O que é a obra da criação?
RESP. A obra da criação é aquela pela qual Deus, pela palavra do seu poder, fez do nada o mundo e tudo quanto nele há, para si, no espaço de seis dias, e tudo muito bem.      

  • ·         O ato da criação foi obra do Deus trino. A Bíblia revela que o Deus trino é o autor da criação ( Is 40.12; 44.24; 1 Co 8.6; Jo 1.3; Cl 1.15-17; Gn 1.3; Sl 104.30; Jó 26.13; 33.4 ).
  • ·         A criação foi ato livre do criador ( Jó 22.3,13; At 17.25 )
  • ·         A obra da criação teve um começo ( Gn 1.1; Sl 90.2; Sl 102.25 )
    Hb 11.1-3 – Seguindo o texto de Hebreus acreditamos que o universo foi formado pela palavra de Deus. Com certeza aqui há lugar para uma simples pergunta. Em quantos dias Deus criou o universo?
Embora haja a citação acima do Catecismo afirme “ seis dias “ a pergunta que surge, é – estes seis dias, são literais de 24 horas?

Teorias:

Primeira, Os dias da criação foram dias literais de 24 horas.
Martinho Lutero, consistentemente, defendeu a interpretação literal do relato da criação: “Afirmamos que Moisés falou no sentido literal, e não alegórica ou figurativamente, isto é, que o mundo, com todas as suas criaturas, foi criado em seis dias, como se lê no texto”. Também os outros Reformadores entendiam os “dias” da criação da mesma forma.

Segunda, Os dias da criação foram longos e sucessivos períodos ( dias eras ).
O erudito britânico John C. L. Gibson argumenta que Gênesis 1 deve ser tomado como uma “metáfora” (21), “história”, ou “parábola” (22), e não como um registro direto dos acontecimentos da criação. Escreveu ele em seu comentário sobre Gênesis, de 1981:

“... Se entendermos “dia” como equivalente a “época” ou “era”, poderemos pôr a seqüência da criação, apresentada no capítulo 1, em conexão com os relatos da moderna teoria da evolução, e assim caminhar um pouco no sentido da recuperação da reputação da Bíblia em nossa era científica ... Tanto quanto este argumento inicie uma tentativa de ultrapassar o sentido literal, atribuindo à semana da criação o sentido de uma parábola, com uma duração muito mais extensa, isso será digno de elogios.”

A Bíblia não é um tratado científico, embora haja ciência nela. Em Gênesis vejo que o propósito é de nos revelar Deus como Criador de todas as coisas, independente dos dias serem de 24 horas ou eras. Entendo ser mais edificante para comunidade cristã crer e entender a beleza do Criador e de sua criação do que passar horas e horas discutindo, sem chegar a lugar algum sobre a questão dos dias criativos.
Não desmereço a tentativa dos estudiosos nessa questão, mas nosso propósito é tratar de outros aspectos da narrativa de Gênesis.
Eis os dias da criação:






Sem Forma Transformado em Forma
Vazio Transformado em Habitação
v. 3-5
1º Dia
Luz
v. 14-19
4º Dia
Luminares (sol, luz, estrelas)
v. 6-8
2º Dia
Atmosfera (espaço superior)
Água (espaço inferior)
v. 20-23
5º Dia
Peixes e Pássaros
v. 9-13
3º Dia
Plantas terrestres
v. 24-31
6º Dia
Animais e Homem

              As obras da criação apontam para um criador, e esse criador é Deus (GN1.1). Tudo veio a existir e ficou firme ao comando de Yahweh Deus ( Sl 33.1,6-9 ). Yahweh trouxe o cosmos à existência ex nihilo ( do nada ).
Em seis dias Deus completou o ciclo de criação, e sua afirmação ao criar “Gn 1.31 - E viu Deus tudo quanto fizera, e eis que era muito bom. E foi a tarde e a manhã, o dia sexto.

As obras da criação dão testemunho de seu criador.

 III. Os propósitos da criação 

O catecismo maior, pergunta 1. Qual é o fim supremo e principal do homem? 

RESP. O fim supremo e principal do homem é glorificar a Deus e gozá-lo para sempre.
É verdade que o catecismo pergunta em relação ao homem, porém, vejo na mesma o propósito da criação no seu todo. 

Assim ao lermos o Salmo 19.1, começamos a entender o propósito da criação: “ Os céus proclamam a glória de Deus e o firmamento anuncia a obra das suas mãos”.
Em Rm 11.36 - Porque dele, e por ele, e para ele, são todas as coisas; glória, pois, a ele eternamente. Amém.

Os propósitos da criação:

Propósitos primários

  • 1.      Ensinar que Deus é o criador “Jr 51.15 - É ele quem fez a terra com o seu poder, estabeleceu o mundo com a sua sabedoria, e estendeu os céus com o seu entendimento.

  • 2.      Para glória e louvor de seu nome. Esta afirmativa não significa que Deus estava precisando de gloria de sua criação, porém o resultado inevitável de seu ato criador é a sua glória.

  • 3.      Iniciar o progresso de revelação bíblica. A fala de Deus “ Disse Deus” é o primeiro passo nesse processo, e este acredito ser um dos propósitos da criação uma vez registrado.

Propósitos secundários

  • 1.  Os homens devem se submeter ao Deus da criação em temor e obediência. Os céus proclamam a glória de Deus
“Porque os atributos invisíveis de Deus, assim o seu eterno poder, como também a sua própria divindade, claramente se reconhecem, desde o princípio do mundo, sendo percebidos por meio das coisas criadas. Tais homens são, por isso, indesculpáveis; porquanto tendo conhecimento de Deus, não o glorificaram como Deus, nem lhe deram graças; antes, se tornaram nulos em seus próprios raciocínios, obscurecendo-se-lhes o coração insensato.” (Rm. 1:20-21).
  • 2.     Os homens devem confiar no Deus da criação, para prover todas as suas necessidades.

“Fazes crescer a relva para os animais, e as plantas para o serviço do homem, de sorte que da terra tire o seu pão; o vinho, que alegra o coração do homem, o azeite que lhe dá brilho ao rosto, e o pão que lhe sustém as forças. Avigoram-se as aves do Senhor, e os cedros do Líbano que ele plantou, em que as aves fazem seus ninhos; quanto à cegonha, a sua casa é nos ciprestes. Os altos montes são das cabras montesinhas, e as rochas o refúgio dos arganazes. Fez a lua para marcar o tempo; o sol conhece a hora do seu ocaso. Dispões as trevas, e vem a noite, na qual vagueiam os animais da selva. Os leõezinhos rugem pela presa, e buscam de Deus o sustento; em vindo o sol, eles se recolhem e se acomodam nos seus covis. Sai o homem para o seu trabalho, e para o seu encargo até a tarde.” (Sl. 104:14-23)

  • 3.  Os homens devem se humilhar diante da sabedoria de Deus evidenciada na criação. Jó sofreu muitas aflições. Mas, afinal, o suficiente foi suficiente. Ele começou a questionar a sabedoria de Deus em sua adversidade. Ao seu questionamento Deus respondeu:
“Depois disto o Senhor, do meio de um redemoinho, respondeu a Jó: Quem é este que escurece os meus desígnios com palavras sem conhecimento? Cinge, pois, os teus lombos como homem, pois eu te perguntarei, e tu me farás saber. Onde estavas tu, quando eu lançava os fundamentos da terra? Dize-mo, se tens entendimento. Quem lhe pôs as medidas, se é que o sabes? Ou quem estendeu sobre ela o cordel? Sobre que estão fundadas as tuas bases, ou quem lhe assentou a pedra angular, quando as estrelas da alva juntas alegremente cantavam, e rejubilavam todos os filhos de Deus?” (Jó 38:1-7).

Conclusão

Que o estudo desta noite tenha edificado a igreja de Jesus Cristo, e que nesta certeza possamos caminhar na fé e no poder do nosso amado Deus. Deus real, criador e de cujos propósitos são para louvor de sua glória.

“ Creio em Deus Pai, Todo-Poderoso criador do céu e da terra”.
Credo Apostólico

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